Na questão da doutrinação escolar, negacionistas de direita são perigosíssimos. Saiba porque…

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Ontem fiz um post intitulado Fascismo total: no ES, escolas públicas proibem foto e vídeo em sala de aula. Em seguida, não foi com espanto (mas com repugnância) que percebi vários direitistas negacionistas comentando no site em favor da proibição fascista. Você pode até questionar: que raios faz alguém de direita agir como um cãozinho da extrema-esquerda que ele diz repudiar? A negação da política explica.

Imagine que você vive em um cenário após um apocalipse zumbi, como aquele da série Walking Dead. Imagine agora que você está em um território ermo e vários zumbis surgem em sua direção. Você e seus amigos descobrem que estão sem balas e decidem fugir. É a única chance de sobrevivência. Mais eis que uma pessoa do grupo resolve insistir para todos ficarem parados, pois, em um mundo ideal (existente apenas em sua mente) é possível “dialogar com os zumbis”. A partir de agora a decisão é tua: ou você ouve o negacionista da realidade e aguarda ser trucidado ou resolve fugir para tentar salvar sua vida.

Este é o drama da negação da realidade. A vontade (geralmente arrogante) de se recusar a ver os problemas como eles são cria pessoas com altíssimo poder de destruição do grupo.

Ora, foi exatamente isso o que vimos em alguns direitistas que, em uma época onde vivemos sob a monstruosidade que atende pela doutrinação escolar, resolveram – acredite se quiser – apoiar a extrema-esquerda em sua decisão de proibir filmagens em sala de aula. Detalhe que vale ser repetido: a demanda veio da extrema-esquerda. Daí ouvimos algumas figurinhas de direita abanando o rabinho para a extrema-esquerda, dizendo: “Está certo. Tem que proibir mesmo. Escolar não é lugar de filmar. É de assistir aula”.

Quer dizer, assim como o infeliz do exemplo do mundo sob o apocalipse zumbi fantasiou em sua mente que é possível conversar com os mortos-vivos, essa gente projetou um mundo imaginário no qual os professores da extrema-esquerda não são doutrinadores, mas pessoas bem intencionadas que querem apenas dar aulas e são “atrapalhadas” pela filmagem de alunos. É de cair o cu da bunda.

Alguns desses bobalhões – que parecem até orgulhosos enquanto bradam “é, tem que proibir filmagem mesmo” – são da direita conservadora. Talvez por colapso mental, estão felizes com uma proibição feita para atender doutrinadores da extrema-esquerda.

Mas também tive a oportunidade de ver um auto-denominado libertário, que dizia: “está certo proibir filmagens, pois o ideal é que não existissem escolas públicas”. Obviamente, um sujeito assim não diz coisa com coisa. Uma pessoa assim deve pensar “o único mundo certo é o mundo sem estado”. A racionalização vem rápida: “se ainda existe o estado, então as pessoas devem sofrer até criarmos o mundo sem estado; logo está certíssimo proibir filmagens em salas de aula”. Certamente é alguém incapaz de compreender contextos e até visualizar a distância que existe entre o mundo real e o mundo imaginado por ele. Criar um mundo imaginário para se sentir bem e daí julgar o mundo real pelas regras do mundo imaginário não difere da loucura.

Em resumo, vimos algumas pessoas adultas de direita agindo feito crianças de colo e comprando a narrativa da extrema-esquerda – que quer proibir as filmagens com o único fito de proteger os doutrinadores – e se orgulhando de emitir frames arrogantes, apenas para promover mundos imaginários (sem nenhuma relação com o mundo atual) na busca por se sentir bem. É por isso que a direita brasileira atual não pode dar certo mesmo. Precisamos de uma nova direita para superar essa direita negacionista, que só vive de auto sabotagem. Quem se orgulha de emitir frases de efeito unicamente para se sentir bem enquanto busca a autodestruição não merece o poder político de forma alguma.

A reação de alguns direitistas, lutando do lado da extrema-esquerda na proibição da filmagem em salas de aula, é sinal de que a negação da política é um dos aspectos mais devastadores da política atual. O que você diria de pessoas dispostas a te jogar nos braços de zumbis assassinos em nome da criação de fantasias arrogantes? Alguns negacionistas da direita seriam capazes de fazer a mesma coisa.

Ficar do lado da extrema-esquerda na decisão de proibir filmagens em sala de aula é uma das coisas que deveriam ficar marcadas com uma “placa da vergonha”. O duro é que eles estão ávidos para, em nome de suas fantasias de negação, destruírem projetos e iniciativas que poderiam nos libertar. É difícil ver algo mais vergonhoso do que isso que estão fazendo.

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9 COMMENTS

  1. Entendo a sua posição, já fui professor na rede pública de ensino e na rede SENAI, no momento exerço outra atividade. Poi bem, sou a favor do escola sem partido por ter convivido no meio e saber que a maioria dos professores do rede pública, na área de humanas, faz proselitismo de esquerda, no entanto, quanto a questão da filmagem eu não sei se é o caminho, pois talvez da impressão de estarmos caminho para uma “sociedade de controle”, no estilo do grande irmão Orweliano, e isso me soa um tanto ditatorial.

  2. Ayan, o quê você achou da treta entre os deputados Marcel Van Hatem e o Juliano Roso, este do PCdoB/RS, no debate sobre o Escola Sem Partido promovido pela Zero Hora?

    • Reitero a pergunta do “camarada” Pedro Luiz e adiciono.
      Agiu corretamente ao sair do debate por não compactuar com o nível rasteiro do oponente ou errou por deixar falando sozinho o adversário.

      • Na minha humilde opinião ele poderia ter feito melhor. Ao sofrer uma ataque tão baixo como aquele ele tinha chance de capitalizar mostrando que o debatedor não tinha mais argumentos; que em um debate sério como aquele fazer ataques pessoais é incabível; poderia até pressionar o apresentador por mais tempo pois o comuna fugiu do debate por assim dizer; era uma excelente oportunidade de enfiar uma metaframe no rabo do comuna. “Ao contrário de mim que me envolvi em um acidente fatal e me arrependo profundamente; você defende assassinos de forma deliberada, fascista e canalha e se diverte com a desgraça que cai sobre cada povo escravizado”

        Não há regras nessa porra. A direita precisa deixar de lado essa ideia de debate acadêmico. O golpe é baixo?! É. Você já teve que se defender sozinho na rua de um bandido?! Nesse momento você abdicaria de dedo no olho e chute na saco? Duvido.

        E então Ayan? A avaliação está certa ou eu tenho que melhorar?! rsrsrsrs

  3. Nem dá para acreditar que haja direitista endossando o autoritarismo da proibição. Poderia dar “nomes aos bois”, Luciano? É muito despropósito!!

    Na maioria dos casos, é por mera covardia. O sujeito finge não perceber o ataque para não se sentir obrigado a se defender.

  4. Proibir gravação ou filmação em sala de aula é tudo o que esses comunistas gostariam. Não precisa ser muito inteligente para perceber. Vejam só, o grampo das conversas entre Lula e Dilma tentando salvar o Lula com foro privilegiado, divulgado pelo juiz Moro, foi anulado pelo STF, mesmo após mais de 50 milhões de pessoas terem ouvido. Um escândalo. Assim, os comunistas garantem impunidade total.

    • No mundo jurídico, a luta é Feliciano X Lelis. Ele saiu ganhando nessa. No mundo político, a luta é Feliciano X extrema-esquerda (que só usa Lelis como “bola” no jogo). Nesse, ele sai perdendo. Minha avaliação foi UNICAMENTE política. Eu avisei desde o começo que não estava avaliando a guerra unicamente jurídica.

  5. A gente percebe muito isso em liberais, que acham que as coisas podem se resolver do dia para a noite… ora, parece que esquecem todos os ensinamentos de Edmund Burke sobre o tempo e a sociedade, ora, a cidade nao foi fundada do dia para a noite;

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