Ministro do Trabalho chafurdou por não querer controlar o frame

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Costumo dizer que a maior beleza da política está no fato de que ela é praticamente toda baseadas em escolhas. Muitos dos atores político que se vêem em maus lençóis escolheram seu destino. Muitas vezes por não jogar o jogo.

É o caso do ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira, que andou divulgando por aí uma reforma trabalhista propondo aumentar o teto de horas possíveis de serem trabalhadas em um dia para 12 horas (ao invés das 10 horas atuais).

Em uma época de alta inflação, a possibilidade de alguém poder fazer um pouco mais de horas extras seria algo ótimo, além de opcional. Quem quer que já tenha feito horas extras (e levantando renda adicional por isso) sabe que, existindo disposição e possibilidade para tal, fazer 4 horas extras em um dia pode ser melhor do que fazer 2 horas extras. Ou seja, é mais grana no bolso.

Mas ele não escolheu a melhor forma de apresentar a ideia. Pior: a extrema-esquerda aproveitou para tratar tudo como “aumento de carga horária”. Como resultado, a proposta já morreu no berço e ainda serviu como capital político para os bolivarianos.

Como se lê na Agência Estado, “o Palácio do Planalto ficou “muito irritado” com as declarações dadas pelo ministro mais cedo nesta quinta, durante encontro de sindicalistas da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em Brasília. Para o governo, este tipo de declaração ‘precisa ser feita com muita cautela’, com a devidas explicações , ‘para evitar erros de interpretação.'”

Na verdade, o ministro do Trabalho deveria ter caprichado na linguagem. Deveria ter posicionado os opositores da ideia como inimigos de profissionais que querem ganhar mais e terem maior flexibilidade. Deveria ter pensado em um nome mais adequado para a proposta. Deveria, enfim, ter controlado o frame.

Ao ignorar este aspecto, Nogueira unicamente serviu aos interesses dos inimigos dos trabalhadores. Poderíamos evoluir para um estágio de consciência política onde os julgamentos sobre desempenho político fossem mais simples, como: “Você está sendo demitido do cargo de ministro pois escolheu não controlar o frame na questão (x)”. A partir daí, controlar o frame ou não é apenas mais uma das escolhas.

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1 COMMENT

  1. Luciano,
    Pelo que eu li, houve clara manipulação de informações pela turma suja. Um blog passou a falsidade no que foi copiado pelos outros.
    E sua informação no texto também não está correta, pois as 12hs não são obrigatoriamente com horas extras contabilizadas (as 44 horas poderão ser concentradas em períodos de 12 por 36, por exemplo).
    O G1 deu informações mais detalhadas sobre a proposta e cita as barbaridades dos líderes sindicais.
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/09/em-nota-ministerio-nega-elevar-jornada-de-8-horas-diaria-e-44-semanal.html

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