Obama "critica" polarização na política dos EUA a fim de poder polarizar mais

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FILE - In this Aug. 6, 2013, file photo. President Barack Obama laughs as the crowd sings him "Happy Birthday" at the start of his speech about housing at Desert Vista High School in Phoenix. The man who lives at 1600 Pennsylvania Ave. is more than just another famous face, or the face behind the government’s troubled health care website. Five new things about the president include, singing in the bathroom, cooking, a broken nose, a world traveler and a daughter with a peanut allergy. (AP Photo/Jacquelyn Martin, File)

Já vi pessoas de direita dizendo “é, tudo está polarizado demais” em reação à narrativa da extrema-esquerda dizendo “as coisas andam muito polarizadas”. Ou seja, reagem a um truque sujo com uma concordância em estilo mela-cueca. Aqueles direitistas agindo desta forma não conseguiram perceber que estão sendo vítimas de mais um truque de gente que insere rotinas sujas a cada frase.

Conforme mostra o Valor Econômico, Obama se saiu com a mesma sacola de truques ao “criticar a polarização na política dos EUA”. Ele afirmou: “Nós democratas sempre tivemos diferenças com os republicanos e não há nada de errado nisso. É o que precisamente leva o país adiante”. Mais: “Mas o que ouvimos em Cleveland foi uma visão excessivamente pessimista de nosso país”. Ele concluiu: “Ouvimos muito a respeito de culpa, ressentimento, raiva, ódio. Essa não é a América que eu conheço. A América que eu conheço é decente e generosa.”

Sobre Trump, ele ainda afirmou: “Ronald Reagan chamou a América de cidade brilhante numa montanha. Trump diz que a América é um cenário dividido de crimes que só ele pode resolver […] Ele não é um sujeito que tem planos nem uma pessoa que se apega aos fatos”.

Ora, o que vemos aqui senão Obama levando a polarização ao extremo – até porque ele segue Saul Alinsky, que sempre defendeu a polarização – e, em seguida, dizendo “ai, pare de polarizar, está demais”. É a mesma coisa que sair dando socos e ao mesmo tempo gritar “sem violência, sem violência”. É apenas uma forma de poder bater com mais facilidade.

Na realidade, a falsa narrativa da polarização é sempre um truque adotado por pessoas que estão no governo (e mais suscetíveis a críticas) e dependem da polarização para tentar permanecer por lá. Com o fito de tentar transformar às críticas à sua administração em “afirmações pouco razoáveis” passam a propagar a narrativa de que “há muita polarização”. Na verdade, quem não polariza as questões nem está participando de fato da política.

Não é possível polarizar a política mais que faz a esquerda radical de Obama ou a extrema-esquerda de Dilma. Você pode igualá-los na polarização e esta deve ser uma meta. Superá-los não é possível, uma vez que na polarização eles levam a tática ao absoluto. É por isso que toda instância de discurso deles é baseado no “nós contra eles”. Cientes de que isso funciona querem esconder suas táticas de polarização acusando os outros (que polarizam muito pouco) de fazê-lo.

Quando um esquerdista diz que “há polarização demais” está mentindo. Quando um direitista diz que “há polarização demais” está sendo feito de tonto (mais uma vez) pelo esquerdista.

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4 COMMENTS

  1. Acho que a jogada é mais simples do que isso. Muito mais simples. Pode chamar até de uma “nova” falácia: a falácia do apelo à civilidade (na verdade, um conjunto de falácias). Funciona assim:

    1 – você está perdendo num debate;
    2 – você capitaliza seu oponente como radical;
    3 – se seu oponente, mesmo assim, consegue capitalizar apoio, você faz um apelo à civilidade (“tudo muito polarizado”, “não podemos ser radicais”, “é possível chegar num consenso porque somos civilizados”, etc);
    4 – como o ser humano tem uma ilusão de ser civilizado (não o é, senão não existiria lei e punição), “cai” nesse discurso.

    É necessário identificar e se prevenir contra esse padrão.

  2. E antes que venha um inocente perguntando… Obama radical de esquerda?

    SIM!

    O esquerdismo se dividi em dezenas de vias, e o partido democrata é um dos que mais apelam para a burocracia!

    • “O esquerdismo se dividi em dezenas de vias, e o partido democrata é um dos que mais apelam para a burocracia!”

      E o legal é a lógica dos seguidores deles: reclamam da violência, brutalidade policial ao mesmo tempo que exigem um aparato estatal maior que consequentemente necessitará de um maior poder de polícia para poder garantir o cumprimento das prerrogativas maiores concedidas pelo Estado.

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