Nova narrativa do “baixo número de votos válidos” é outro truque petista. Você vai cair nele?

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Eram quase 20 horas da noite do dia 3 de outubro quando chegou o Uber. A corrida demoraria 40 minutos, tempo suficiente para um papo descompromissado com o motorista sobre política.

Quase todos os uberistas odeiam o PT, até porque muitos são vítimas do desemprego causado pelo partido, intencionalmente. Não haveria de ser diferente: o motorista comemorava a derrota humilhante do totalitarismo petista nas eleições.

Porém, a certo momento ele comentou: “Pena que tivemos tantos votos brancos, nulos e abstenções”. Eu disse: “E daí?”. Ele seguiu: “Isso é um sinal de baixa representatividade”. Eu questionei: “Por qual razão?”. Resultado: tela azul do Windows.

Não demorou muito tempo para ficar perceptível que ele era mais um incauto enrolado pela nova narrativa desonesta do momento e, como não poderia deixar de ser, encomendada pelos petistas: “essas eleições ficaram marcadas pela alta taxa de abstenções e votos brancos e nulos”.

No fundo é um grande truque para tentar amenizar o sabor absurdamente amargo da derrota fragorosa do PT. Por isso, hoje os sites Brasil247 e Congresso em Foco, em textos diferentes, utilizaram uma expressão dizendo que essa foi a eleição vencida por “ninguém”.

No Brasil247 se escreve: “Foi o caso de São Paulo, com João Doria (PSDB), eleito no primeiro turno com 3.085.181 votos, ou 53,2% dos votos válidos. ‘Ninguém’, por outro lado, alcançou 3.096.186 votos na capital paulista.”

Eles seguem: “O mesmo ocorreu no Rio de Janeiro, onde a soma de abstenções, brancos e nulos foi maior do que o número de votos do primeiro colocado, Marcelo Crivella (PRB), que disputará o segundo turno com Marcelo Freixo (PSOL). Em Curitiba, aconteceu o mesmo com Rafael Greca (PMN), entre várias outras cidades.”

Até o presidente Michel Temer caiu na esparrela e disse: ““Devo registrar uma preocupação: acabei de verificar um número imenso de abstenções, votos em branco e nulos , o que revela o que ouso dizer ‘a indispensável necessidade’ de uma reforma política do país, algo que penso que o Congresso Nacional deva cuidar com muita propriedade.”

O papo é furadíssimo, como lembra Reinaldo Azevedo: “No tempo da ditadura, os eleitores compareciam quase religiosamente para votar — menos para prefeitos de capitais, governadores e presidente —, e, no entanto, por óbvio, a democracia não vivia crise nenhuma porque democracia não havia. Acho que Temer falou aquilo que sabia que queriam ouvir. Imaginem se ele diz: ‘Ah, esse negócio de abstenção não tem a menor importância’.”

Mas se ele dissesse que o alto índice de abstração não tem a menor importância ele estaria correto.

Eis que leio o seguinte no site Implicante: “Barack Obama conseguiu em 2012 o direito de continuar na Casa Branca por mais quatro anos graças a 65,9 milhões de americanos. Naquela votação, 129 milhões de votantes se pronunciaram nas urnas. Mas o total de cidadãos aptos a votar era de 235,2 milhões. Ou seja… Nada menos do que 106,2 milhões de eleitores simplesmente se abstiveram, um número 61% maior do que o montante que legitimou o cargo da pessoa mais poderosa do mundo.”

Obviamente, isso não torna Barack Obama um presidente menos legítimo do que os candidatos vencedores em eleições com menores taxas de abstenções. Na realidade, o número de abstenções não significa absolutamente nada em relação à legitimidade do vencedor.

Enfim, nenhum palhaço veio encher o saco quando Obama venceu perdendo em quantidade de votos para os brancos, nulos e abstenções nos Estados Unidos. Então, por que esse é um problema no Brasil? É claro que tem gente tentando te enrolar…

O fato é que isto não é um problema coisíssima alguma. Um sistema democrático é aquele onde as pessoas escolhem votar do jeito que quiserem. Na Constituição existe algo escrito contra os votos nulos, brancos e as abstenções? Não, não tem. Logo, fim de conversa. Quem quiser que lute para mudar a lei ou então que vá reclamar com o bispo.

Diante de quem estiver choramingando por que o PT tomou uma sova, lembre que o alto número de abstenções significa menos votos ainda para os perdedores. Quer dizer, a derrota petista é ainda mais retumbante. Em suma: para quem venceu, a alta taxa de abstenções não fede nem cheira, mas, para quem perdeu, a coisa é amplificada em termos de humilhação.

O resto é choro de perdedor desonesto.

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2 COMMENTS

  1. Sem contar este dado aqui: a taxa de abstenção CAIU. Só subiu porque os cadastros do TSE são antigos, de pessoas que nem moram mais no local cadastrado de votação.

    AUMENTO DE ABSTENÇÃO É, EM GRANDE MEDIDA, CADASTRO ANTIGO SEM RECADASTRAMENTO!

    (Folha de S. Paulo, 04) 1. Apesar da taxa de abstenção em 17 das 26 capitais ter subido em relação às eleições de 2012, ela caiu nas cidades que realizaram o recadastramento biométrico obrigatório nos últimos quatro anos. Isso sugere que o aumento no não-comparecimento pode ser influenciado também pela desatualização dos dados de eleitores. Segundo dados do TSE, a taxa de abstenção média nas capitais no primeiro turno foi de 16,7% em 2012 para 16,8% neste ano. Nas 12 cidades que fizeram o recadastramento recentemente, esse número caiu de 16,55% para 13,2%.

    2. Por outro lado, se forem consideradas apenas as capitais que nunca fizeram o recadastramento –caso de São Paulo e Rio– as abstenções chegaram, em média, a 21,2%. Em 2012, esse número foi 18,5%. Isso pode ter acontecido porque eleitores que mudam de cidade e não se cadastram em um novo local, assim como mortes não reportadas, inflam os índices de abstenção. Nos locais onde houve o recadastramento recentemente, os dados dos eleitores estão mais atualizados e a ocorrência desses registros errados tende a ser menor.

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