Escola sem Partido é a nova versão da luta pelo ensino laico

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The Archbishop of Cantebury Rowan Williams (R) and atheist scholar Richard Dawkins pose for a photograph outside Clarendon House at Oxford University, before their debate in the Sheldonian theatre in Oxford, central England, February 23, 2012. The name of the debate is ?The Nature of Human Beings and the Question of their Ultimate Origin?. REUTERS/Andrew Winning (BRITAIN - Tags: RELIGION SOCIETY EDUCATION) - RTR2YBDF

É muito engraçado ouvir algumas pessoas – incluindo alguns liberais de direita – afirmando que “é impossível ensinar sem tomar partido”, apenas para racionalizarem sua capitulação diante da demanda da extrema-esquerda para manter as escolas partidárias. Eles dizem, confiantemente, que “o ensino não partidário é impossível”.

A ironia da coisa é que a mesma argumentação havia sido utilizada por religiosos no passado para dizer que seria impossível “ensinar sem tomar partido da religião”. Mas eis que hoje em dia é plenamente possível banir o criacionismo, o que é suficiente para implodir a tese de que “o ensino não partidário é impossível”. Se é plenamente possível ensinar biologia sem tomar partido do criacionismo, igualmente é possível ensinar qualquer disciplina sem tomar partido de doutrinas não provadas, como ideologia de gênero, socialismo, guerras de classes simuladas e daí por diante.

Alguns lançarão a carta do “estado laico coringa”, mas sem qualquer fundamento para fazê-lo. O que estamos aqui discutindo aqui é uma questão de princípios. A proibição do criacionismo em salas de aula comprova que a afirmação alegando a impossibilidade do ensino não partidário é falsa. Na verdade, qualquer disciplina pode ser ensinada sem partidarismo.

Não estou aqui querendo defender o Escola sem Partido em sua integralidade, pois discordo de pontos fulcrais do projeto. Mas igualmente rejeitar o projeto a partir da mentira de que “é impossível ensinar sem tomar partido” é algo tão indecente quanto a mais desonesta das doutrinações, dos abusos e dos estelionatos educacionais.

No fundo, o Escola sem Partido representa interesses nobres, embora às vezes contestáveis, que no fim andam em par com os mesmos interesses que ajudaram a criar o conceito (hoje muito bem aceito) de estado laico.

A doutrinação de extrema-esquerda em salas de aula é o novo obscurantismo de nossa era. Combatê-lo é belo e moral. Se vai ser com o Escola sem Partido nos moldes atuais, ou com novos formatos de combate ao obscurantismo escolar e ao estelionato educacional, isso é o que veremos pela frente.

O neo ateu Richard Dawkins estava errado em vários pontos, mas não em relação à luta pelo ensino laico. Por muitos religiosos, ele foi considerado agressivo. Da mesma forma que hoje o Escola Sem Partido é tratado como “um projeto agressivo”. O mesmo ataque que Dawkins sempre fez contra a doutrinação religiosa em salas de aula deve ser feito contra a doutrinação marxista nos mesmos lugares.

Dica aos que lutam pelo fim do estelionato educacional: aprendam com as lições de toda a luta feita em favor do estado laico. O caminho das pedras está aí…

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13 COMMENTS

  1. Concorde na maior parte, exceto na premissa equivocada do Estado laico. O Estado Laico foi criado justamente para proteger a liberdade religiosa, pois o Estado deixa de seguir uma determinada religião oficial. Jamais para disseminar o materialismo.

  2. Acho que não deveria ser lei porque é tão óbvio. É como uma placa dizendo ‘não defeque na pia’, não deveria ser imposto, deveria e acho que essa imparcialidade necessária para o desenvolvimento crítico é requerida no código de ética do professor (se existir). Aula apartidária deveria, isso sim, ser considerado o modus operandi de quaisquer professores.

    • A lei não é para reeducar os professores. A lei é para dar aos alunos e aos pais ao menos uma ferramenta jurídica para se defender dos professores marxistas. Quem escolhe por livre vontade defender e propagar ideologias baseadas na destruição de uma sociedade não respeita nenhuma lei, nem nenhuma pessoa. Professores Marxistas não cometem equívocos ao defender toda essa sociopatia; eles simpatizam com ela; é bem diferente. São pessoas de caráter duvidoso (quase que um elogio). Quando mais espaço você dá; mais espaço você perde e mais eles querem. Hoje alunos são convocados a ir em manifestações em prol de governos PETISTAS. Esperar que haja um desenvolvimento crítico espontâneo para sair desse cenário por parte de quem defende e se regozija com essa calamidade é ingênuo.

  3. Dizer que é impossível não ser partidário na sala de aula é um escárnio. O ESP exige uma postura que já é seguida para juízes, com até muito mais rigor. O juiz deve ser imparcial e deve evitar manifestações de militância política em sua vida particular. No caso dos professores, isso ocorre tão somente no período em que está em sala de aula, podendo militar como quiser em sua vida particular.

    Se isso é tão impossível assim, então temos que derrubar a regra para juízes, que é muito mais severa. Se os magistrados já seguem essas regras faz tempo e ninguém fala nada, isso é mais uma prova de que o argumento é falso.

  4. É verdade que há muito professor socialista nas escolas, principalmente nas disciplinas de história e geografia, mas também é verdade que há muito professor conservador nas escolas, que ficam despejando discurso sobre valores da família, da Igreja, etc, um proselitismo totalmente inadequado para o local. Meu filho estudou em uma escola em cuja esquina estava se formando uma pequena invasão. A professora dele dizia para os alunos que aquelas pessoas eram ricas – isso mesmo, ricas – e usava como prova o fato de haver um carro ao lado de um dos barracos. Esse carro era uma Kombi velha, caindo aos pedaços, que os moradores usavam para juntar sucata para vender. Meu filho começou a dizer que aquelas pessoas eram vagabundas e preguiçosas, por conta da influência da professora. Isso também é doutrinação, mas ao contrário da marxista, é muito mais difícil de identificar.

    • “… é muito mais difícil de identificar.”. Deve ser porque SE há alguma doutrinação neste sentido, ela ocorre em número infinitamente menor do que a doutrinação marxista.

      • Não. O fato é que o proselitismo conservador com verniz religioso é socialmente aceito no país e, por isso mesmo, não é sequer enxergado como doutrinação por seus praticantes.

      • Você tem números? Quem fez incitação a genocídio? Quem agrediu monarquista na Unb? Quem tem odio da classe media? Tua história está muito estranha. Você parece estar mentindo. Não é enxergado como doutrinação? O que é conservadorismo? Onde Burke e Kirk apoiam isso? Tá muito estranha a sua história diz que as pessoas eram ricas mas depois diz que tem uma kombi velha e são vagabundos parece uma contradição. O que você está fazendo chama-se falácia tu quoque.

  5. Acho excelente que este tema esteja sendo tratado em forma clara. Estou de acordo que a doutrinaçao em sala de aula é a forma moderna do obscurantismo, e as correntes Marxistas sao as mais agressivas nesse campo. Parabéns.

  6. Professores da escola mais famosa de Belo Horizonte fazem campanha para o pt e o psol em sala de aula. Minha filha de 13 anos me conta que eles ENSINAM para os alunos que Cuba é o melhor lugar do mundo. Só ela não cai na canalhice porque eu faço a contra-doutrinação em casa. Sem uma lei para punir esses maníacos, nada pode ser feito. Minha vontade é esganar esses miseráveis, pervertidos.

  7. Discordo. O neo-ateismo de Dawkins proponha acabar com o ensino criacionista. Eles não querem um estado laico, eles querem um estado ateu. O laicismo permite não o fim da cultura religiosa, mas a coexistência com a falta dela. Da mesma forma o projeto de escola sem partido deve trabalhar não no sentido de excluir o ensino marxcista, mas sua doutrinação. Deve-se coexistir na academia linhas diferentes de pensamentos. Socialismo, liberalismo etc.. Da mesma forma que o ensino evolucionalista reina soberano e autoritário nas escolas, o mesmo se dá com relação ao socialismo de Marx. Deve-se trabalhar para que a inclusão do criacionismo e o liberalismo sejam de fato estabelecidos também. Ensino, não doutrinação. Linhas de pensamentos alternativos coexistentes. Propostas diferentes sem entrar em méritos. Por exemplo ensinar que existe duas linhas de pensamento quanto a origem do universo, uma proposta pelo naturalismo onde se afirma que o acaso trouxe a existência através de bilhões de anos num processo evolutivo este universo. Outra proposta pelo criacionismo onde se afirma que o mundo veio a existência através de um Criador inteligente todo poderoso como fonte primária. Não há necessidade de se banir nenhuma das alternativas, embora elas sejam antagônicas, elas poderão ser coexistentes no processo de ensino. Essas alternativas não precisam nem devem ser doutrinárias. Elas se restringem a linhas de pensamentos diferentes alternativos. O mesmo deveria ser correto em relação as linhas de pensamentos no que se refere a política. Socialismo e liberalismo não deveriam ser excludentes, mas coexistentes. Qual a linha de pensamento socialista? Qual a linha de pensamento liberalista? Sem doutrinação.

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