Precisamos levantar o tom contra a direita arrogante que fica contra o Escola Sem Partido

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É surpreendente a forma confiante com a qual algumas pessoas de direita estão ocupando espaços da mídia para emitir narrativas – quase sempre falaciosas – contra o Escola sem Partido, ou mesmo contra qualquer proposta que lute contra a doutrinação escolar de extrema-esquerda no Brasil. Chega a ser cômico ver como eles parecem se sentir “na luta pelo debate dentro de sala de aula” – o que, na verdade é falso, uma vez que apenas um dos lados, o professor, tem o poder de coerção – ou “em defesa de uma sala de aula sem autoritarismo”, quando no fundo eles é que são autoritários.

O que está faltando é tratar as coisas como elas são, e este é um dos imperativos de qualquer guerra. Não deveria ser diferente para a guerra política. Perdemos muito tempo com firulas argumentativas com os “inimigos dentro de casa”, quando deveríamos ser mais assertivos. Creio que este é o momento.

Basicamente, é preciso entender que o uso das salas de aula para doutrinação não é uma “mania ideológica”, mas um empreendimento pragmático dentro de uma guerra. Todo esforço de guerra envolve a discussão sobre meios disponíveis, como, por exemplo, quantidade de armamento, recursos humanos e outros meios que podem ser utilizados. O uso de dinheiro público para propaganda é um dos principais meios em discussão, e um dos que mais interessam à extrema-esquerda.

O orçamento da educação pública pode ser estimado em cerca de 105 bilhões ao ano. É fácil atribuir um valor de no mínimo 1% a no máximo uns 5% para o tempo gasto em salas de aula com doutrinação marxista. As aulas de história e geografia, só para se ter uma ideia, são em boa parte do tempo concentradas para a doutrinação. Nas universidades, alguns cursos, como da FFLCH, são quase sempre destinados à doutrinação, em vez de ensino apartidário. Logo, uma estimativa de no mínimo 1% (e máximo de 5%), se olharmos para o todo, é bem razoável.

Isso daria um valor mínimo de 1,05 bilhão/ano e um máximo de 5,25 bilhões/ano. Podemos até utilizar um valor médio, estimado, de R$ 3,15 bilhões/ano. Em suma, este é o custo da propaganda de extrema-esquerda em salas de aula. A título de ilustração, saiba que o fundo partidário em 2016 é de R$ 819 milhões, divididos entre todos os partidos, de acordo com o tamanho da bancada.

Se a grana destinada à doutrinação atende a partidos como PT, PCdoB, PSOL, PDT e Rede, é de se supor que eles ganham muito mais com verba de ensino (no índice em que ele é utilizado para doutrinação), do que com o próprio fundo partidário. Se há discussão sobre a imoralidade do aumento do fundo partidário, por que não levar a mesma discussão para a questão do uso de verba pública para doutrinação em salas de aula?

Toda a questão se baseia nisso e nada mais. Qualquer esforço feito pela extrema-esquerda no sentido de atacar a luta contra a doutrinação escola, o abuso estudantil e o estelionato educacional é parte da defesa da manutenção de armamento disponível (bancado com verbas públicas) para ser utilizado em combate político. O problema é que esses recursos são imorais, pois a função de um professor deveria ser ensinar, e não atender a apenas um dos lados na guerra política.

Pode-se até argumentar que é difícil conter toda e qualquer forma de doutrinação ou de ensino enviesado. Eu concordo com essa argumentação, mas ao mesmo tempo nada justifica – em termos morais – que não se faça nada. Aqueles da direita que estão se posicionando a favor dos doutrinadores de extrema-esquerda advogam para que não se faça absolutamente nada contra a cessão imoral de um absurdo montante de recursos para o nosso inimigo poder nos atacar.

É como se fosse um país inimigo adquirindo armas contrabandeadas para destruir o seu país. E sua nação descobre como interceptar – ao menos em parte – esse envio de armas ao inimigo. É claro que não é possível interceptar o envio de todas essas armas, mas em alguns casos interceptações são possíveis. Agora, sabendo que essas armas serão utilizadas para destruir a sua nação, imagine que tenhamos dois tipos de pessoas dentro de seu país: (1) aquelas que lutariam para que as armas não chegassem às mãos de seu inimigo, (2) aquelas que lutarão para que as armas cheguem impunemente a ele.

Basta transferir a questão para a guerra de propaganda. Na direita, algumas pessoas acordaram e descobriram que é absurdo deixar tantos recursos imorais sendo utilizados pela extrema-esquerda para propaganda (disfarçada de aula) em escolas públicas. Não é possível interromper todo esse uso imoral de recursos, mas é possível atrapalhá-los da mesma forma que interceptamos um ou outro carregamento de armas para as mãos do inimigo. E ao mesmo tempo, uma parte da direita resolveu agir em favor de garantir que a extrema-esquerda não seja atrapalhada no recebimento e uso destes recursos. Isto é, resolveram ficar na posição daqueles que dão apoio ao envio de armas a um inimigo, cientes de que essas armas serão utilizadas contra nós.

Encastelada em seu objetivo, a extrema-esquerda é prática até demais ao nos dizer: “Esses bilhões de reais precisam ficar em nossas mãos, de modo livre e impune, pois assim faremos propaganda (disfarçada de aula) contra vocês”. Algumas pessoas da direita resolveram se posicionar do lado deles neste caso.

Toda a questão é prática e muito simples. O montante de recursos utilizados para propaganda – disfarçada de aula – de extrema-esquerda pode ser dimensionado. Independentemente de alguém contestar ou não esses cálculos – quem quiser que faça outros cálculos -, é um fato do mundo que há uma cessão imoral de recursos destinados à propaganda da extrema-esquerda. Esses recursos são como quaisquer outros recursos de guerra. Logo, são usados para atacar um adversário. A partir desta constatação óbvia, alguém tem apenas duas opções: ficar do nosso lado, atrapalhando o envio destes recursos ao inimigo, ou ficar do lado do inimigo, garantindo que ele não seja atrapalhado no recebimento e uso de todos estes recursos.

A pergunta que aquela parte da direita que resolveu ficar do lado dos doutrinadores deve responder é a seguinte: “o que levou você a ser tão cruel, insensível e desumano ao tomar partido pela extrema-esquerda – e dos recursos indevidos destinados a ela, por meio do uso de recursos públicos para doutrinação – nessa questão?”.

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8 COMMENTS

  1. A posição do Pondé sobre o ESP é inaceitável. Aliás, ele é tão aberto ao “diálogo” com esquerdistas, mas quando se trata de propostas da direita com as quais não concorda, é bem rápido em rejeitar radicalmente o conteúdo.

    Não tem discussão. Ou a pessoa tem alguma proposta melhor do que a ESP (há quem defenda como opção os vouchers somados ao fim do controle do currículo pelo MEC), ou a pessoa defende o ESP. Defender o “status quo” significa ficar do lado da doutrinação.

    • No meu entendimento ele caiu bonitinho na narrativa de esquerda que se fundamenta em um reducionismo falacioso ao tratar toda essa celeuma como mero debate ideológico de políticas capitalistas vs políticas socialistas de maneira apartidária. Caralho; não dá para acreditar que um sacana desses estudou em parte no Brasil.

      Estamos falando de professores que trocam notas por presença em protestos pró-PT; de professores que dão aula com a camisa do PT e ofendem qualquer aluno que se posicione contra. Estamos falando de professores que contam votos dentro de sala de aula e escracham os alunos que não votam em partidos de esquerda diante de toda a sala. Isso não é debate.

  2. No melhor estilo “armas não matam, pessoas sim”, eu creio que possa haver uma terceira opção nessa guerra: usar as armas contrabandeadas em nossa própria causa!
    Como professor da rede pública quero acreditar que seja isso que tenho feito: aproveitando as brechas do sistema ando a disseminar valores liberais.

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