Desconfiem de quem diz estar "deixando munição para o fim" durante a guerra política

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Em relação ao escândalo envolvendo Marco Feliciano, surgiram novas informações, como a possibilidade de que nos próximos dias (talvez até hoje) serão reveladas novas evidências a favor da acusadora e que demoliriam de vez o deputado. Enquanto isso, este mantém a suspensão de crença – um dos métodos do ceticismo – para aguardar definições sobre “culpado” ou “inocente”. Todas as avaliações aqui feitas se baseiam nos paradigmas da guerra política, e não na análise jurídica. Vamos aguardar os próximos passos da guerra jurídica.

Seja lá como for, alguns adeptos de Feliciano tem defendido a tese de que “o deputado está guardando munição”. Bem, sinto muito, mas é difícil acreditar nisso. Lembro que na época da campanha de Aécio muitos diziam – para justificar o fato de seu candidato apanhar sem parar de Dilma, e não se defender – que “Aécio está guardando a munição para o final”. A eleição chegou ao final, ele seguiu apanhando e deu tchau para o cargo de presidente. O mesmo aconteceu com Eduardo Cunha, que apanhou calado por meses. E a tal “munição que viria ao final”? Não apareceu, ele foi cassado, será punido e ainda verá sua esposa e filha presas, sendo vítimas de violência sexual na prisão. Ele ficou calado na guerra política e teve sua paga. Jair Bolsonaro é outro exemplo: meses e meses sendo destruído por Maria do Rosário e seus amigos, que havia praticado crimes de calúnia, difamação e injúria (ao chamá-lo de “estuprador”). Ficou calado e hoje é réu no STF por uma apologia ao estupro que ele não cometeu (e note que eu não estou dizendo que Feliciano não tenha cometido qualquer crime, mas no caso de Bolsonaro, este não cometeu nenhuma apologia ao estupro). Munição ao final?

Enfim, reconheçam: o discurso de que seu candidato está “guardando munição para o final” é apenas uma artimanha psicológica de conformação diante de uma vergonhosa incapacidade para a guerra política. É melhor pressionar seu candidato a usar a munição disponível do que ficar arrumando desculpas reconfortantes para justificar o “não jogo”. Se uma direita quer ser realmente madura deve parar de buscar confortos psicológicos e anestésicos mentais. Buscar ver a realidade como ela é deve ser o primeiro passo.

Das duas umas: (1) ou Feliciano é culpado das acusações, e não tem munição alguma para usar mesmo, (2) ou está sendo até imoral ao não atacar com toda a munição disponível.

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