Assessor de Feliciano é preso. Carreira do deputado acaba. Próximos passos serão de arrepiar.

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Há uma diferença gritante entre um republicano e um bolivariano. O último compactua com as barbáries praticadas por aqueles ao seu lado. O primeiro tem uma noção moral (ao menos em termos de diretriz, pois é difícil encontrar “santos” em política) que o envergonha na hora de aceitar certas posições. É por isso que um bolivariano diz “mexeu com Lula, mexeu comigo”, mesmo diante de incessantes escândalos de corrupção, enquanto dificilmente um eleitor de Aécio Neves ou Eduardo Cunha diria “mexeu com [meu candidato], mexeu comigo”. No máximo dirão: “em caso de escândalo de corrupção, mexeu com ele, eu nem ligo”.

Eu já apoiei várias iniciativas de Feliciano (embora não compactue com alguns de seus dogmas), mas não dá para apoiá-lo neste momento. O caso comentou quando uma jovem, Patrícia Lelis, entrou em contato com o jornalista Leandro Mazzini, a respeito de uma tentativa de estupro que ela havia sofrido do deputado Marco Feliciano. Em seguida, a jovem gravou um vídeo negando que tivesse denunciado o deputado. Mas foi aí que no dia de ontem, quinta-feira (4), o jornalista Mazzini fez um apanhado revelador:

Diante da polêmica envolvendo a denúncia contra o deputado federal e pastor Marco Feliciano, a Coluna registra um breve cronograma, para melhor entendimento do leitor, diante de viralização de vídeos gravados pela jovem que o acusou – e que misteriosamente, após ir para São Paulo e se aliar a assessores do parlamentar, passou a desmentir.

Vale ressaltar que a Coluna tem todas as evidências de provas entregues por meio eletrônico e pessoalmente, diante de duas testemunhas.

24/7 – A Coluna menciona o episódio sem citar deputado

24/7 – Mulher procura editor pedindo socorro, pelo whatsapp

24/7 a 1/8 – Reuniões com a vítima, apurações, contatos, evidências de provas entregues

30/8 – Mulher vai para SP levada por homem ligado a partido de Feliciano, que a proibiu de fazer B.O. em Brasília

2/8 – Coluna denuncia o caso, com evidências de provas entregues por mulher

2/8 – De SP, mulher muda versão e ataca jornalista

2/8 – Editor se encontra com mãe da vítima, num café num shopping de Brasília. Ela revela que foi buscar a filha machucada na faculdade, com boca e perna direita manchadas por pancadas, à ocasião da descoberta da agressão relatada.

2/8 – De SP, tutelada por Feliciano e chefe de gabinete ( o qual ela gravou em conversa ), a jovem grava vídeos contra jornalista e falando que a denúncia ‘é coisa da esquerda’ para prejudicar o deputado.

3/8 – Coluna divulga áudio da própria mulher denunciando Feliciano ao seu chefe de gabinete (entregue por ela). Por questões de preservar pessoas alheias ao caso, citadas no áudio, divulgamos parte do áudio.

3/8 – Com áudio, a garota é desmascarada, sob suspeita de ter se aliado a Feliciano. Ela continua em SP.

Hoje a mesma coluna publicou que o assessor de Feliciano havia sido preso, após coagir Patrícia:

A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta sexta-feira à tarde em flagrante o chefe de gabinete do deputado federal Pr. Marco Feliciano.

Talma Bauer, gravado pela jovem de Brasília que acusa Feliciano de agressão e assédio sexual em Brasília, foi detido no Centro da capital paulista e é acusado por ela de cárcere privado num hotel e de a ter forçado gravar os vídeos a favor do parlamentar, desmentindo a denúncia revelada pela Coluna Esplanada.

O caso está com o delegado da 3ª DP (Campos Elísios), Luiz Alberto Hellmeister. Ele declarou à Coluna há pouco que vai fazer a oitiva de Patrícia Lélis, a jovem que acusa o deputado federal, e enviar o caso para a Procuradoria Geral da República em Brasília na segunda-feira. Quanto a Bauer será indiciado por coação e sequestro qualificado.

“Temos que ter todo o cuidado neste momento, cuidado para os dois lados para não se fazer injustiça, e cautela”, resumiu o delegado.

Ainda segundo o delegado, Bauer teria dito a Patrícia que “um mal maior” poderia acontecer a ela se não gravasse os vídeos para desmentir a denúncia feita pela Coluna Esplanada, a qual vem relatando desde terça os bastidores do caso.

Bauer foi preso enquanto caminhava por uma calçada após ter saído do hotel San Raphael, na Consolação, onde mantinha Patrícia em cárcere desde segunda-feira, segundo relata a jovem. Não há informações de como ela escapou do hotel, mas foi com a mãe até a 4ª DP (Consolação) no início da tarde e prestou oitiva ao delegado Roberto Pacheco – conforme revelou a Coluna mais cedo.

Foi dali que surgiu o mandado de prisão contra Bauer, que é um investigador aposentado da Polícia Civil de SP. Patrícia e a mãe, que viajara às pressas de Brasília para SP, foram à Corregedoria da Polícia. E de lá para a 3ª DP – foram os agentes desta delegacia que fizeram o cerco ao assessor parlamentar.

Segundo o delegado, Patrícia ainda nesta noite vai fazer o Boletim de Ocorrência na DP contra o deputado pastor Feliciano. A priori, ela relatou ao delegado assédio sexual e agressão.

A Coluna denunciou o caso na última terça-feira e desde então fez uma série de reportagens sobre o vaivém dos episódios envolvendo a jovem militante do PSC, o deputado e o chefe de gabinete, que foi gravado por ela numa conversa, cujo áudio foi revelado aqui.

De acordo com Fausto Macedo, para o Estadão, Patrícia sofreu ameaça de morte:

Acompanhada da mãe e de uma advogada, ela também acusou dois outros políticos importantes do PSC. Patrícia relatou que em 16 de junho, um dia depois de ter sido agredida por Feliciano, procurou ajuda no partido, mas em resposta ouviu uma proposta para receber dinheiro em troca de seu silêncio.

A proposta teria sido feita pelo presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, segundo ela, em uma reunião na qual estava também presente o deputado Gilberto Nascimento. “Pastor Everaldo me deu uma sacola de mercado cheia de dinheiro e disse que era para eu ficar quieta”, disse. Segundo ela, Everaldo também a ameaçou de morte.

Patrícia contou que após relatar o caso no PSC passou a ser perseguida dentro do partido.

Observe que aqui a coisa começou a complicar até para o Pastor Everaldo, que tem endossado a carreira de Feliciano.

Qual meu julgamento? Vou aguardar a conclusão dos achados e a apresentação mais aprofundada das evidências – algumas das quais já apareceram, como um áudio da conversa entre Patrícia e o assessor de Felilciano – para dar um parecer final.

Mas independentemente do que venha a ocorrer, uma coisa é fato: a carreira política de Feliciano já acabou. Não poderia ser diferente, especialmente por seu silêncio tão sepulcral, que já aparece para o público como declaração implícita de culpa. O dano, neste momento, já é irreversível.

Algo me diz que as próximas revelações serão de arrepiar. Mas também serão uma libertação, pois a verdade, como se diz, é amiga da liberdade.

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8 COMMENTS

  1. fiquei impressionado.
    eu realmente pensei que Feliciano não seria capaz de cometer um erro tão grave, que era um absurdo.
    mas seu comportamento é de um legítimo culpado.
    com seu assessor preso, provavelmente muito da história seja verdade.
    adeus, Felixo.
    se isso se confirmar, a vida que tens agora acabou e outra terá de começar.
    uma vida pobre e sem poder algum, nem religioso e nem político.

  2. Eu sinceramente, não sei. Tivemos muitos fanfics relacionados e violência sexual que prejudicaram vítimas reais. O silêncio de Feliciano, como você relatou, é uma confissão de culpa. Agora, preparem-se: A imprensa vai fazer uma escarcéu feminista em cima disso. Vão aprovar leis até para condenar estupro por telepatia ou mediúnico. Era tudo que as ongs queriam. Particularmente, não gosto do Feliciano, mas ele é útil no jogo. Num mundo ideal, esse legislativo deixaria de existir, mas enquanto isso, precisamos de oposição.

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