Reviravolta no caso Feliciano veio tarde demais para ele. Ou: o silêncio dos "culpados".

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Vamos combinar o jogo? Este blog se chama Ceticismo Político por um motivo. E igualmente tem foco na análise da guerra política por motivo similar: avaliar a política de uma forma adulta. É por isso que está escrito, logo após o logotipo: “Análise política para adultos”. Por isso, eu faço a análise política pela ótica da guerra política, buscando olhar os fatos com crueza, e não dizendo aquilo que as pessoas querem ouvir. (Há sites demais para isso, e enquanto eles podem “caçar likes”, não contribuem tanto quanto podem para o amadurecimento político. E eu não estou me referindo a nenhum site em especial, dado que não quero entrar nesse tipo de detalhes. Mas uma coisa é clara: o foco aqui é no amadurecimento político.)

Foi por isso que durante as eleições de 2014 eu via muitas pessoas eufóricas dizendo “Aécio vai ganhar com 70% dos votos, as pesquisas estão erradas”, enquanto eu dizia direto que a coisa estava complicando para ele, pois – conforme mostra o padrão da desconstrução – ele estava tendo sua taxa de rejeição aumentada na escala de 3% a 4% por semana, por ter escolhido a opção de passividade, enquanto o PT ocupava a planície do ataque contínuo, corrosivo e abrasivo. Em suma, olhar para isso de forma realista é olhar a política como ela é, assim como olhar os eventos políticos como eles acontecem, e não através de fantasias reconfortantes.

Foi assim que eu escrevi três post sobre o caso Marco Feliciano:

Especialmente em relação ao primeiro post, recebi algumas mensagens de fúria. Alguns exemplos abaixo:

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O que notamos nos prints acima é que muitos não entenderam absolutamente nada do que foi escrito aqui. Alguns (talvez não todos) parecem acreditar que dizer “Feliciano está com os fatos” ou “a acusadora está com os fatos” é suficiente, mas isto é um lapso cognitivo. Na verdade, o que importa não é que a mulher de César seja honesta, mas que ela aparente ser honesta. Isso está abordado no ebook (gratuito) “Eu, Apolítico: Pensamentos e Palpites de um Blogueiro Politicamente Incorreto”, de Octávio Henrique, que eu prefaciei.

Segundo algumas pessoas que se indignaram, eu estaria “mal informado sobre o caso”. De jeito algum: eu apenas apontei os fatos, que incluem:

  • há uma acusação, vinda de um lado
  • existe a falta de reposta, do outro
  • existe o dano político para quem não respondeu
  • a extrema-esquerda está morrendo de rir ao capitalizar

A única resposta assertiva veio não da assessoria do Marco Feliciano, mas do Portal Notícias Gospel, que publicou vários prints da acusadora, o que complica mais a questão, agora para o lado dela. Mas este blog em momento algum disse “a acusadora é culpada” ou “Feliciano é culpado”. Aliás, como a acusadora não é uma figura pública, decidi preservá-la. O que me importou aqui foi – de acordo com as hipóteses levantadas – avaliar o comportamento político de Feliciano. (Nota às 14:51 de 06/08 com uma informação importante: há alegações de que os supostos prints das recentes conversas da acusadora são falsos. O argumento é que o nome da acusadora está grafado errado.)

Se alguém disser “ah, mas no fundo a acusadora mentiu”, isso é argumento a meu favor, pois minha crítica central à assessoria de Feliciano foi: eles estão sendo lentos para responder. Ora, se o outro lado mentiu, é motivo adicional para a resposta rápida, junto com um contra-ataque. Não é motivo para resposta lenta.

Enfim, eis a reviravolta: como já mencionei, o portal Notícias Gospel publicou prints da acusadora que talvez mostrem que Feliciano volta a ter chances no caso, mas apenas no aspecto jurídico. Ocorre que a carreira política do deputado já está comprometida pela resposta lenta. Há quase uma semana a reputação de Feliciano está sendo moída pela mídia de esquerda e a resposta só veio neste sábado (6) e a partir de um blog de notícias, não da assessoria dele. Se isso não é um exemplo de comportamento “tartaruga” na política, nada mais é.

Eu até sugiro o conceito de SLA (acordo de nível de serviço) para assessores políticos em questões de crise, como já ocorre nas organizações de TI e até em diversas outras áreas de PR (relações públicas):

  • Classe A (urgente): 2 horas, já incluindo viralização do conteúdo em redes sociais e mídia
  • Classe B (crítico): 4 horas
  • Classe C (sério): 8 horas
  • Classe D (sustentação): 16 horas (ou negociável)

É simples assim!

O responsável pela área de PR não respondeu a crise em duas horas? Olho da rua para o assessor. Se bem que hoje em dia eles não estão preparados para reagir tão rapidamente – apenas na extrema-esquerda, claro, para nenhuma surpresa nossa -, e pode ser necessário um período de adaptação. Mas é assim que as coisas devem ser: contra-ataque com rapidez.

Infelizmente, os fatos já são o de menos neste momento. Se a acusadora está dizendo a verdade, Feliciano será sepultado politicamente e juridicamente. Se a acusadora mentiu, Feliciano poderá ter sucesso jurídico, mas não se pode dizer o mesmo em relação ao resultado político. Sua demora na resposta é imperdoável e a assessoria dele merece um puxão de orelha. No mínimo. O dano – em razão de tanta lentidão – é irreversível.

Lembre-se que, como Horowitz previu, as acusações são feitas em público, mas descartadas em privado. E quanto maior a lentidão, maior o dano. Este blog se abstem de comentar a respeito de quem está com a razão neste caso (pois agora é que começa o processo judicial), mas foquei unicamente na questão política. Se Feliciano tivesse assessores ativando o protocolo Classe A, teria respondido tudo no máximo em duas horas após a primeira notícia do Coluna Esplanada. Com ataque frontal, constrangeria os meios, que já poderiam ser rebatidos facilmente. Com tanta lentidão, isso permitiu que todos os meios avançassem. Neste momento, o dano já ultrapassou qualquer cota de controle. Lembre-se de esta análise só vale em caso de inocência do deputado.

Feliciano pode até resolver a questão jurídica, se for inocente, e se reeleger como deputado. Mas já deve abandonar a liderança de qualquer ação política, pois sua imagem está manchada. Ele deverá lembrar disso no futuro e saber onde se encontra a responsabilidade: na lentidão da resposta de seus assessores. Para todos nós, fica mais uma lição mostrando que ficar sob ataque (sem resposta ágil) é uma receita para a derrota.

Já aconteceu com Marina e Aécio nas eleições de 2014. Aconteceu com Cunha, nas mãos do PT. E agora acontece com Feliciano. Não importa se alguém é inocente ou culpado. O que importa é seu comportamento: a opção pelo silêncio só servirá para que seu oponente consiga colocá-lo como “culpado”. Mesmo que você seja inocente. É uma escolha.

Para quem quiser avaliar as coisas da forma adulta, pela ótica da guerra política, ficará uma belíssima lição a ser aprendida.

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Para adquirir o livro “Liberdade ou Morte”, você pode consultar o site da Livraria Cultura ou da Saraiva.

 

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23 COMMENTS

    • Poucos tem a agilidade mental para entender o que Luciano Ayan escreve… confesso que discordo em alguns pontos de alguns textos do Ayan, mas ele é sempre assertivo quando se trata de Dinâmica Social…

      Para a extrema Esquerda, nao importa a verdade, mas apenas a acusação, se deu manchete, milhares cairam na armadilha, cairam na rede, e como temos um bando de peixinhos inocentes no Brasil, bom, se esta na rede é para ser ALMOÇADO…

      Att

  1. Sabe o Luciano eu não tenho o seu nível de conhecimento ou a percepção aguçada com relação a guerra política, e sinceramente nem sei se vou conseguir aprender e entender o básico, mas uma coisa eu tenho certeza é que alguém melhor do que eu deve esta aprendendo contigo e você faz um bom trabalho. Agradeço por traduzir a arte da guerra política do David Horowitz pelo menos o básico eu sei que tem nesse livro.

  2. Luciano, a verdade é muito forte, o que derrubou o Cunha não foram os ataques do PT mas suas contas bancárias, que tiraram sua força Moral. O J. Moro, foi atacado duramente e continua sendo pelos, Mofados Medievais, mas sua força Moral é tão grande que sua popularidade só aumenta ao contrário de Cunha e Bolsonaro. Uma resposta rápida poderia soar desesperada e se misturar com a denuncia, ele soube usar o velho, quem não deve não Teme. A Verdade é que o papo dessa menina é muito fraco: fui agarrada, levei um chute! levando em consideração o passado do Feliciano, aonde inexiste denúncias de assédio e agressão, esse papo só vai ser usado pelos maus intencionados, os mesmos que falam, Aécio bate em mulher!
    Feliciano, esta jogando muito bem para o seu público: Eu perdoo essa Moça!
    Aqueles que o odeiam vão ficar com a palavra da moça independente dos fatos, já os que o apoiam, caso ele seja inocente, não vão se deixar influenciar, no mais vc joga para o seu grupo e os poucos indecisos que existem, vc só não deve deixar que a opinião e mentiras dos inimigos influencie o seu grupo. Feliciano, ainda tem muito que aprender, mas escolher o cenário que sua carreira política acabou, é muito prematuro.

  3. Detalhe técnico à respeito da forma como o nome da garota aparece grafado nestes prints e sem querer tomar partido de qualquer lado: o software exibe o nome da pessoa como ele foi escrito na agenda pelo dono do celular, portanto esse detalhe é irrelevante para declarar que os prints são falsos.

  4. Sem querer tomar partido de A ou B, a forma como o nome da garota está escrito é irrelevante para declarar se os prints são falsos ou não porque o software exibe o nome de contato cadastrado pelo proprietário do celular que recebeu as mensagens. Se ele grafou errado na hora de cadastrá-la na agenda é assim que vai aparecer para ele e não pode ser usado como “prova” de falsificação.

  5. Talvez ele tenha deixado o escândalo crescer e se espalhar para aparecer na mídia.
    Ele e o Bolsonaro parecem fazer isso. Eles precisam de mídia para levar suas ideias longe, principalmente para quem não tem acesso a internet. Eu não tenho meios de afirmar se isso prejudica mais que ajuda.

    Um escândalo desse tipo é complicado, se ele for inocente, então deverá tratar todo o opositor que vier com esse caso contra ele, como um caluniador, difamador, injuriador, marginal, uma escória da sociedade que tenta prejudicar inocentes com mentiras descaradas.

    Nessa luta, ele deve pedir ajuda a seus militantes e apoiadores.

    • Rob,

      Mas sabemos que o Feliciano não tem estrutura mental para este tipo de ataque. Alias, eu ouço essa história de “vou deixar munição para o final” desde 2014. Se eles estão argumentando que tem essa tática em mãos, é barca furada.

      Abs,

      LH

  6. Se usar o caso para mostrar a falta de ética da esquerda da para reverter tudo e mais um poco.
    Exigir direito de resposta etc.
    A questão é que uma pessoa honesta não tem como competir de igual para igual contra um psicopata, por mais treinado que seja.

    • Na verdade, todos tem condições de competir de igual para igual contra um psicopata, basta conhecer as artimanhas dele. Nenhum ser humano gosta de se ver vítima de artimanhas que já conhece.

      • Só se tornando um psicopata para a coisa ser de igual para igual.
        Isso tudo é a repetição do caso escola base.
        Se não se lembra é o caso do casal “japonês” dono de uma escola que foram acusados de pedofilia.
        A imprensa BR ate hoje sente muita culpa pela injustiça que cometeram..

  7. Luciano, sua analise esta perfeita sobre a situação, no que tange a politica crua e voraz, alias você tem sido minha vós em muitas colocações, não preciso nem comentar. Porem quero fazer duas observações;
    1) O Feliciano, sendo vitima, não estará acabado politicamente, pois o numero de votos e a notoriedade é oque determina isto.
    2) Os votos do Feliciano vem na grande maioria do povo evangélico (sou evangélico de São Paulo capital, mas não voto no Feliciano) e aqui começa a grande diferença dos demais políticos, porque o povo jesuíta tem muito mais benevolência e apreço para virtudes isoladas, do que os demais cidadãos, logo, se o Feliciano provar que é inocente neste caso, creio eu, que seus eleitores aumentarão, e muito.
    Quero ratificar, mesmo sendo evangélico, que não devemos esperar para rebater e refutar ataques de qualquer especie, pois O ADVERSÁRIO usa muito bem a mentira e a mídia marrom.

    • Não são só os votos. Ele, por ser um candidato de nicho, pode até se reeleger. Mas POLITICAMENTE ele estará liquidado. Perderá força, perderá relevância. Os seus ouvintes o ligarão ao frame de “estuprador” assim que ele começar a discursar. A CPI da UNE perde força, já que tem em Feliciano sua base forte… Enfim, há uma miríade de consequências. Sinceramente, eleger-se é a menor delas.

  8. E a culpa não é apenas do difamador, mas também dos ouvintes. Assim como as pessoas precisam de heróis, também precisam de vilões. É a cultura do vitimismo, de culpar os outros pelos seus problemas pessoais. E o maior dos vilões costuma ser aquele que fala o que as pessoas não querem ouvir. Mesmo que seja a mais pura verdade.

    • Lindo, Ben. Agora, o que você, como ator político, pode fazer sobre ou com essa “cultura do vitimismo”? Afinal, estamos percebendo que apenas reclamar não adianta, certo? Vai mesmo dar de bandeja uma cultura dessas para a esquerda se aproveitar?

      • Eu não pensei em política partidária quando escrevi esse comentário, que no caso é o assunto central do artigo. Viajei na maionese, pensei em outros casos, outras pessoas. Só quis lembrar que o público não é formado por santinhos.

  9. olha eu sou catolico,não praticante,de centro direita e confesso que apartir dessas denuncias que parecem muito serem falsas virei fã do marco feliciano.Não o pastor,mas o politico que incomoda a esquerda amalucada representada por essa moça.

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