Mais sobre o escracho lançado sobre Sabatella. E um pouco de dinâmica social.

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Momentos atrás escrevi sobre o escracho lançado por republicanos sobre a bolivariana Letícia Sabatella. Minha crítica não foi em relação ao escracho (um evento natural, necessário e, mesmo em seus excessos, não tão controlável), mas em relação a um aprendizado que tivemos com esse evento. É este aprendizado que devemos assimilar. Se você não leu o texto anterior, peço que clique aqui e leia, para depois darmos sequência.

Já leu? Ótimo. Então vamos prosseguir. É necessário que o escracho seja praticado pelo nosso lado em proporção similar ao que a extrema-esquerda pratica contra aqueles do nosso lado. Ponto. Também é fato que alguns escrachos podem sair do controle. Essa não é a questão no momento (embora eu entenda que os mesmos excessos lançados contra Janaína, o foram contra Sabatella, e discordo de ambos os excessos). Ponto. Mas ao mesmo tempo, a cada vez que alguém do nosso lado toma um escracho, também surge a oportunidade de capitalização. Assim o escracho gera automaticamente um evento “pós-escracho”, que também se torna uma oportunidade viva para capitalização política. Se a extrema-esquerda está capitalizando no pós-escracho lançado sobre Sabatella (que teria sido xingada), e a direita não capitalizou no pós-escracho lançado sobre Janaína (que foi xingada de vagabunda), então temos uma reflexão a fazer nesse sentido: por que não denunciamos os ofensores de Janaína na mesma proporção em que os ultraesquerdistas estão denunciando os ofensores de Sabatella? Esta é a única questão tratada em meu texto. Nenhuma outra.

Vamos ao passo a passo do evento, pela ótica de um modelo típico da dinâmica social:

  1. Um escracho é um evento do mundo
  2. Neste evento do mundo, existe um lado escrachado e um lado escrachador
  3. O escracho em si já gera um capital político para quem escrachou
  4. Em alguns casos, o lado escrachador pode cometer excessos (muitas vezes isso é de difícil contenção, embora seria desejável que os excessos não acontecessem)
  5. Isso gera uma oportunidade de capital político para quem foi escrachado, pois pode expor os escrachadores e até abrir denuncia contra eles
  6. O escracho, enfim, abre uma espiral de capitalizações políticas, para cada um dos lados
  7. É preciso aproveitar todas as oportunidades

O que vemos, no lado da extrema-esquerda, é que eles executam todos os passos. A direita, em geral, vai até o passo 4. No caso de Janaína, até avançaram ao passo 5, denunciando a monstruosidade dos escrachadores que a xingaram. Mas faltou a denúncia à polícia. Aí sim a capitalização seria plena. Sabatella e sua turma parecem querer ir até o final do processo, e isso nos obrigará a aprender essa lição.

Em suma: da próxima vez que alguém do nosso lado sofrer um escracho excessivo, se requer que o nível de denunciação contra os escrachadores alcance o mesmo nível que a denunciação lançada pela turma de Sabatella contra seus escrachadores. Esta é a lição a ser aprendida do evento.

Não é para ficarmos reclamando de que “Sabatella está choramingando por aí” – a não ser, é claro, que esta reclamação seja um jogo, mas geralmente não é -, mas sim começarmos a nos preparar a ir até as últimas consequências quando alguém do nosso lado for escrachado. Esta é a dinâmica social do evento. Agora o que resta é começar o jogo na mesma intensidade.

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6 COMMENTS

  1. O problema é que a direita não enxerga as OPORTUNIDADES de capitalização. Acontece de acertar uma vez ou outra quando a oportunidade está clara como cristal e a favor do vento. Não dá para vencer a esquerda na guerra política com essa inércia mental.

    Esquerdista abriu a boca? Atacando ou defendendo? É a favor de alguma demanda com fins totalitários. Tem que tomar escracho. A esquerda tem que ser avaliada como adversário pelo que faz mas julgada pelo que fala e faz. Não tem porque esperar as oportunidades. Esse site aqui é o exemplo disso. Todo dia tem escracho contra a esquerda. Ambos lados cometem erros e dão munição ao adversário. Falta a direita atirar mais. Muito mais.

  2. Não seria o caso de portar-se como gente, respeitar a liberdade de expressão de quem escracha, não apelar às forças estatais (polícia, judiciário) e, daí sim, usar a conduta republicana e democrática em comparação às práticas infantis e hipócritas deles para capitalização política?

    • Ou seja, durante o jogo em que o adversário está fazendo cestas e ganhando de 50×0 você sugere “não fazer certas”. É um estágio de negação. Você precisa superar isso.

  3. Esta de boba só tem a cara.
    Foi de propósito à manifestação de câmera na mão e vendo a indignação das pessoas posa de vítima, de coitadinha. A esma conversa mole. E ela já entrou com o BO de injúria. Coisa que todos que são chamados de golpistas deveriam faze contra os PTistas.

    Não sei se pode interessar como notícia mas na Nicarágua já houve um golpe.
    http://www.infobae.com/america/mundo/2016/07/29/nicaragua-daniel-ortega-dio-un-golpe-al-parlamento-y-se-quedo-con-todo-el-poder/

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