"O que é Aleppo?". Ou: o que o libertarianismo purista tem a ver com a absurda pergunta de Gary Jonhson?

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Já lemos isso dias atrás, mas vale rever, conforme matéria do G1, Candidato a presidente dos EUA pergunta: ‘O que é Aleppo?’:

“O que é Aleppo?”. O candidato à eleição presidencial americana pelo Partido Libertário, Gary Johnson, deu esta resposta surpreendente depois de ter sido questionado diretamente sobre a situação na cidade síria que está sitiada há meses.

“O que você faria a respeito de Aleppo se fosse eleito?”, perguntou a Johnson o jornalista Mike Barnicle, do programa “Morning Joe” da rede MSNBC, sobre a cidade do norte da Síria cercada pelo regime e que regularmente ocupa as manchetes dos jornais.

“O que é Aleppo?”, respondeu o candidato Gary Johnson.

“Você está brincando comigo?”, questionou o jornalista. “Não”, respondeu Johnson.

“Aleppo está na Síria, é o epicentro da crise de refugiados”, explicou o apresentador de televisão.

O deslize levou à criação da hashtag #WhatIsAleppo (O que é Alepo, em inglês), que se espalhou com a indignação dos usuários pelas redes sociais.

Gary Johnson tem 13% de apoio, segundo uma pesquisa realizada pelo “Washington Post” em 50 estados e publicada na terça-feira (6). A corrida pela Casa Branca tem, além dos dois principais candidatos – Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, e Donald Trump, pelo Republicano – candidatos independentes e de partidos menores (assista ao vídeo abaixo). Johnson concorre pelo Partido Libertário.
Ex-capital econômica do país, Aleppo é um dos bastiões da rebelião para derrubar o presidente Bashar al-Assad, cujas forças têm o apoio terrestre de milícias xiitas de países vizinhos e o apoio aéreo da Rússia.

A cidade está dividida em duas desde julho de 2012: a leste ficam os bairros rebeldes e a oeste os bairros controlados pelo regime. Os bombardeios de aviões do regime sírio e de seus aliados russos são lançados diariamente. Muitos civis não têm acesso a produtos básicos, luz e água.

Em agosto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou sobre o que chamou de uma “catástrofe humanitária” sem precedentes em Aleppo.

Constrangedor, não? Mas bastante previsível, uma vez que muitos libertários tem adotado a mania de visualizar mundos imaginários e se desconectar do mundo real.

Muitas vezes ficamos irritados quando discutimos pragmaticamente com alguns libertários – e eu tenho meu lado “libertário”, embora um tanto pragmático – e eles parecem insensíveis às questões da realidade.

Arrogantemente, em alguns casos, eles se aliam à extrema-esquerda. Parecem se sentir orgulhosos por abandonarem as lutas reais. Parecem assumir que esse tipo de desistência dos problemas atuais lhes dá uma “aura de superioridade”.

É uma pena, pois o libertarianismo, visto pragmaticamente, é uma fonte enriquecedora de insights para a luta política.

De qualquer forma, a arrogância às vezes tem um preço. Gary Johnson, o candidato libertário à eleição dos Estados Unidos, se viu em situação constrangedora por ignorar os problemas reais da atualidade. Por isso, foi motivo de vergonha alheia.

Ora, por que aqueles que optam por viver em mundos idealizados e ignorar o sofrimento das pessoas no mundo real precisariam saber “o que é Aleppo”?

O papelão de Gary Johnson é apenas um sintoma da fuga da realidade. Quem sabe isso não serve como um sinal de alerta: é preciso agregar ao libertarismo um pouco mais de pragmatismo e realismo.

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2 COMMENTS

  1. Pessoas de bom trato caem nesse engodo e vêm com tiradas utópicas, tipo: o ideal na saúde era que o governo terceirizasse tudo para planos de saúde ou; segurança pública e defesa civil deveriam ser privados como qualquer negócio… e por aí vai.

  2. “é preciso agregar ao libertarismo um pouco mais de pragmatismo e realismo” , mas isso os tornaria um tanto conservadores e, boa parte dos libertários, tem horror a isso . Onde já se viu? ! Virar coxinha? !

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