A esquerda como ela é. Ou: por que o PT é de extrema-esquerda e não apenas "de esquerda"?

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Para início de conversa, observe que este blog tem como marca a “análise política para adultos”. Logo, tudo que é aqui escrito está focado em um público capaz de avaliar as coisas como se fossem adultos, e não como crianças.

Por exemplo, algumas pessoas da direita ainda alimentam uma visão infantil sobre a esquerda. Vejo sempre gente dizendo por aí “ah, nós somos a favor da liberdade, enquanto eles, da esquerda, preferem a igualdade”. Isso é o mesmo que sair acreditando que um fraudador de bilhete premiado é “alguém que quer lhe vender um bilhete premiado”, quando na realidade é um sujeito ciente de que seu bilhete não tem prêmio coisíssima nenhuma, sendo apenas uma forma de ludibriar um otário. Em suma, continuar visualizando a esquerda da mesma forma uma criança faria – talvez por ignorância, mania, ego ou arrogância, ou até uma mistura de tudo isso – é algo que este blog repudia quase como se fosse um crime moral.

Sendo assim, não podemos partir de descrições da esquerda dadas por eles próprios. Em vez disso, precisamos ver a esquerda como ela realmente é. Já fazemos isso no dia a dia para outras questões, como, por exemplo, na identificação de criminosos. Mesmo que quase todos os estupradores e assassinos digam, ao serem presos, que são inocentes, nós não criamos narrativas para descrevê-los como “inocentes que estão sendo condenados”. Em vez disso, compreendemos que muitas vezes culpados por estupro e assassinato apenas se declaram inocentes para tentar fugir da pena, não por serem inocentes de fato. Deste modo, da mesma forma que um assassino ou estuprador não é um “inocente” só por ter se declarado inocente – embora algumas vezes existam inocentes injustiçados, mas não é sua mera descrição de inocência que os exonera da culpa -, um esquerdista não é alguém “pró-igualdade” só por ter se declarado como tal. Na verdade, ele é o exato oposto de como se descreve. Em suma, isso é observar o esquerdismo como ele é, em vez de aceitar, por fé cega, a mera auto-descrição emitida por eles.

Por esse princípio, se aceitarmos visualizar o esquerdismo como ele é, então seremos obrigados a aceitar o fato: é um método de obtenção de poder que prioriza o inchaço estatal. Mas para o esquerdista, a prioridade é uma só: amealhar cada vez mais poder em benefício daqueles que conseguirem cargos no estado e verbas tiradas dele. Essa é a descrição do esquerdista beneficiário, que está ciente de que o esquerdismo não passa disso. Ainda existem os esquerdistas funcionais, que, em alguns casos, até acreditam nas fraudes do esquerdismo – da mesma forma que alguns direitistas mantém a fé cega na crença, como se acreditassem que o esquerdista é um “iludido”, quando na verdade é mal intencionado – como se fossem reais. Mas estes não contam, pois são apenas peões no tabuleiro. Nós não transformamos uma fraude de cartão de crédito em um evento lícito somente porque o dono do cartão fraudado ainda não percebeu a fraude. Se olharmos as coisas por uma visão adulta, precisamos avaliar os eventos do mundo pelas intenções reais dos agentes, e não pelas percepções dos que caíram em embustes.

Logo, sabemos o que o esquerdismo é. E o que seria a extrema-esquerda? Simples. É basicamente a mesma descrição do que é a esquerda, mas ampliada: a extrema-esquerda prioriza o inchaço estatal, visando o poder a partir da obtenção e verbas e cargos estatais, mas com a diferença fundamental de que fazem isso de modo totalitário. Desta feita, para identificarmos se alguém é de extrema-esquerda, basta saber se ela atende, além dos requisitos de buscar inchar o estado para obtenção de poder, aos seguintes critérios:

  • Busca censurar a imprensa, seja de modo sutil ou formal?
  • Visa fazer uso de “conselhos” aparelhados via estado, ou seja, sovietes?
  • Busca eliminar a separação de poderes?
  • Defende o uso de toda a força estatal possível para eliminar a opinião divergente?
  • Criminaliza a mera divergência política (como, por exemplo, no caso de Leopoldo Lopez), na Venezuela?

Aquele que responder afirmativamente a no mínimo uma dessas questões, está no caminho da extrema-esquerda. Mas, no caso do PT, eles respondem afirmativamente a todas essas questões. Não há outra constatação que não classificá-los de extrema-esquerda.

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3 COMMENTS

  1. Dizer que esquerda quer a igualdade não é “infantilismo” político. Ao dizer isso, Erik von Kuehnelt-Leddihn quica dentro do caixão.

    É preciso entender o que está por trás dessa igualdade, que é justamente aquilo que você citou. A única forma de encontrar essa igualdade é por meio da força, e isso só seria concebível com um Estado gigantesco e um aparato policial pró-Estado.

    Mencionar que a esquerda está atrás da igualdade não é errado. Só é preciso considerar as características da igualdade e as ações necessárias para a obtenção dela.

    • Políticos que querem implantar um sistema que os torne superpoderosos sobre nós. Você acredita mesmo que isto seria o meio e não o fim? Ou se expressou mal?

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