Extrema-direita se une à extrema-esquerda para atacar ação política do MBL. Ou: Seltz segue o padrão de novo.

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Estudar a política a fundo é também estudar os “inimigos em casa”, que são pessoas que, supostamente seriam aliados parciais – geralmente com algumas divergências de ideias ou táticas -, mas que conspirariam, intencionalmente ou não, contras as metas óbvias para todo o grupo.

É evidente que a extrema-direita brasileira muitas vezes tem agido como grande inimiga de qualquer projeto pragmático que vise atingir o projeto totalitário de poder do PT. Talvez tenha sido por esse motivo que Olavo de Carvalho lançou tantas narrativas dizendo que várias outras coisas seriam “mil vezes melhor que o impeachment”. No fundo, era apenas a técnica da distração para não se fazer nada, mas o “não fazer nada” foi o objetivo do PT pelos últimos dois anos. Por sorte, superamos o discurso daqueles que queriam a inação.

No vídeo abaixo, temos outra demonstração da extrema-direita no que diz respeito a evitar a ação prática de agentes políticos da direita. De novo, o direitista true – que sempre alega ser membro da “verdadeira direita” contra uma “falsa direita” – Alexandre Seltz se manifesta para atacar o MBL por, ora vejam só, pressionar o governo Temer por reformas.

No vídeo, ele emite três narrativas fraudulentas. Vejamos:

Narrativa 1: O MBL foi “convocado” para trabalhar para Temer

Curiosamente, Seltz não apresenta evidência alguma desta “convocação”. A única coisa que ele tem em mãos é uma notícia do Congresso em Foco, o qual não apresenta evidência alguma de “convocação” vinda por parte de Temer. No fundo, já se sabe que, como órgão de mídia pró-Pt, o Congresso em Foco defende a ideia de que só movimentos de extrema-esquerda – como CUT e MST – podem participar da política. Em linha com uma versão seletiva do fascismo, qualquer grupo de direita deve ser proibido de participar. Para evitar esta participação, eles criam narrativas mentirosas.

Seltz provavelmente sabe – e estaria fingindo não saber – que as reformas propostas por Temer vieram antes da sociedade civil organizada. Como a extrema-esquerda não quer que essas reformas aconteçam, emitiram a narrativa de que “as reformas são propostas de Temer”. Com isso, eles invertem a situação – sem apresentar qualquer evidência para tal – para tentar convencer o público de que o governo convocou os movimentos para ajudá-os a aprovar a proposta. Mas os fatos dizem o oposto: os movimentos é que estão exigindo a aprovação das propostas. A pergunta é: a quem Seltz está servindo ao emitir a narrativa fabricada pela extrema-esquerda?

Narrativa 2: O que está publicado é um fato

Com esta narrativa, Seltz contradiz tudo aquilo que seu mestre (Olavo de Carvalho) diz: ele pede para não confiarmos em uma mídia aparelhada. Decerto essa é uma afirmação lúcida de Olavo de Carvalho, mas o problema, como vimos, é que seus pupilos não a seguem. Bastou que o Congresso em Foco emitisse uma narrativa claramente falsa – ou, no mínimo, sem qualquer evidência que a sustentasse – para Seltz propagá-la como se fosse um fato.

Assim, ele caiu em uma contradição gravíssima: Seltz agiu como propagador de narrativas de uma mídia claramente manipuladora, ao invés de agir criticamente em relação a essa mídia, o que seria o mínimo a se esperar de qualquer pessoa de direita ou ao menos republicana. Repetir, de bate pronto, as narrativas de uma mídia socialista é uma contradição imperdoável. Em suma, ele se aliou ao inimigo.

Narrativa 3: O MBL é de esquerda, e então isso é “trocar seis por meia dúzia”

Qualquer pessoa que tenha observado a extrema-direita com um olhar mais crítico sabe que eles estão repetindo essa narrativa há muito tempo. Porém, sabemos que propostas como a reforma da educação e a da previdência, bem como a PEC anti-pedaladas e a reforma trabalhista, atingem em cheio à extrema-esquerda. Não há nada de “esquerdismo” nessas ideias.

A pergunta é: por que Seltz está tão incomodado com algo que vai causar impacto nos projetos totalitários de partidos como PT, PCdoB, PSOL, PDT e Rede? Muito suspeito, no mínimo.

A narrativa de que tirar a extrema-esquerda é “trocar seis por meia dúzia” também é apenas uma técnica de propaganda feita no intuito de esconder o totalitarismo de nível venezuelano defendido pelo PT. Questão: a quem interessa esconder o quão diferente é o totalitarismo bolivariano?

Conclusão

Como Jean Pierre Faye previu, em sua teoria da ferradura, há um certo estágio em que a extrema-direita e a extrema-esquerda se igualam em termos de objetivos. No Brasil, a extrema-direita sofreu um grande abalo com a saída do PT do poder, pois assim perderam parte de seu discurso dizendo “temos que tirar toda a classe política para ter algum resultado”. Mas a demanda por “tirar toda a classe política” sempre foi, no fundo, uma demanda que seus próprios propagadores sabiam ser inviável de ser realizada pelas vias políticas. Mas a demanda só era requerida para não ser atendida mesmo e, assim, com o tempo, gerar justificação para tomadas de poder mais brutais, podendo ser até uma intervenção militar.

A extrema-direita entrou em pandarecos quando o PT foi retirado do poder pelo processo legal de impeachment. Caiu a narrativa de que “só a violência resolve”. O processo foi pacífico e legal.

Agora a mesma extrema-direita treme de medo da possibilidade de republicanos pragmáticos conseguirem resultados através de reformas negociadas com a classe política. Essas reformas, se efetuadas, arrebentam os projetos da extrema-esquerda, mas também desconstroem as narrativas de “tudo ou nada” da extrema-direita.

Como previsto por Faye, o que estamos vendo aí, na rejeição à participação do MBL como um ator político de fato, é apenas a união da extrema-esquerda e da extrema-direita.

Aliás, se superarmos a negação da política da extrema-direita (como já estamos fazendo), basta adotar a postura racional: “Você não gostou da participação do MBL junto aos partidos políticos? Então participe mais!”.

Já requerer a “não participação”, como Seltz parece defender, é apenas servir à extrema-esquerda. E isso não está pegando bem para essa gente…

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11 COMMENTS

  1. Para mim, só o afastamento do risco do totalitarismo de extrema-esquerda já é um grande feito, tendo em vista o quanto chegamos perto dele. Agora é preciso consolidá-lo (o afastamento), para que dure o máximo possível. O resto, a exemplo do combate ao esquerdismo light, deve ficar para depois.

  2. Comunista tem seu formato externo derivado de dois animais : como camaleão se disfarça de todas as formas para não ser reconhecido como tal e parecer descolado e do bem; como vampiro odeia a luz que o desmascara e suga tudo que puder. Por dentro é pura inveja e mentira.

  3. São pessoas que não tem nenhum compromisso com aquilo que chamamos de realidade, além de extremamente preguiçosos . O que pessoas como Seltz e outros do tipo fizeram de concreto até agora? O que lideraram? Nada. Aliás, acho que nem querem fazer. Qualquer solução (realista) apresentada por alguém é imediatamente julgada e o seu autor difamado. Preferem ficar repetindo ad infinitum aqueles mantras que todos conhecemos e não fazer absolutamente nada. Não é a toa que odeiam tanto os pragmáticos que não tem medo de botar a mão na massa…. Fazer tem seus riscos, é claro, mas é infinitamente melhor do que ficar repetindo que “está tudo dominado” e não fazer nada.

  4. Luciano, se puder, faça uma análise do caso da mais nova vítima da falta de pragmatismo e do purismo da extrema-direita: O deputado Bolsonaro.
    Ele tem sido atacado nas redes sociais por alguns direitistas “trues” devido a seu partido (do qual ele ñ é presidente) estar coligado com o PCdoB em algumas cidades. O próprio Bolsonaro antes da campanha endossava esse purismo na política, agora se depara com a realidade e já tem q adotar um discurso mais próximo dela.

    • É bem complicada essa situação, pois a própria base do candidato é de puristas. Eu já havia comentado no passado a respeito do risco de escolher reforçar essa base. Basicamente, não vejo muita saída para o Bolsonaro.

  5. Esse Seltz pouco representa os que vêem erros em certas ações do MBL. Parece um tipo caricato perfeito que se escolhe para tornar-se o exemplo de todos que discordam de uma ideia que quer se impor como mais ponderada.
    Se há divergências inteligentes sobre como o MBL lida com a política essas, em verdade, abrangem:
    1- dizerem-se apartidários quando nunca o foram (várias lideranças MBL eram filiadas a partidos desde o primeiro momento, em especial o PSDB).
    2- abdicarem do ativismo e desdenharem da desobediência pacífica em prol do partidarismo (como saber se estavam em cima dos palanques fazendo comícios ou expressando a indignação popular?). (*) exceção honrosa a algumas atitudes do excelente Fernando Holliday.
    3- se são tão ligados a partidos e políticos (muitos deles com histórico duvidoso) e esconderam seus interesses desde o início o que garante que não vão agir igual se assumirem cargos?
    4- por qual motivo se negam a propor uma reforma política básica e óbvia envolvendo redução do número de cadeiras do legislativo, limitação radical de cargos comissionados, proibição de indicações partidárias para a administração pública e possibilidade de candidatos independentes de partidos (com o consequente fim das restrições para criação de novos partidos), entre outras?
    5- pouca clareza sobre a dimensão de suas convicções quanto ao progressismo moral advindo do marxismo cultural (contabilize quantos do MBL preferem Hillary a Trump, mesmo com o estrago que ela fará nos costumes, na suprema corte e na diplomacia).
    6- defesa ferrenha de visão globalista e multicultural (em minha cidade vi gente do MBL defendendo com afinco a permanencia do Reino Unido na UE, sem dar ouvidos aos motivos do Brexit, por exemplo).
    7- pouco apreço pelo concurso como via única de entrada na administração pública.
    ….
    Luciano, ter pé atrás com MBL é tão natural quanto ser indignado com uma classe política que nunca deu ponto sem nó.

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