Contradição: como a direita negacionista consegue defender o direito de usar armas?

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Você provavelmente já ouviu este discursinho patético em algum lugar: “Olha, eu não vou jogar a guerra política, pois aí estaria me igualando ao adversário”. Quase sempre a narrativa surge de alguém que – provavelmente inconscientemente – atende à melhor das expectativas esquerdistas. Estes adoram vê-lo seguir negando a política. Explica-se: para aqueles que conseguiram o poder com o esquerdismo, quanto mais pessoas da direita se recusarem a jogar o jogo, melhor.

Seja lá como for, não é raro vermos alguém de direta querendo dar uma de “bonzão” e ainda sair cagando regra para cima de outros direitistas: “eu sou superior, pois não jogo os jogos políticos, pois, se jogasse, seria igual ao adversário”. A lógica burra sempre é amparada por esta narrativa: “usar as mesmas armas do inimigo te tornam igual ao inimigo”.

Eis que o leitor Anderson fez uma ilustração fantástica para explicar a incoerência deste programa retórico:

A mesma direita que é rápida ao dizer que as armas de fogo não são imorais e por isso não devem ser responsabilizadas por crimes, e sim o assassino, condena a guerra politica, uma ferramenta que pode ser usada tanto pro bem quanto para o mal.

Toda vez que vejo essa desculpa sempre me vem a cabeça a analogia de uma tribo, que ao se ver ameaçada por colonos europeus, prefere ser massacrada ao utilizar as “armas do inimigo”. A ironia maior é que, ao decorrer da história, nota-se que poucas tribos optaram por não usar armas…

É bem isso mesmo. Não há coerência alguma no discurso sustentando que “usar as armas do inimigo é se igualar a ele”. Vemos a incoerência clara no fato de muitos negacionistas – que não titubeiam ao dizer que “jogar o jogo político é se igualar à esquerda” – imediatamente sugerirem o direito de portar armas, que significa exatamente usar as armas do inimigo, isto é, o bandido que lhe ameaça.

Obrigado, Anderson, pelo ótimo exemplo, que ajuda a acabar com uma das instâncias de burrice mais destrutivas que a direita negacionista já criou.

Em tempo: este blogueiro defende o direito do cidadão portar armas, da mesma forma que defende não apenas o direito, mas a obrigação moral, de jogarmos o jogo político na mesma intensidade com que jogam nossos oponentes.

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1 COMMENT

  1. Uma outra analogia que se pode tirar disso é a respeito das pessoas que falam mal da violência. Ora, violência nem sempre é ruim, por vezes ela é necessária, por exemplo, para cessar um homicídio contra algum cidadão de bem; o assassino usaria uma arma de fogo para matar um indivíduo, alguém usa uma arma de fogo para que isso não aconteça. É a violência sendo usada para o bem (também vista como legítima defesa de terceiro, nesse caso).

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