Extrema-esquerda se enfurece com a pressão do MBL sobre o governo. E esse é um ótimo sinal.

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A coluna de Mônica Bergamo para a Folha demonstra um certo espanto por parte da jornalista com o fato de que o MBL foi conversar com Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias de Investimentos do governo Michel Temer. Leia mais:

O governo de Michel Temer está chamando movimentos sociais que apoiaram o impeachment para ajudá-lo a pensar na melhor forma de tornar as reformas da Previdência e do trabalho palatáveis para a maioria da população. O Movimento Brasil Livre está na lista.

A VOZ
Um dos líderes do movimento, Renan Santos, se reuniu na quinta (22) com Moreira Franco, que é secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, mas ocupa espaço cada vez maior na área da comunicação de Michel Temer, substituindo Eliseu Padilha, da Casa Civil. Novo encontro pode ocorrer na próxima semana, desta vez com as agências de publicidade que detêm a conta do governo.

LIÇÃO DE CASA
Segundo integrante do governo, a ideia, com Moreira à frente, é aproveitar a “expertise de mobilização, a sensibilidade, o fato de o MBL estar sentindo o pulso das ruas” para que eles ajudem a formular uma política de comunicação das propostas, inclusive nas redes sociais.

BOA IDEIA
Renan Santos diz não saber ainda se haverá encontro com o governo na próxima semana, mas afirma que não acha “má ideia” o MBL ajudar a administração federal, “se for no sentido de apoiar as reformas e desde que elas não sejam abrandadas pela pressão de alguns grupos”.

Evidentemente, isso tem tudo para incomodar à extrema-esquerda. Nota-se que eles não estão acostumados com organizações da sociedade civil democrática lançando candidatos e pressionando o governo por reformas liberais.

Durante o processo pelo impedimento de Dilma, muitos acusaram o movimento MBL de “querer o impeachment para, depois, blindar a classe política”. Mas seguir lutando por reformas – como lutar pelo fim do estelionato educacional, pela redução do aparelhamento estatal, e pelo futuro dos brasileiros, via revisão do modelo previdenciário, dentre outras propostas – refuta completamente esse argumento. Foi após o impeachment de um governo totalitário e tirânico que restou espaço e tempo para a luta por reformas decisivas na busca de um país mais democrático, livre e civilizado.

Não há outro meio de lutar pelo que queremos senão a partir da pressão sobre a classe política – e alianças com políticos que estejam aliados às nossas propostas, tanto de forma plena como parcial – e isso é tudo que nossos adversários mais vão repelir.

É claro que para a extrema-esquerda só é admissível que Michel Temer receba o MST para diálogos, como aconteceu meses atrás. Para eles, é absurdo que o governo converse com o MBL. Mas por que? Por que isso atende aos interesses dos totalitários. Ademais, como eu já havia escrito em 28 de julho, é um ato de extremo fascismo querer proibir parte da sociedade civil de participar da política.

Em suma, desconfie seriamente de quem não quer que o MBL participe de reuniões com membros do governo. Questione sempre: quais os interesses daqueles que querem alijar parte da sociedade civil organizada – e, queiram ou não, o MBL é parte importante dela – da atuação política?

E quanto à política de comunicação? Há quem fique irritado com o fato de que discutir propostas é também discutir a forma pela qual essas propostas serão comunicadas. Mas quem acompanhou os bastidores da política do PT sabe que Dilma mudou o tom de seu discurso – inclusive ela própria passando a utilizar a narrativa “do golpe” – a partir da pressão de movimentos como MST e UNE, que exigiram a mudança de tom narrativo para manter o apoio e seguir com as manifestações. De novo: por que a extrema-esquerda pode dialogar com um governo que eles apoiam e até requisitar uma mudança de discurso e nós, adeptos da liberdade e da democracia, não podemos? Não há outro motivo para exigir a ausência de participação que não o fascismo, uma das ideologias que historicamente mais rejeitaram a participação política em ambiente democrático. (Aliás, se os movimentos de extrema-esquerda requisitaram mudanças na comunicação petista para embutirem mentiras, nada impede que os movimentos democráticos requisitem mudanças na comunicação do governo Temer para ajudar a sepultar as mentiras mentiras)

O que importa é que a atuação da sociedade civil organizada e democrática veio para ficar. Se o MBL iniciou esse trajeto, é vital que outros movimentos, como Vem Pra Rua e Nas Ruas, ampliem essa participação. Se alguém surgir com a conversa dizendo “ah, mas você está dialogando com a classe política”, basta rebater dizendo: “O problema é esse: somente nós estamos dialogando com a classe política. Quando você e seus aliados vão começar?”. Quanto mais grupos pressionarem por reformas, melhor. Quanto mais discussões com a classe política, melhor.

Quem se compromete com propostas políticas também deve se comprometer com a realização destas propostas. Pressionar políticos e negociar com eles é o primeiro passo nesse sentido. Se conformar meramente com desabafos nas redes sociais é muito pouco. É preciso agir.

Ademais, não foi o governo Dilma que tentou implementar um projeto de lei – não só desnecessário, como nocivo – “regulando” participação de “conselhos populares” da sociedade civil? Não precisávamos desse tipo de regulação que, felizmente, foi sepultada. Precisamos de participação da sociedade civil organizada e só. É isso que o MBL foi fazer ao dialogar com o governo.

Claro que a extrema-esquerda vai choramingar. Tudo que eles querem é que seus adversários abandonem a política. Somente assim eles podem ter chance de retornar em 2018 e reaparelhar tudo de novo. E olhe que há muito desaparelhamento a ser feito. Mas a extrema-esquerda não se cansa: eles não pensam em outra coisa que não o poder totalitário. Para isso, dependerão de que abdiquemos da participação política.

Assim, o que se pode fazer contra quem está irritado? No máximo, devemos aconselhá-los a se conformarem, pois a disposição da sociedade civil organizada e democrática para a participação política parece estar apenas no começo. Assim, fica a dica: “Vai descer. E vai descer rasgando!”.

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7 COMMENTS

    • E isso é muito bom mesmo. O MBL não está vendido aos políticos e sim pressionando os mesmos por reformas liberais. A esquerda serve de alarme de acerto. Se o que você fez gerou histeria coletiva na esquerda, alguma coisa de bom para sociedade você fez.

      Depois; aceitar uma crítica dessas e assistir ao MST, CUT e UNE se reunirem quase que semanalmente com partidos de esquerda para definir narrativas e estratégias de como demolir o país é insensato. Que estrebuchem de ódio e babem como cães raivosos. Eu acho é pouco.

  1. Depois da surra que o PT vai levar nas eleições municipais, os movimentos de rua petistas vão desaparecer. Em São Paulo, o prefeito petista Fernando Haddad está apelando a tudo. Não passará para o segundo turno. Depois das eleições será o momento de se mobilizar e pressionar. Acho que o assunto mais importante deveria ser a reforma na educação cuja finalidade seria tirar os comunistas das escolas. Durante décadas professores marxistas, que nunca tiveram interesse em ensinar, formaram alunos totalmente idiotizados. Estão apavorados com essa possibilidade. Seria mais ou menos como quebrar a espinha dorsal do comunismo no Brasil.

  2. Chegou a hora de o MBL sair de cima do muro e apoiar o único governo capaz de aprovar as medidas que modernizarão o Brasil. O movimento tem de patrocinar as reformas previdenciária, trabalhista, política e fiscal, além de respaldar o projeto Escola sem Partido e a flexibilização do Ensino Médio.

    Porém, suas lideranças pouco contribuirão para modificar o atual status quo manifestando-se apenas pela web. Assim sendo, o MBL tem de encerrar sua longa hibernação – desde o histórico 13 de março último – e voltar às ruas para defender o conjunto de pautas que nos possibilitarão ingressar definitivamente no século XXI.

    A esquerda, por sua vez, não hesitará em fazer exatamente o contrário. Seus dirigentes, aliás, já estão arregimentando milhares de zumbis para torpedear quaisquer tentativas de se implementar uma agenda efetivamente modernizadora em nosso País.

    A batalha pela opinião pública se dá nas ruas. E o Movimento Brasil Livre sabe disso!!!

  3. Esse é certamente um dos melhores posts que você já escreveu e merece ser lido e, principalmente, COMPREENDIDO por uma ampla parcela da população.

    Parabéns!

  4. Você só esqueceu de mencionar onde houve o enfurecimento…no comentário da Monica Bergamo (petista até a alma) só vi neutralidade.
    Sei que você lê bastante os blogs sujos e talvez tenha visto coisa pesada por lá. Talvez valha a pena informar com mais precisão, pois não podemos nos igualar aos jagunços progressistas.

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