Por que adiar as manifestações para 21/08 é a melhor alternativa?

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Como vimos, vários grupos que se manifestariam no dia 31/07 decidiram alterar a data das manifestações para o dia 21/08. Veja o comunicado abaixo:

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Isso tudo parece muito interessante, sob vários aspectos. Dentre eles, sabemos que promover vários eventos no dia 31 de julho, bem como manter o apoio às manifestações que ocorrerem nesta data, permitirá que grupos como MBL, Revoltados Online e Nas Ruas consigam organizar manifestações mais pontuais e centradas.

Mas não foi assim que algumas pessoas adeptas do direitismo mais purista compreenderam. Dentre esses casos, cito um exemplo, o de Paulo Eneas, que já participou comigo no passado do site Crítica Política (do qual fui editor por uns meses):

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Ai, ai…

Por onde começar?

  1. Segundo o Sr. Eneas, as mobilizações “não dependem de calendário do Congresso”. Na verdade, dependem sim. Se ele resolvesse estudar os movimentos da extrema-esquerda, notaria que todas as mobilizações estão alinhadas a eventos políticos, tanto do Executivo, como do Legislativo e até do Judiciário. Desatrelar manifestações destes eventos é uma bobagem tão grande quanto espirrar na farofa. Na verdade, as manifestações devem ser pensadas com esse alinhamento em mente. Talvez por Eneas ter adotado a narrativa da “superação da classe política” (que não foi colocada em prática nem por aqueles defensores desta ideia), ele acredite que viver como se o Congresso não existisse funciona. Por que ele não junta os amigos dele e tentam fazer isso?
  2. Ele também ataca o fato de os movimentos terem remarcado a data. Usa a ironia: “Quarenta dias após marcar a data vocês ‘descobriram’ que era fim de férias”? Bem, se uma crítica pode ser feita quanto ao agendamento, crítica maior deveria ser feita em relação a não alterar a data. Inflexibilidade é sempre um demérito para executores de táticas. Fica difícil saber do que Eneas reclama. Do agendamento original ou da remarcação? Vago, muito vago…
  3. Surge a narrativa purista dizendo “vocês são uns liberteens irresponsáveis muito mais preocupados em levar adiante a agenda libertária da esquerda que vocês sempre abraçaram”. É um discurso da idade da pedra lascada, totalmente desapegado aos fatos da política atual. A direita está em processo de amadurecimento e, felizmente, começando a elaborar demandas pragmáticas que atendam a mais de um grupo. Um exemplo é o apoio de muitos liberais ao Escola sem Partido, que se iniciou como uma demanda conservadora. E novas demandas pragmáticas vão surgir. Isso é fruto do amadurecimento político da direita. É algo que não vai parar. O purismo de Eneas não é um bom componente para se fazer uma crítica tática.
  4. Ele fala algo sobre o impeachment ter sido apenas um pretexto para “levar uma agenda libertária de esquerda” à frente, mas é um discurso sem nexo. Como falado anteriormente, várias agendas estão em discussão – agendas liberais, libertárias e conservadoras – e o processo de impeachment resulta em maior liberdade para discutirmos todas estas agendas. Na realidade, a requisição pelo impeachment surgiu de forma legítima a partir de vários movimentos sociais democráticos. A conquista do impeachment é também a conquista de maior liberdade, e aí cada grupo que ocupe o seu espaço. Eu, como liberal, não me preocupo com o aumento de espaço para as vozes conservadoras. Por que Eneas se incomoda tanto? Aí sim fica parecendo que ele busca um pretexto.
  5. Argumento “maravilhoso” de Eneas: “vocês são amigos do Reinaldo Azevedo”. Bem, de fato parece que Reinaldo Azevedo tem bastante alinhamento com as táticas e práticas de movimentos como MBL. Da mesma forma que Eneas é aluno do Olavo de Carvalho. E daí? O que importa são as táticas de cada grupo. Patrulhamento ideológico é coisa da extrema-esquerda, que todos devemos repelir. Em tempo: o cancelamento não veio apenas do MBL, como também de outros grupos que incluem até gente que participou de um hangout recentemente com o Sr. Eneas. Ihh….
  6. Os movimentos não estariam “nem aí, pois as pessoas querem alavancar suas candidaturas para as próximas eleições”. Esse é o famoso argumento “nada a ver”. Uma coisa não tem relação com a outra. Mas o importante é o seguinte: é um mérito que os movimentos democráticos estejam dando espaço para candidatos surgirem nas próximas eleições. É apenas no fascismo que a participação política é rejeitada. Ou em ditaduras. Em democracias, temos que contar com políticos cada vez mais aderentes às nossas ideias. Membros de movimentos sociais deveriam aumentar sua participação na política, entrando em partidos como DEM, PSDB, PMDB, NOVO, PSL e vários outros. Só deveríamos vetar a participação em partidos totalitários como PT, PCdoB, PSOL e PDT, bem como outros aliados a projetos bolivarianos. Em suma, aquilo de que Eneas reclama, muitos deveriam na verdade é se orgulhar. Pergunta ao Sr. Eneas: “O senhor não tem vergonha de ficar contra os membros de movimentos participarem da política?”.
  7. Por fim, ele diz que os movimentos “subestimam” os milhões que “foram e estão dispostos a ir às ruas”. Mas qual foi a análise feita por Paulo Enéas a respeito da vontade de participação nesta data? De onde eles tirou os dados? Aha… Enfim, como sempre, aqueles menos focados em falar em táticas surgem com demandas tiradas da cartola.

O que podemos avaliar daí é que, com críticas tão ruins ao cancelamento das manifestações – e note-se que Paulo Eneas com certeza se posiciona no “top 10” daqueles ligados a Olavo de Carvalho, e que gostam de meter o bedelho nos movimentos de rua, mesmo que emitam narrativas contraditórias – adiar foi a melhor alternativa de todas.

Eneas e outros de seu grupo possuem bastante dificuldade em compreender contextos táticos. Muitos deles adotam a frase “vocês tem que fazer (x)”, mas quase sempre ignorando os momentos políticos pelos quais passamos. Por exemplo, Eneas ignora que a descida de Dilma ladeira abaixo tirou muito do clima de confronto. O período de fim de férias até que não seria um grande problema, não fosse a ausência de um “clima de combate” para o momento. É bem provável que esse clima retorne com o fim das férias e com a entrada na reta final do impeachment.

Saul Alinsky ensinava que “a melhor tática é a que seu grupo aprecia”. O público dos movimentos democráticos estava clamando por manifestações em outra data. No que foram atendidos pelos líderes dos movimentos. A data foi alterada porque as pessoas que participariam dos movimentos prefeririam uma data mais próxima à votação do impeachment. Fazer tal alteração de cronograma é sinal de maturidade política e sinal de respeito ao público das manifestações.

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8 COMMENTS

  1. Se eles querem ir em duas manifestações contra a Dilma tudo bem, mas a principal SEMPRE tem de ser no dia do impeachment para garantir a votação a favor, caso contrário, todos nós sabemos que os políticos irão se sentir confortáveis e talvez mudem de idéia apoiando a mandioqueira..

  2. Na minha opinião essa manifestação de 31/07 ficou muito distante das demais. Já era para ter acontecido e demanda política não falta já que o STF vem trabalhando pelo PT há muito tempo. Moro e Lula ainda continuam nesse pega-pega de gato e rato e o Lula solto. Alguns Senadores ainda estão indecisos quanto ao impeachment e por aí vai. A outra com certeza tem que acontecer mais próximo da votação do impeachment. Por esse lado o MBL acertou. Se colocasse as manifestações para 31/07; até o impeachment a pressão iria diminuir e não teríamos força para voltar com tudo ainda em Agosto.

  3. Em minha opinião houve um enfraquecimento do movimento pelo impeachment. Ou todos desistem de 31/07 ou todos saem juntos em 31/07. Num movimento dessa importância, o que interessa é o tamanho.

    Que manifestações “pontuais” farão os movimentos que desistiram do dia 31/07?

    Quantos participarão da manifestação de 21/08 ou antes ou depois, pois não se sabe a data em que a votação do impeachment irá acontecer, se entendi corretamente o comunicado do MBL?

    Quantos participarão dessas manifestações “pontuais”?

    Isso é regra entre os esquerdistas: manifestação só é demonstração de força com uma multidão apoiando. Vivemos criticando o PT por suas manifestações terem pouco apoio. O que impedirá que uma manifestação “pontual” do boneco do Lewandowsky caia no ridículo?

    Obviamente estarei na Praia de Copacabana em 31/08 e estarei onde o MBL definir (aqui no Rio de Janeiro, é claro) no dia 21/08 – ou antes ou depois. Mas acho que houve um prejuízo para o todo. A menos que uma informação não disponível aos demais mortais, tenha justificado o receio que concretizou a desistência, isto é, a notícia da participação dos “contra” o impeachment como ameaça de confronto.

  4. Desde o momento que se sabia do calendário para a votação definitiva do impeachment, notei que esta manifestação do dia 31 estaria muito longe do final de Agosto, mas acho que os movimentos erraram em continuar incentivando a que divulgássemos esta data, e só agora a uma semana decidam não participar da organização do evento. Entendo também que seria um gasto desnecessário com locação de caminhões, panfletos e demais, que serão melhores utilizados num dia mais próximo do impeachment.
    Mas também acho que mesmo decidindo a não participar da organização desta manifestação, seria a obrigação de vocês movimentos, continuar incentivando as pessoas que seguem suas postagens, a participarem sim no dia 31/07, levarem seus cartazes, suas bandeiras, porque a manifestação vai ocorrer, e o movimento organizador é o que menos importa, o importante é o povo nas ruas. Vem Prá Rua, MBL, Revoltados, Nas Ruas, Avança Brasil e outros, sem apoio do povo, sem o povo nas ruas, seriam só organizações com muita vontade de mudar o país que pouco poderiam fazer.

  5. Mudança na data ,Não é uma estratégia Inteligente!
    Temos demandas políticas de sobra,STF COMPROMETIDO,Lula é mais uns 20 ainda soltos,essa desperdícios de gastos públicos nos estados…e por aí vai…..Querem MAAAIIIIS????!!!
    Agosto Faremos OUTRA MANIFESTAÇÃO e quantas precisarem ainda,até limpar o Planalto !!!!
    MATURIDADE SE CONQUISTA LUTANDO POR UM PAÍS HONESTO!!!!!!!!

  6. A quem interessa dividir os protestos? No dia 13/03 estávamos a 35 dias da votação na câmara e o comparecimento de quase 6 milhões em todo o Brasil possibilitou tempo suficiente para pressionarmos os deputados com base nestes números e obtivemos os 367 votos. Agora no dia 31 só estaremos a 28 dias e a convocação e apoio estão de tal forma conscientizados que qualquer alteração levará com certeza a uma participação bem reduzida nos dois dias. Ainda mais que no dia 21 a atenção da mídia estará direcionada para o encerramento das olimpíadas. Com certeza há algo de podre no reino da Dinamarca.

  7. Eu acho que qualquer manifestação agora é um erro porque vai pouca gente. No ano passado, quando o pessoal voltou a fazer manifestações em abril e agosto, a petralhada na imprensa passou a dizer que a tese do impeachment perdera força porque elas eram menores que a de março. Quando disseram que a de dezembro era um “esquenta” eles riram e deram como certo que a Dilma estava garantida. Foi só em março deste ano que a rua rugiu e eles calaram a boca. Agora vão dizer de novo que as pessoas viram que foram enganadas pelos golpistas e era melhor ter deixado a Dilma, etc. Ninguém esqueceu de março e é melhor dar uma de Pelé e sair no auge.
    Anti Levandovsky, anti aparelhamento das escolas, etc. Se quiserem, que se manifestem com outra agenda e deixem isso BEM claro. A Dilma tem que ser dada como morta.

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