O que deu na cabeça de Maia para apoiar a proposta petista de "voto em lista fechada"?

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Na página de Facebook do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está escrito o seguinte:

Na próxima semana o Congresso voltará a debater uma nova reforma política. Ao meu ver, o nosso sistema entrará em colapso em 2018 se nada for feito. Estive hoje com o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes para discutirmos pontos que devem ser analisados pelo Parlamento. Com o fim do financiamento privado, eu tenho defendido a adoção da lista fechada. Uma opção que traria menor custo para as próximas eleições. O modelo vigente no país não representa mais a sociedade, uma prova disseo é que mais de 40% da população não foi às urnas. É preciso encontrarmos um sistema que possibilite a legitimação da política e também o seu financiamento.

Esta é a frase mais importante de tudo que ele escreveu: “Com o fim do financiamento privado, eu tenho defendido a adoção da lista fechada”.

Observe a clara correlação entre causa e efeito tentada por Maia:

  1. O financiamento privado de empresas foi vetado
  2. Logo, é preciso adotar a lista fechada

Mas porque existe essa dependência? Vou adotar aqui o paradigma da caridade, a partir do qual tratarei Maia como um “enganado” e não como um desonesto.  O que importa é que ele não está errado em fazer essa relação, e justamente por isso é que devemos repudiar sua proposta de “voto em lista fechada”.

Antes, peço que leia alguns textos meus, feitos entre 2014 e 2015:

Agora lembremos o que Leonardo Attuch, do blog petista Brasil247, disse:

Por caminhos tortos, sem que o tema tenha sido amplamente debatido pelo parlamento e pela sociedade, o Brasil chegou ao modelo de financiamento público da política. O lance definitivo ocorreu nesta semana, quando a presidente Dilma Rousseff sancionou o valor de R$ 819 milhões para o fundo partidário em 2016. É uma quantia 163% maior do que aquela que havia sido proposta inicialmente pelo governo.

Dilma foi convencida pelos partidos políticos a sancionar este ano diante do argumento de que, sem um substancial aumento, as eleições municipais de 2016 seriam inviáveis. Primeiro, porque o financiamento privado foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo, porque nenhum dos tradicionais doadores, em sã consciência, irá se aventurar no pântano do caixa dois, depois que praticamente todos os grandes empreiteiros do País foram presos.

Melhor ainda ver a confissão de outro blogueiro petista, Bepe Damasco (atenção ao grifo):

Depois que o STF decidiu pôr fim à deformação das eleições brasileiras através do dinheiro, proibindo doações de empresas a candidatos e partidos, representantes da direita e seus porta-vozes no monopólio da mídia reagiram de forma furiosa. Direto ao ponto: a verdadeira causa do esperneio é a mudança geral do panorama das próximas eleições, nas quais os partidos de esquerda, especialmente o Partido dos Trabalhadores, por contarem com militância não paga, projeto coletivo e ideologia, podem sair em vantagem. A reação colérica de Gilmar Mendes durante o julgamento deve ser creditada a essa constatação.

Ou seja, toda e qualquer ação petista em direção ao financiamento público de campanha é uma ação para que os partidos de extrema-esquerda levem vantagem. Assim, ou Rodrigo Maia está sendo caindo em armadilha montada por estes partidos ou está sendo desonesto. Por caridade, apostarei na primeira opção.

O papo de dizer que “o financiamento empresarial foi vetado” não serve, uma vez que cabe aos adeptos da democracia ganharem a batalha de narrativas para demonstrar que a imoralidade está no financiamento público, e não no financiamento privado empresarial. Se Maia adota a tese do “já que o financiamento empresarial foi vetado”, então está capitulando e adotando – espero que por ingenuidade – a agenda do inimigo.

Mas por que é tão importante para a extrema-esquerda garantir o fim do financiamento empresarial de campanhas e manter os tolos conformados com o financiamento público (até aumentado). Simples: assim o partido determina o poder de seus inimigos, que se conformam feito crianças e são preparados para o jantar. Com a “gestão” do financiamento nas mãos do estado, é impossível, por exemplo, que um partido receba três ou quatro vezes mais que o PT. Mas é isso que deveria acontecer, em um momento em que os petistas estão rejeitados pelo povo. Só que foi aí que os espertões “mudaram a regra” – para acabar com o financiamento empresarial, que os elegeu quatro vezes – e tratou os adversários feito bebês…

Mas e onde entra o “voto por lista fechada”? Simples: é outra tramoia socialista feita unicamente para ajudar os partidos de extrema-esquerda. O fato é que a maioria dos partidos do Brasil não são conhecidos por “ideologia”. Mas essa é a vantagem de partidos de extrema-esquerda, inclusive o PT, que portanto possuem maior fidelização, mesmo que estejam mal das pernas. Para isso, eles precisam do voto em lista fechada.

Se você duvida, busque as narrativas emitidas por todos os deputados de PT, PCdoB e PSOL em relação a “reforma política” e poderá observá-los, sem exceção, lutar pelo “voto em lista fechada”. Fazem isso por saber que o combo de “financiamento unicamente público de campanha” com “voto em lista fechada” vai ajudar os partidos de extrema-esquerda. Para essa gente, nunca existe “um ideal a ser discutido”, mas apenas… poder. O PT quer financiamento público e “voto em lista fechada” pois isso os ajudará a recuperar parte do poder perdido.

Não me importa aqui se Rodrigo Maia está agindo desonestamente, ou, em estilo Neville Chamberlain, capitulando e adotando uma agenda que atende unicamente aos maiores inimigos da democracia.

Por isso, mesmo devemos pedir:

  • Fim do financiamento público (ou seja, o estado não vota)
  • Retorno do financiamento empresarial
  • Fim de qualquer discussão sobre voto “em lista fechada”
  • Voto distrital

Quer dizer: finalmente, precisamos querer aquilo que os inimigos da democracia mais odeiam.

Este blog não costuma fazer isso: dar votos de confiança. Mas farei desta vez: espero que Rodrigo Maia fique ciente de que está se aliando a uma agenda perversa. Ele tem tempo para mudar de rota.

De novo, é bom ressaltar o quanto essa frase é abominável: “Com o fim do financiamento privado, eu tenho defendido a adoção da lista fechada”. Mas o que ele deveria ter dito é: “Com o fim do financiamento privado, eu tenho defendido o fim do financiamento público e o retorno do financiamento privado”. Porém, a sequência lógica adotada por ele é um acinte.

O eleitor não votou em Rodrigo Maia para ele ajudar a aumentar o poder de partidos como PT, PCdoB e PSOL, não importa se por erro de julgamento ou má-fé.

Creio que vale – por alguns dias – tratá-lo como “um enganado” que deve refletir sobre suas decisões. Enquanto isso, cabe a nós pressioná-lo e colocá-lo sob extenso questionamento.

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1 COMMENT

  1. A frase deveria ser “Com o fim do financiamento privado, eu tenho defendido a adoção do Voto Distrital puro. Divide em X distritos por tamanho populacional e cada um elege UM deputado. Em caso de afastamentos/cassação, assume o segundo colocado”.

    – Campanhas Baratas
    – Ninguém mais se afasta para ocupar cargos, para não dar vez aos adversários
    – Povo no cangote

    Seja honesto, Maia!

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