Direita brasileira corre risco de sumir se não prestar atenção em detalhes básicos

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Um texto de Marlos Ápyus para o Implicante tem tudo a ver com a tecla na qual esse blog vem batendo há tempos. O título é Ou a direita dá mais atenção à comunicação, ou não tardarará a sumir novamente, e esta é a parte mais importante, após o autor lembrar que na política interessa “controlar o que é dito, que tipo de informação ganha o mundo, quem pode falar o quê. Mais:

Para um político, comunicação não é tudo, mas é quase tudo. A esquerda percebeu isso após as grandes guerras. E foi esperta o suficiente para cercar todo tipo de formador de opinião. Primeiro avançou sobre o movimento estudantil. Mas, uma vez qualificados, aqueles estudantes se convertiam em trabalhadores ou professores. E assim a esquerda dominou o sindicalismo e a ciência. Se as pessoas querem ouvir o que um artista tem a dizer, a esquerda se aproxima do artista. Se os intelectuais querem ler jornal, a esquerda invade as redações. Se o povão só quer saber de novela, a esquerda transforma roteiros em panfletos de seu interesse. Nem mesmo a religião escapa, ou você não notou que o atual papa é o mais esquerdista que se tem notícia?

A direita não parece perceber isso. Trata a comunicação com descaso, como algo que só merece atenção em período eleitoral. Sigo em minhas redes sociais mais de 400 parlamentares. Os esquerdistas passam o dia reverberando o próprio discurso ou o de seus iguais. Os conservadores somem, surgem ocasionalmente, por vezes apenas para o apagar de incêndios.

Mais do que mandar em você, a esquerda quer que você queira o mesmo que ela. E oferece uma “narrativa” encantadora independente de resultados que nunca entrega.

O discurso conservador poderia ser até mais encantador, porque de fato dá resultado, mas a direita abre mão dele, deixa a esquerda tomar conta, fazer seu barulho, humilhá-la.

As três maiores derrotas da direita brasileira em 2016 poderiam ter sido contornadas com o melhor cuidado com a comunicação de seus protagonistas. Eduardo Cunha poderia ter dialogado melhor, senão com a imprensa, talvez com o povo que, nas ruas, pedia o impeachment de Dilma Rousseff. Jair Bolsonaro poderia ter usado de maneira muito mais sábia o voto proferido durante o processo, além de ter evitado cometer a falta que Maria do Rosário cavava. Quanto a Marco Feliciano, independente de ser culpado ou não, poderia ter trazido ao eleitor dele respostas mais firmes e hábeis, sem tentar resolver o caso “Patrícia Lélis” abafando-o em meio ao noticiário olímpico.

Chacrinha, que não era um comunicólogo, mas um grande comunicador, pregava que se “trumbicaria” qualquer um que não se comunicasse.

Enquanto a direita continuar ignorando que precisa se comunicar melhor, continuará se trumbicando.

É bem isto. No momento assistiremos o desgaste absurdo de Marco Feliciano para, talvez, aprendermos alguma coisa. Vai ser preciso chegar o dia em que exigiremos, em bloco, de nossos candidatos: “Posicione-se melhor. Comunique-se com mais agilidade. Rotule mais. Fique na ofensiva”.

Às vezes perdemos tempo demais com gente que parece que está brincando com seu cargo. De nada adianta eleger candidatos de direita que não se esforcem para vencer a batalha da comunicação. Creio que devem isso aos eleitores que devotaram seus votos a eles.

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