Por que eu deveria votar em candidatos de direita que não querem fundo partidário?

12
137

Uma amiga ligada ao Partido Novo me comentou sobre a questão do fundo partidário: o partido não o aceita. Isso me fez retrucar com uma pergunta que a incomodou: “por que eu deveria votar em um candidato de direita que não quer fundo partidário?”.

Minha questão pode parecer incômoda, mas é mais óbvia do que parece. Uma vez que eu escolha um candidato, estou depositando expectativas em alguém que decididamente quis lutar pelo poder. Conquistando o poder, essa pessoa poderá lutar por uma agenda com a qual eu concordei mais, na comparação com a agenda de oponentes. Mas por que eu deveria depositar meu voto em alguém que não quer disputar de fato o poder?

Vamos a uma discussão pragmática sobre “mundos”:

  1. O mundo ideal para nós, onde não existe fundo partidário para ninguém
  2. O mundo presente, onde existe o fundo partidário para todos
  3. O mundo ideal de nossos oponentes, onde existe o fundo partidário para eles

A coisa é bem prática. Quem realmente luta pelo mundo (1) deve evitar que o mundo (3) aconteça. Assim, dentro do mundo (2), ele deve ir aos poucos lutando para criar o mundo (1).

Logo, a primeira prioridade de quem é contra a existência do fundo partidário não é deixar de recebê-lo, mas recebê-lo de modo isonômico em comparação aos seus oponentes, para, com estes recursos, lutar para extingui-lo para todos, não apenas para você. Mas isso vem com o tempo.

Apliquemos esta regra no cotidiano dos concursos públicos. Imagine que alguém decida, por princípio, deixar de concorrer ao serviço público. Se a intenção for lutar por um mundo sem funcionalismo público, tal ação é quimérica, uma vez que outros irão se candidatar ao serviço público no lugar dele. Logo, esta ação, tomada por princípio, não faz nada em direção a uma suposta proposta de eliminação do funcionalismo público.

Por outro lado, se alguém unicamente toma uma decisão política por princípio, então talvez essa pessoa não esteja dedicada a um projeto de poder, mas à manias particulares. Se assim o é, por que eu deveria dedicar meu voto à essa pessoa?

Claro que devemos abrir exceção às pessoas que possuem um séquito muito grande de admiradores que adorariam vê-la abandonar o fundo partidário e, em troca disso, votariam nelas em quantidade suficiente para elegê-las. Mas geralmente este não é o caso. Algumas pessoas abandonam o fundo partidário por uma simples questão de purismo.

Todavia a realidade é dura. E nesta realidade, para que as agendas políticas avancem, é preciso adquirir o poder. Um político com capacidade de fazer avançar nossa agenda, é alguém que deve lutar ferrenhamente pelo poder, situação a qual permitirá que ele leve nossas propostas adiante. Mas alguém que, sem uma razão estratégica, decide deixar de receber o fundo partidário, talvez não esteja tão dedicada a uma verdadeira luta por poder. Talvez concorra por ego, ou por pura diversão. Nesse caso, já que a pessoa não está tão decidida a conquistar o poder, também não deveria receber nossos votos.

É como fazemos nas empresas. As pessoas mais dedicadas a conquistarem um cargo são mais valorizadas. Do mesmo modo, aqueles mais dedicados a conquistarem os cargos públicos, talvez mereçam mais nossos votos nesse intento. A primeira condição a ser observada é notar se o candidato não está disposto a criar “molezas” para os adversários em nome de manias puristas.

Curta-nos e siga-nos no Facebook para receber todas nossas atualizações!

Para adquirir o livro “Liberdade ou Morte”, você pode consultar o site da Livraria Cultura ou da Saraiva.

Anúncios

12 COMMENTS

  1. Este comentário me leva a lembrar-me daqueles que em época de eleições dizem que não irão votar porque não gostam de politica mas os adversários adoram a politica e não deixarão de votar em seus candidatos e vencerão a disputa. Lembram-se de 2014 com 30 milhões de brancos e nulos? Se 20% daqueles que não votaram ou anularam seus votos trivesse agido diferente não teriamos a situação que vivemos hoje.

  2. Comecei a me desanimar com o Partido Novo por questões como essa, pela maneira idealista com que eles jogam a guerra política.
    As propostas do NOVO, em geral, são aquilo que nós eleitores liberais queremos, mas, não penso que com esta atitude bonitinha o partido seja capaz de alcançar algum poder para implementá-las. Corretíssimo o texto.

  3. O Partido NOVO não deixa de receber o fundo partidário. Eles recebem e estão esperando se decidirem qual a utilização que vão fazer do fundo.

  4. Eu sou gaúcho por isso posso falar por vivenciar o mundo real da província de São Pedro do Sul .
    Dia 20 de setembro nós gaúchos comemoramos uma derrota, não sei outro povo se orgulha tanto por perder sempre.

    Perderam a guerra passada e perderam guerra politica prejudicando seu estado sem nem saber quem é o legitimo “opressor imperialista”.

  5. Há um grande equívoco neste texto. Apesar do Novo ser contra o fundo partidário ele nunca disse que ñ o tomaria, porque, obviamente retornaria para seus adversários. A ideia inicial era doar mas o uso é restrito por lei. Por isso o partido pretende usá-lo em propagandas contra o fundo partidário. A doação seria uma propaganda melhor a favor do partido mas a realidade é outra. Em tempo, esse papo pragmático levou um certo partido puritano de esquerda ao maior escândalo de corrupção da história.

    • Marcelo,

      Pragmatismo não tem nada a ver com corrupção. Sem pragmatismo, você não implementa hoje uma ferramenta de gestão de incidentes na organização. Assim, vamos parar de espantalho, ok? E não há nada de “superioridade moral” em deixar de receber fundo partidário. Isso DEPENDE do objetivo do não recebimento.

      No próximo texto, farei a retificação em relação ao recebimento do fundo, pois, como você disse, o Novo recebeu o fundo e irá utilizá-lo para uma campanha contra o fundo. Preciso fazer essa correção e farei.

      Abs,

      LH

    • Não acredito que o PT já foi algum dia puritano. O partido certamente fazia muita propaganda de que era ético, mas que nunca teve correspondência na prática. Existem notícias de esquemas de corrupção em prefeituras e outras estruturas aparelhadas por petistas muito antes da ascensão do partido ao controle do governo federal. A discrepância entre a propaganda e a realidade, resultante de um discurso profundamente cínico e mentiroso, não é nenhuma surpresa quando a gente leva em conta o fato de que o PT segue rigorosamente os ensinamentos de Gramsci para a tomada do poder. Cooptação, infiltração e hegemonia cultural em todas as esferas da sociedade e do Estado. Sim, eles são pragmáticos. Contudo, a corrupção desenfreada não é o resultado do excesso de pragmatismo, mas dos métodos adotados para a tomada do poder. É possível ser pragmático e, ao mesmo tempo, honesto.

  6. Já ouvi alguns dizerem q o NOVO será o PCO da direita (deixando de lado o fato deles ñ se considerarem de direita). A cada dia da atuação do partido, vemos o quanto isso pode se tornar realidade.

  7. PSL se coligou com o PT em Foz do Iguaçu, o que acha disso Luciano Ayan? te enviei mensagem no face, mas acho que voce nao viu…

    achei uma afronta e sinceramente, ja suspeitava do discursinho muito molenga do PSL…

  8. Luciano, a tática do Novo é liderar pelo exemplo.

    Quem desejar um partido mais pragmático poderá encontrar lugar no PSL, ou até mesmo no DEM, PSDB, etc.

    Nesse sentido, de tentar uma tática diferente penso ser válida a tentativa.

    Quanto mais coisas diferentes tentarmos melhor não?

    Abraço!

Deixe uma resposta