Trump vence o segundo debate contra Hillary por executar a tática óbvia: ir para o ataque

6
96

Eu não estava nem um pouco otimista. Para mim, Donald Trump perderia de novo. O resultado final foi merecedor de um “ufa”.

Os primeiros minutos foram incômodos – ele estava na defensiva – mas daí em diante o candidato republicano mudou a postura e adotou um tom mais ofensivo, motivo pelo qual venceu. No primeiro debate – que ele perdeu – Trump havia resolvido apanhar feito cachorro ladrão. E por que eu digo que ele “resolveu” perder o primeiro debate? Simples: é porque ele tinha munição de sobra, como agora.

Na questão dos escândalos sexuais, Trump pediu desculpas ao público. Lembrou que tudo se tratava de “conversa privadas”. Assim, ele começou na defensiva, gastando tempo demais para dizer o que “ele não era”.

Logo de cara, Hillary saiu batendo com gosto, tratando-o como um monstro contra as mulheres. Certo momento ela, após rotulá-lo, disse: “Este é Donald Trump”. Concluiu: “Isto é o que nós, americanos, não somos”. Foram quase dois minutos de pauladas para cima de Trump, quase como se ela estivesse dizendo-lhe: “entendeu como é que adultos jogam na política?”.

Ele finalmente acordou.

Ao rebater, Trump finalmente citou a diferença entre “palavras ditas” e atos cometidos, lembrando que nenhuma outra pessoa que ocupou a Casa Branca abusou mais de mulheres do que Bill Clinton. Paula Jones, abusada por Bill, estava na plateia. Pouco antes do debate, Trump apresentou quatro mulheres que haviam sido vítimas de agressões sexuais de Bill Clinton. Trump também lembrou que Hillary não apenas atacou as vítimas dos ataques sexuais de Bill Clinton, como também citou o caso dos ataques feitos por ela, enquanto advogada, direcionados à uma mulher vítima de estupro aos 12 anos. Em suma, na questão dos escândalos, ele nadou de braçadas.

Em relação aos 33 mil e-mails deletados, Hillary novamente foi para as cordas. No melhor momento do debate (para Trump), Hillary alegou que seria ruim se Trump fosse para a presidência. Trump afirmou que a esquerdista tinha razão, pois com ele na Casa Branca ela estaria presa. Em toda a questão dos e-mails, ela fugiu, chegando a dizer que “foi um erro”, pedindo desculpas ao público. Nessas duas questões, Donald já vencia por 2×0.

Em relação ao Obamacare, nenhum dos dois venceu. Ele atacou duramente o programa, enquanto ela apontava o republicano como “desumano, inimigo dos pobres”. Mas como não havia nada de novo, podemos dizer que o placar aqui seria de 3×1. Quanto aos muçulmanos, ela se deu melhor ao citar as ofensas de Trump – feitas em agosto deste ano – à família de um oficial americano muçulmano morto em combate. Aqui, tínhamos Trump 3×2.

Ele pontuou de novo ao tratar os diálogos de Hillary com banqueiros de Wall Street. Ela foi questionada se teria “duas caras”. Tentando se safar, citou Abraham Lincoln e não conseguiu dar uma resposta coerente. Trump bateu forte ao dizer que há uma grande diferença entre “Honest Abe” e ela, que mentiu deliberadamente para o povo. Foi fácil para Trump. Trump 4×2.

Outra questão estava relacionada ao pagamento de impostos para ricos. Respostas mornas de ambos os lados. Trump 5×3.

Surpreendentemente, Trump se saiu bem de novo em uma questão internacional: a da Síria. Ela começou citando o menino de 4 anos que apareceu sangrando em uma foto. O problema é que ela foi secretária de defesa durante muito tempo, facilitando a vida de Trump que colocou a tragédia nas costas dela. Vale lembrar que, ao contrário da maioria das outras questões, é bom dizer que o adversário é “incompetente” para a geopolítica. Nas demais questões, sempre é melhor apontar a má intenção – ao invés da incompetência. Trump 6×3.

Outra vitória de Trump se relacionou às declarações de Hillary dizendo que os eleitores de Trump eram “deploráveis”. O candidato republicano pôde lançar mão do shaming, o que a fez ir para a defensiva. Ela disse que “se referia às ideias dele, e não aos eleitores”. Ficou fácil para Trump chamá-la novamente de mentirosa, pois ela realmente chamou seus eleitores de “deploráveis”. Nesse momento, os apresentadores tentaram intervir em favor de Hillary – como fizeram várias vezes durante o debate -, mas Trump não deu margem nem para a dupla de desonestos.

Outro lance sensacional de Trump foi quando ele disse que Hillary “tem muito ódio” por ter dado essas declarações. Finalmente, hein? Estão vendo como não é difícil apontar o “ódio” do oponente? Trump 7×3.

Surgiu daí em diante uma questão inusitada, sobre a “disciplina” de um líder, a respeito de uma twittada feita por Trump às 3 da manhã, onde não tivemos vencedores. Em outra questão, com relação à nomeação de um juiz para a Suprema Corte, Trump também mandou bem ao citar que nomearia um juiz como Antonin Scalia. Em relação à uma questão sobre energia, tudo ficou muito morno, mas Hillary se saiu melhor. Digamos que até aqui tínhamos Trump 10×6.

Pena que no final a questão pedia para o adversário fazer um elogio ao outro. Hillary foi cínica e elogiou “os filhos de Trump”. Quer dizer, não apontou um elogio ao adversário. Trump caiu na armadilha e fez um elogio à Hillary: “ela é uma lutadora”. Aqui ela se deu bem. No resultado final, Trump 11×7.

No fim das contas, o resultado foi bem melhor do que eu esperava. Resta saber se ele vai manter esse tipo de tom ofensivo até o final e se irá ainda mais para a ofensiva no último dos três debates. Se o fizer, há chances de que o placar – ainda desfavorável a ele – seja revertido. A ver.

Curta-nos e siga-nos no Facebook para receber todas nossas atualizações!

Para adquirir o livro “Liberdade ou Morte”, você pode consultar o site da Livraria Cultura ou da Saraiva.

Anúncios

6 COMMENTS

  1. Too little, too late? Por exemplo, ele já deveria estar jogando a conta de toda a crise de refugiados nas costas da administração democrata – e da Hillary, secretária de Estado. Pode não ser a verdade toda, mas também não é mentira.

  2. Discordo de sua análise sobre o final do debate. Achei muito, mas muito melhor do que a resposta dada por Hillary.

    A resposta que Hillary deu ao final foi horrível. Ela deu três segundos de elogios aos filhos de Trump e passou o resto do tempo promovendo a si mesma. Mas Trump capitalizou em cima MUITO BEM ao expressar afeto familiar e conseguiu construir uma imagem muito necessária de homem de família que é contrito pelos excessos de seu passado.

    Não apenas isso, mas o elogio que Trump fez não foi realmente um elogio. Tudo o que ele disse foi que ela era persistente e lutava até o fim – e se a priori isso pode parecer um elogio, é algo que pode MUITO BEM ser interpretado como chamando a mulher de cobra: ela não desiste, ela vai até o fim, o que quer dizer: usa todos os meios possíveis, per fas et per ne fas.

    Boa parte da audiência americana sacou isso, pelo que tirei das redes sociais, mas é algo que tem muita plausible deniability, já que Trump pode dizer que estava apenas elogiando a mulher.

    Honestamente, esse debate foi um massacre.

  3. Finalmente estamos vendo os dois lados JOGANDO!

    estamos precisando disso!

    os demcratas adoram fingir que estao do lado dos pobrezinhos, quando na realidade, sao financiados pelos maiores lobistas do mundo!

  4. Inicialmente Trump não só ficou na defensiva, como desconversou abertamente, emendando propostas que nada tinham a ver com suas desculpas.

    Só não concordo que ele ter elogiado a persistência de Hillary tenha sido uma bola fora; boa parte de quem assistiu pode ter achado que Hillary era a verdadeira extremista, enquanto que Trump era “bom” por reconhecer o mérito dos inimigos, sem se cegar pela disputa.

  5. O clima estava tenso desde o início. Por algum motivo a acusação de Hillary durou pouco (eu esperava uma atuação de promotor público) e não rendeu mais que um aplauso após ela lembrar um tweet de si mesma. Ela empata com Bush em questão de energia. Quem acabou dando alguns pontos a ela foi o Trump se enrolando na resposta. Mas sequer foi o suficiente para ganhar momentum pro lado da Hillary, até porque ele melhorou depois, apesar de não se “conectar” com a plateia, como a Hillary ao responder algumas perguntas batidas do público. Fui ver depois, e como você disse, Trump reuniu as acusadoras de Bill Clinton em apoio a ele e reafirmando suas queixas. O canal CNN tratou a fita como o fim das ambições de Trump. Alteraram a programação normal e o furacão Matthew virou ventania antecipadamente. Fiquei dividido entre a hipocrisia (algo que aparece muito quando envolve Clintons) e refletindo sobre a realidade dos americanos. Isso é resultado mais da mídia ativista do que realmente do interesse do público, desmotivado e desinteressado nessa campanha, eu acho. Obviamente, funcionou como propaganda para o debate, nisso o ativismo casava com a ganância perfeitamente. Os americanos realmente não devem ter muito o que se preocupar para dar importância tamanha a um `wikileaks´ de bobagens ditas e uma tentativa infrutífera de sedução. Desrespeitosas as palavras, mas sem crime e sem vítima. Ele deveria ser reprimido pelos líderes morais, pastores, mulheres o julgariam e condenariam pelas palavras. A história não envolve traição porque Nancy ignorou as investidas. Já Bill Clinton foi várias vezes à Justiça, em um caso foi impeachado pela Câmara pelos atos que praticou no escritório da casa Branca, sendo inocentado de abuso de poder. (o Senado evitou todas as condenações, por ser necessário quórum maior, 2/3, e no caso houve alguma dificuldade em apontar um acusador e surgiram histórias controversas sobre a conduta pessoal dos postulantes até que se encontrasse o deputado correto). Com grande parte da mídia atacando Trump e promovendo a CNN por dois dias, bastaram dois minutos para emudecer Hillary. Foram vítimas reais de crimes acusando um autor inteiramente culpável. Como é diferente do pastelão ativista da mídia.

Deixe uma resposta