Sua mente entrou em colapso político? Assista um pouco de basquete.

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Recentemente, vimos o surgimento de uma nova narrativa de negação política da direita. Nela, os propagadores de ideias de direita se diziam impressionados com o fato de a extrema-esquerda rotulá-los a todo momento de “extrema-direita”. Passavam a achar isso um absurdo. Curiosamente, essas mesmas pessoas seguiam rotulando o adversário unicamente de “esquerda”, mas não de extrema-esquerda. Em suma, eles não faziam seu trabalho (de rotular o adversário de “ultra” ou “extrema”). Pior ainda: como agravante, reclamavam porque o oponente fazia sua obrigação. Eis um exemplo de colapso mental.

Para corrigir este tipo de colapso (caso você tenha sido acometido por ele), imagine um jogo de basquete no qual um time esteja perdendo por 50 a 0. Imagine agora um jogador deste time chegando à beira da quadra e falando algo em direção a você, que está na plateia: “ah, é absurdo que esse pessoal do time adversário tenha essa mania lamentável de jogar a bola dentro do aro”. Durante toda a reclamação, o infeliz demonstra grande estupefação, como se estivesse dando uma lição de como o adversário deveria agir.

Com certeza você se incomodará ao ouvir isso, pois mesmo com seu time perdendo de 50 a 0, aquela pessoa está reclamando do que o time adversário está fazendo. Mas o adversário está seguindo o código do jogo (que define como essencial tentar fazer o maior número de cestas, para vencer), enquanto o reclamante não está. E mesmo que esta pessoa não esteja seguindo o código do jogo, se sente autorizada moralmente a querer dizer como o outro deveria agir. Todavia, tudo que o time adversário está fazendo está de acordo com o código do jogo. Quem deveria começar a tentar mudar de perspectiva e passar a encestar bolas é o reclamante, não o time que está vencendo.

Se você achou tudo isso incômodo, sabia que é a mesma mania que acomete aquele que resolveu “se espantar” com a rotulagem feita pelo oponente. Mas, mesmo que seja desonesto na rotulagem, ao menos o adversário de extrema-esquerda tem feito sua parte no que tange à rotulagem.

Vamos simplificar as coisas como se fosse no basquete. Imagine que a cada vez que alguém é percebido como “ultra” ou “extrema”, seu adversário pontua. Isto porque o ser humano médio vai optar por pessoas e ideias que ocupem o território da moderação. Realize agora que a multidão está esperando ser influenciada. A partir do momento em que ela aceita – não importa se é por mera indução ou por repetição bate-estaca, ou ambos – que um dos lados é de “extrema” ou “ultra”, ela tenderá a optar pelo que mais fugir destes rótulos. Este é o único motivo pelo qual eles adoram tanto rotular qualquer direitista de “extrema-direita”.

Se você entendeu essa dinâmica, basta agora compreender aonde está o problema no basquete, que não está no fato de o adversário encestar mais bolas. Está no fato de seu time fazer menos cestas. Basta agora realizar que há uma instância do jogo de rotulagens, na qual a rotulagem do adversário como “ultra” ou “extrema” conta pontos, como se fosse uma cesta no basquete. O surpreendente não é o adversário te rotular de “extrema-direita”. O vergonhoso (e até revoltante) é você se recusar a rotulá-lo de extrema-esquerda. Mas há algo mais absurdo ainda: é você se surpreender quando ele está fazendo a parte dele, ao mesmo tempo em que você não faz a sua parte.

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4 COMMENTS

  1. Senpre perguntava-me por que eles odiavam ser chamados de extremistas mesmo sendo extremistas. Faz algum tempo que sei por que eles odeiam que os rótulos “ultra” e “extrema” sejam lançados a eles. Quando não conhecia de guerra politica eu chamei uma ultra extrema esquerda de extremista, e ela ficou na encenação tentando rotular mas não deu muito certo, e mostrei onde ela era extremista. Eles ficam putos se jogarem esses rótulos neles.

  2. Eu tenho a impressão de que essa parte da direita acha que vai conseguir derrubar TODA a esquerda de uma vez, por isso não QUEREM, repito NÃO QUEREM fazer distinção entre PSDB e PSOL, por exemplo. E eu sinto o cheiro de um certo embusteiro que mora no exterior por trás desse tipo de idéia. Isso só ajuda a mostrar a imaturidade política da direita brasileira.

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