Vice de Freixo manifesta falsa solidariedade a Crivella. Ou: o jogo sujo da extrema-esquerda não tem limites.

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Eu sempre adotei a tese da agilidade mental para explicar a diferença entre a esquerda e a direita na guerra política. No caso da extrema-esquerda diante do resto (no Brasil) a distância é ainda maior.

Vamos ao exemplo do futebol para entender o que significa agilidade mental.

Veja um time profissional agindo sem resistência oponente ao sair com a bola. Observe que em 30 segundos eles estarão na cara do gol adversário, prestes a botarem a bola pra dentro. Anote o tempo: 30 segundos.

Agora veja um outro time que tem uma discussão após a saída de bola. Um diz: “Esta bola, conforme eu me lembro, deve ser passada”. Outro jogador afirma: “Sim, eu concordo que a melhor alternativa para esse momento é o passe”. O primeiro adiciona: “Mas a bola deve ser passada ao adversário ou a alguém do mesmo time?”. O segundo: “Eu sugiro que você passe para alguém do seu time. Eu estou mais próximo. Acho que você deve passar para mim”. Note que eles estão até adequados às regras do jogo, mas não é momento para esta discussão. E pior: enquanto eles estão discutindo, o jogador do time adversário pode ter tomado a bola e aí, novamente em 30 segundos, chegado à meta adversária.

Repare que o segundo time levou 20 segundos para discutir o que fazer com a bola, perdendo-a, por bobeira, enquanto faziam a discussão. O outro time nem sequer discute mais essas coisas. Eles não precisam nem mesmo dialogar entre eles para chegar na cara do adversário. O “programa” mental adotado por eles já entende os eventos do futebol e reage com mais rapidez.

Podemos dizer que o primeiro time tem agilidade mental muito maior que a do segundo.

Na guerra política é quase sempre o mesmo. Está acontecendo isso na guerra política pela prefeitura do Rio. Embora muito a frente nas pesquisas, Marcelo Crivella pode perder a prefeitura para Marcelo Freixo pois este tem um nível de agilidade mental para a guerra política que o primeiro não possui. Durante as eleições municipais no primeiro turno, esse fator não contou tanto a favor da extrema-esquerda, pois eles estavam lutando contra uma avalanche de revelações bombásticas e o clima fúnebre de perda do poder totalitário com a saída de Dilma. Mas em um cenário mais controlado, a agilidade mental está ajudando Freixo.

Teremos mais uma prova disso com a reação abobalhada – que muito provavelmente virá – da candidatura de Crivella diante das declarações da candidata a vice-prefeita do Rio na chapa de Freixo, Luciana Boiteux. Ela simulou uma manifestação de solidariedade a Crivella a respeito da capa de baixo nível da revista Veja que divulgou um caso no qual ele foi fichado na polícia por ter lutado por um direito de propriedade.

Em post publicado no Facebook, Luciana disse que “até o Crivella tem direito a um advogado e que não pode ser considerado culpado antes de sentença penal condenatória transitada em julgado. Por isso não irei reproduzir a capa da Veja”.

Em seguida, ela disse: “Jamais votaria nele por outros motivos notórios, não por ele ter sido fichado. E repudio a campanha suja e mentirosa que ele empreendeu no 2º. turno contra nós”, escreveu. (Repare que Luciana não apenas fez o jogo cínico de simulação de falsa solidariedade, como aproveitou para atacar o oponente mais uma vez)

Obviamente, Luciana está simulando cinicamente um comportamento, pois a atuação coordenada de meios de comunicação em favor da extrema-esquerda só poderia ter ocorrido em alinhamento com a campanha de Freixo. A capa de Veja foi apenas a prestação de serviços a uma candidatura totalitária. Muito provavelmente existe a expectativa de recebimento de verbas estatais da prefeitura do Rio, caso ela vá para as mãos de Freixo.

Mas porque Luciana fez a simulação de solidariedade? Porque na guerra política, em alguns casos é vital distanciar a propaganda da fonte. Em relação aos ataques de baixo nível, é bom que alguns deles não surjam dos candidatos principais. Isso vale em especial para este caso.

O ataque feito pela Veja não poderia ter partido diretamente do PSOL, dado eles adotarem um discurso de que “a polícia é opressora”. Se fosse feita diretamente pelo PSOL, a propaganda geraria um efeito negativo entre os partidários da sigla. Logo, a Veja serve a esse propósito. O ataque é feito a partir de uma publicação contra a qual a extrema-esquerda encenou uma falsa indignação por muitos anos, principalmente para despistar. Com o serviço feito, a extrema-esquerda ainda dirá: “até a Veja mostra o perigo de Crivella”.

Se tivesse uma cognição política adequada, a campanha de Crivella colaria a Veja à campanha de Freixo, até porque os fatos apontam para isso. Mas, por falta de agilidade mental, a tendência é que os adeptos do senador cheguem à criancice de dizer: “Parabenizamos Luciana Boiteux por ter sido solidária a nós. Tamo junto!”.

Se ele fizer isso, é sinal de que já entrou na ladeira, podendo assistir a diminuição de 5 a 7 pontos em sua vantagem, semanalmente, até o dia das eleições.

A ver.

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