O totalitarismo latino se alimenta da ausência de jogo político do lado oponente

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Argentina's President Cristina Fernandez, from left, Bolivia's President Evo Morales, Venezuelan's President Nicolas Maduro and Brazil's President Dilma Rousseff, dance as they are welcomed by traditional music groups prior to the start of the 46th Mercosur Summit, in Caracas, Venezuela, Tuesday, July 29, 2014. The South American trade bloc presidency, currently held by Maduro, will be transferred to Fernandez, Tuesday. (AP Photo/Fernando Llano)

Enquanto a social democracia radical corrói as estruturas centrais da sociedade europeia e da sociedade norte-americana – o que pode ser visto nos atentados terroristas, na Europa, e no assassinato organizado de policiais, nos EUA -, a América Latina vive algo muito pior: o colapso da democracia nas mãos de ditadores como Nicolas Maduro, Evo Morales, Rafael Correa e, agora, Daniel Ortega.

Estamos a poucas semanas de nos livrarmos de uma tirania bolivariana, capitaneada por Dilma Rousseff, enquanto a Argentina se livrou recentemente de um regime psicopático conduzido por Cristina Kirchner. Em suma, o clima é de “sufoco”. Quando nos vermos definitivamente livres da tirania de Dilma, a atmosfera será uma só: “passamos por pouco de virarmos uma Venezuela”.

A questão que de imediato surge é: por que passamos por situações de vivermos sob riscos de virarmos uma ditadura bolivariana ou então estamos debaixo de uma ditadura com tanta facilidade? A resposta mais clara – e que pode ser obtida através de uma análise comportamental clara – é que este é o continente da negação a política.

Republicanos em geral – direitistas, centristas e esquerdistas moderados – simplesmente se recusam ao jogo político. Como na política não existe o vazio, a extrema-esquerda – que joga o jogo na mesma medida em que respira – consegue mais poder do que seria aceitável.

Quando se fala em autores como David Horowitz e Ben Shapiro nos Estados Unidos, há um grande número de pessoas que resolve entender as regras e partir para o jogo (mesmo que ainda precisem comer algum feijão com arroz para alcançar a esquerda). No Brasil, ao contrário, a primeira reação é de revolta, culminando até com questionamentos, tais quais:

  • “Por que eu deveria jogar o jogo?”
  • “Se eu jogar o jogo, me igualarei a eles?”
  • “Não é absurdo que eles joguem o jogo?”
  • “Jogar o jogo não funciona”
  • “Jogar o jogo é ilusão”
  • “Jogar o jogo é coisa deles, não da gente”

Provavelmente esse tipo de negação – que ultrapassou qualquer cota de controle – pode ser fruto de um regime militar que ensinou muita gente a “não discutir política” e nem pensar em jogo político. Criou-se uma cultura de que “o jogo” é coisa deles. Bem, se “o jogo” é coisa deles, então o resultado fica apenas com eles.

Para qualquer atividade da vida humana onde existe competição, se ficamos parados, o que acontece é que nosso oponente morre de rir. Isso pode ser observado na savana. Basta imaginar uma gazela batendo o pezinho e dizendo “não vou correr, humpf, me recuso; vou é ficar aqui”. Será devorada em minutos pelo leão, que não quis ficar parado. Ou então imaginar um exército, no meio de um combate, dizendo “não vou atirar; vou ficar aqui, parado, lendo Kant”. Imediatamente será todo fuzilado.

E o que aconteceu com os republicanos latino-americanos? Ficaram parados. E os totalitarismos chegaram. Grande parte dos resultados fáceis conquistados pelos tiranos bolivarianos se deveu a isso: falta de vontade de seus opositores em jogar o jogo da política. O resultado não poderia ser outro. Por isto mesmo, a alternativa para tirarmos esses monstros do poder não pode outra que não jogar o jogo da política.

O maior aliado do totalitarismo moderno não é uma ideologia totalitária. É a ausência de jogo político por parte dos oponentes dos totalitários.

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