Enganado ou enganando? Ou: A crítica de alguns liberais à extrema-esquerda precisa deixar de ser "conselho de pai".

3
193

Quando alguém de extrema-esquerda resolve criticar a direita, diz que seu adversário é um agente do imperialismo e das elites. Por isso, esse adversário é definido como alguém que tem a intenção de ver os pobres sofrerem, para que as elites que apoiam consigam se aproveitar desse sofrimento.

Enquanto isso, alguns liberais dizem que seu oponente “está enganado sobre a economia”. Não são vistos como pessoas que querem ver os pobres sofrerem e nem causar racionamento. São apenas “vítimas de engano”.

A razão disso é um fenômeno de infantilização política que defino como fé cega na crença. Os liberais acometidos por tal síndrome não possuem nenhuma evidência para dizer que o socialismo se baseia em pessoas “enganadas”. Na verdade, os socialistas estão enganando o povo, pois querem deliberadamente ver o povo sofrer, uma vez que, para eles, o importante é o projeto totalitário de poder do partido.

Um exemplo claro está na questão da invasão das escolas. Eles lutam contra a PEC antipedalada e a reforma do ensino médio. A PEC antipedalada serve para controlar os gastos públicos, reanimar os investidores e atrair empregos. A reforma do ensino médio tem por fim aumentar a empregabilidade dos alunos. Ao ficar contra as duas medidas, os socialistas querem afugentar os empregos e tirar a empregabilidade dos alunos. É uma crueldade extrema, mas tudo em nome de um projeto de poder. Eles sabem o que querem.

Vale uma ressalva: eu concordo com o Arthur, do canal “Mamãe Falei”, quando ele entrevista os alunos que são massa de manobra e demonstra seu desconhecimento diante da lei que criticam. Mas isso não vale para os líderes dos movimento, que conhecem exatamente as leis. Eles lutam contra a lei exatamente por saberem que ela evita o saqueamento estatal, que é o único interesse desses líderes. Assim, os estudantes que estão funcionando como massa de manobra podem ser “enganados”, mas os líderes são enganadores. Eles não estão enganados quanto às duas leis. Estão enganando os outros.

Seja lá como for, quase sempre que adotamos a visão de que o oponente está “enganado” praticamente desistimos da real crítica política. Em vez disso, adotamos o “conselho de pai” como forma de discurso. Tratamos o oponente político não como um real adversário, mas como um filho que precisa ser aconselhado.

É como o caso em que um sujeito é preso após estuprar uma mulher. A sociedade se revolta e aponta o dedo: ele praticou uma violência cruel contra uma mulher. O pai do preso, no entanto, diz que “o filho precisa de uns bons conselhos a respeito de como tratar melhor uma mulher, por isso deve ter se enganado e não deveria estar preso”. Quer dizer, a sociedade está criticando o criminoso. O pai está apenas aconselhando-o.

Felizmente, como já disse, não á toda direita liberal que cai nesse delírio. Já existem muitos liberais que criticam de verdade a extrema-esquerda. Mas, infelizmente, ainda há muitos que se recusam a ver as intenções dos socialistas como elas são.

O que precisamos é que eles parem de dar conselhos de pai e adotem a crítica política.

Curta-nos e siga-nos no Facebook para receber todas nossas atualizações!

Para adquirir o livro “Liberdade ou Morte”, você pode consultar o site da Livraria Cultura ou da Saraiva.

Anúncios

3 COMMENTS

  1. Mais uma vez você é preciso na argumentação. Se há lições positivas a se tirar de toda a crise política e econômica na qual o petismo mergulhou o país, uma delas é essa: poder hoje enxergar as reais intenções de pessoas, grupos e partidos aliados da esquerda, a partir das escolhas políticas feitas por cada um e não do falso discurso sobre luta por igualdade social e democracia. Na pratica o socialismo representa, para a esmagadora maioria da população, tão somente pobreza e escravidão.

  2. Exatamente, Luciano. Tudo certinho. Como o Arthur do canal mamaefalei fez é certo até a entrevista com os idiotas úteis é valida o modo como é feita dentro dos debates de idéias, mas como os líderes do movimento q não acreditam em nada daquilo, já passou do limite do debate e é partir para desmascarar esses canalhas…

  3. Certíssimo. Temos que diferenciar os enganados dos enganadores, ajudar os primeiros, mas desmascarar os segundos.

    Luciano, você entende que existe uma dicotomia abrupta (os totalmente enganados versus os totalmente cientes) ou que existe uma graduação (quanto mais alto na hierarquia, mais consciente das mentiras e verdadeiros objetivos; quanto mais baixo nela, mais iludido)?

    * * *

Deixe uma resposta