Recurso de Lula à ONU pode dar certo (ou não)

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Se há algo que devemos agradecer aos petistas, é a maturidade política que eles nos forçaram a adquirir ao longo de seu período no poder. Na campanha de 2014, o PT ajudou a estabelecer a era da desconstrução, que nos ensinou que a opção de não atacar na política é a opção dos perdedores. Creio que aprendemos a nos tornar mais assertivos na política a partir aí, pois sem isso seríamos vítimas eternas dos petistas. Em 2015 e 2015, podemos dizer que o PT estabeleceu de vez a era das narrativas, na qual é preciso entender que de nada adianta termos os fatos em mãos se não estivermos dispostos a entrar em uma guerra de narrativas contra o oponente. 

Assim, me perguntam: o recurso de Lula à ONU vai dar certo? A resposta é uma só: depende dos resultados da guerra de narrativas. Um editorial do Estadão lembra que Lula teria feito apenas um “habeas corpus preventivo”, a fim de constranger os juízes de prendê-lo em virtude de sua reclamação antecipada. Se Lula conseguir que os juízes estejam constrangidos, ponto para ele. Ele também poderia ser preso, e já começar a capitalizar politicamente, novamente por causa da reclamação antecipada. Se ele capitalizar bem, ponto para ele. Existiria a alternativa de pedir asilo, o que o permitiria fugir para o exterior e fazer campanha política. Novamente, ponto para ele.

Em suma, Lula quer apenas pontuar na guerra política. Se ele pontuar mais que seus adversários, ele vence e enfim o recurso à ONU terá funcionado a seu favor. Observe que Lula não espera que a ONU condene o juiz Sergio Moro. A ação não foi emitida neste sentido. Foi emitida apenas para gerar oportunidades de ganho político.

Assim, para que o recurso de Lula à ONU fracasse é preciso adentrar a mais esta instância da guerra de narrativas, expondo vários fatos, como o excesso de irregularidades e crimes cometidos por Lula (o que mostraria que nossa justiça é até benevolente com ele), a falta de republicanismo de sua medida, sua oposição à Lava Jato e ao Poder Judiciário em geral, seu padrão autoritário (exatamente o mesmo demonstrado por Cristina Kirchner, que entrou em confronto com a Justiça de seu país) e daí por diante. Cabe a nós vencer esta guerra de narrativas – e, convenhamos, os fatos estão do nosso lado, portanto não é difícil – para fazer com que o recurso de Lula à ONU fracasse.

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3 COMMENTS

  1. Considerando a situação atual do Lula, o que acontece se OUTRO Juiz, que não seja o Moro, decretar sua prisão? Afinal, se ele entrou contra o Moro, e o juiz Zé da Silva prendê-lo, o tiro não sai pela culatra?

    Claro, ele ainda pode capitalizar em cima disso, dizendo que todo o judiciário é parcial, mas essa capitalização será bem menor.

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