Você não vai com a cara João Santana? Quase com certeza sim. E pelos motivos errados.

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João Santana recentemente foi solto da prisão. Fará delação premiada, junto com a esposa. Com isso, deve enterrar Dilma de vez. Tudo isso é muito bom, mas ainda assim há muita gente na direita com raiva do marqueteiro.

O fato é que desde a campanha feita pelo PT em 2014 para Dilma ele tem sido chamado de “Goebbels” brasileiro. Costuma-se definir Santana um “culpado” por Dilma ter chegado ao poder. No fundo, ele apenas prestou (e bem) seus serviços a um cliente, da mesma forma que faria um advogado. Como faria um ótimo advogado, ele foi um ótimo marqueteiro. Digamos que ele foi um marqueteiro da imagem. Sua especialidade não é apenas construir a imagem de seu cliente, como a de desconstruir a imagem do oponente de quem lhe paga.

É especialmente por isso ele é odiado, o que não se justifica. Decerto seria justo rejeitá-lo pela prática de corrupção, mas jamais por ter sido um exímio marqueteiro. Mas infelizmente muitos na direita ainda estão fulos com Santana por seu talento para o marketing político. Antes de concluir, quero relembrar uma passagem escrita recentemente por Roger Roberto e compartilhada aqui neste site:

Praticamente em todos os casos nos quais alguém sugere que a direita deveria passar a agir de forma tática, visando resultados e parando de ceder aos caprichos do inimigo, aparece alguém dizendo que se usarmos os métodos eficientes que a esquerda usa, estaremos “nos igualando” a eles.

Nada poderia ser mais estúpido. Em verdade, se sairmos da política e transferirmos este raciocínio para o esporte, por exemplo, seria basicamente o mesmo que um jogador de futebol ficasse perplexo ao ver que seus adversário fazem gols e aí, para justificar suas derrotas, dissesse: “Mas eles jogam bem. Se eu jogar bem, vou me igualar a eles.”

A esquerda não é errada porque suas táticas dão certo, ela é errada porque defende ideias erradas e nefastas. Não é o fato de conquistarem o poder que os torna ruins, e sim o fato de quererem o poder para finalidades ruins e cruéis.

Da mesma forma, o jogador do time adversário não é errado por fazer gols. Talvez ele seja errado por querer usar o prêmio do jogo para algo ruim, mas não por jogar direito.

Enquanto a direita ficar com nojinho de jogar pra ganhar, ela vai perder, simplesmente isso é o que vai acontecer. Não há nada mais imoral do que preferir perder só pra manter a pureza, porque diferente do futebol, na política nós estamos lidando com a vida, com a integridade e com a liberdade humana.

Essa conclusão é tanto lúcida como óbvia. Já passou da hora de mandarmos para a vala essa maldita comunicação direcionada ao nosso próprio subconsciente nos dizendo que “o jogo é ruim”. Para reforçar essa comunicação, muitos de nós acabam demonizando João Santana…por ter jogado bem.

Na verdade, imoral é não jogarmos na mesma velocidade que eles. O monstro moral da campanha de 2014 não foi João Santana, mas sim o marqueteiro da campanha de Aécio, Paulo Vasconcelos, que tinha todas as armas em mãos e optou por usar musiquinhas bobas ao invés de desconstruir com assertividade a oponente Dilma. E, convenhamos, estava fácil. Vasconcelos não desconstruiu Dilma porque não quis.

Enquanto isso, Santana usou o arsenal que tinha em mãos. Se os motivos de seu cliente são abomináveis e se a seleção/omissão de informações configuraria inverdades, isso são outros quinhentos contos. Mas não foi isso que decidiu a partida. O que decidiu as eleições de 2014 foi um único fator e um fator único apenas: um lado jogou o jogo e o outro não jogou.

Não devemos rejeitar João Santana por ter jogado o jogo. Na verdade, devemos rejeitar Paulo Vasconcelos por não tê-lo feito na mesma intensidade. Por isso mesmo, devemos refletir sobre as razões para rejeitar João Santana. Se o rejeitarmos pela corrupção e o caixa 2, ótimo. Se o rejeitarmos por ter feito o que a campanha da oposição não fez, então estamos em direção oposta à verdadeira maturidade política.

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3 COMMENTS

  1. Na verdade o rejeitamos pela mentira e pelo quanto ele enganou a população para que o PT pudesse continuar saqueando o estado. Já falei contigo uma vez, e mantenho minha crítica. Política não é um jogo, e esse é o motivo da maioria das pessoas não vê-la como tal. Suas metáforas esportivas são um lixo, simplesmente porque ninguém ganha um jogo de futebol, basquete, ou o que quer que seja para poder saquear os cofres públicos, para tirar as liberdades das pessoas ou praticar doutrinação com vias a alcançar poder totalitário de longo prazo.

    É “só” por isso que as pessoas não se irritam com o fato dele ter “jogado o jogo”. É como se irritar com um homem-bomba, que foi ao extremo de tirar a própria vida pra matar outros em seu “jogo” jihadista… só que ao invés de explodir bombas, ele lançou de vários ardis para manipular a opinião pública, enganar as pessoas e tudo com um fim que já era de se esperar de quem pratica essas coisas: dominar as pessoas, saquear o estado e viver como sultões às custas do sofrimento do povo.

    Por isso eu acho e sempre acharei a metáfora da “GUERRA política” mais adequada. Numa guerra geralmente há dois lados: um querendo dominar o outro povo, saquear, escravizar, estuprar, e outro querendo se defender. Numa guerra não há regras a serem respeitadas. Pessoas vão usar civis inocentes como escudo, como o Hamas faz (e como a extrema-esquerda faz quando finge defender os homossexuais, as mulheres ou os negros), vão atacar populações vulneráveis para cortar linhas de suprimentos inimigas (como quando a extrema-esquerda difama e denigre a imagem de conservadores e cristãos para tirar a legitimidade do discurso deles), e assim por diante. E todos esses atos SÃO SIM IMORAIS.

    Por outro lado, você está certíssimo quando sugere que a gente tem que deixar de ser criança e para de se surpreender com a imoralidade do inimigo. Eles querem nos dominar, querem nos escravizar, como esperar alguma coisa moral dessa escória? E ainda mais imoral é não revidarmos os tiros e bombas deles com ataques ainda mais fortes. Se nós queremos mesmo defender a nossa civilização, um bom começo é destruindo POLITICAMENTE todos aqueles que a ameaçam diariamente em prol de um plano de nos dominar a todos. Está certíssimo em dizer que guerra política em si não é imoral, mas eles se valem de meios imorais para lutá-la sim, e você erra ao não reconhecer isso.

    Talvez se refletir sobre sua forma de pensar e mudar sua abordagem, vai ter que perder menos tempo escrevendo textos e mais textos pra tentar a duras penas mudar a mentalidade da direita, convencendo todos de que um ato que coloca em jogo as vidas de milhões de brasileiros é apenas “um jogo”. Talvez seja mais fácil convencer a direita de que estamos numa guerra (ainda que “por outros meios”), e que devemos lutá-la.

    Abraços.

  2. Antes ele fosse só competente. A campanha dele foi ao mesmo tempo competente e incrivelmente mentirosa. Claro que não poderia ser diferente, considerando o partido para qual ele trabalhava.

  3. Não podemos esquecer do MARQUETEIRO DO MALUF, contratado pelo LULA, em 2002. KKKKKKKKKK, mas a patuleia esquerdista parece ignorar tudo isso…

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