Que tal a direita aprender a jogar uma versão de um jogo que muitas crianças já jogaram?

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O direitista – em muitos casos, e especialmente no Brasil – é uma figura fascinante. Para a vida em geral, ele é um ser humano normal e plenamente funcional. Consegue estabelecer relacionamentos, manter empregos, efetuar negociações, jogar uma partida de futebol e, na média, age com normalidade. Porém, na hora em que vamos tratar do jogo político, ele se transforma praticamente em uma criança. Em suma, ele perde sua capacidade cognitiva no momento de tratar a política.

Francisco Razzo claramente não se enquadra entre estes direitistas deficitários. Mas preciso citá-lo para concluir o meu ponto:

Raciocínio muito rico em vitimização e retórica:

É contra o socialismo, só pode odiar os pobres.
É contra o feminismo, só pode desejar a submissão das mulheres.
É contra cotas, só pode ser racista.
É contra ocupação das escolas, só pode ser contra educação.

Há muitas outras variações que poderiam ser exploradas. No entanto, a base é a mesma: monopólio da virtude.

O padrão que Razzo identificou acertadamente é tratado de maneira muito esquisita por muitos direitistas. Caso ele tivesse dito “como pode o esquerdista ser tão focado em ter o monopólio da virtude?”, ele seria objeto de minha crítica. Mas não é o caso. Porém, muitos direitistas fazem este questionamento.

Por isso, preciso relembrar de um jogo chamado, no Brasil, de Banco Imobiliário. É um dos jogos de tabuleiro mais famosos do mundo. No original, o jogo se chama “Monopoly”. Não vou entrar aqui em detalhes sobre as regras do jogo, mas uma coisa devemos saber: era uma boa diversão para os tempos de criança.

O que precisamos é apenas da inspiração e criar um novo jogo: “monopólio da virtude”. Na realidade, a esquerda já criou este jogo há muito tempo. Estamos apenas dando um nome a ele.

Logo, assim como uma criança consegue jogar o “Monopoly”, é de se esperar que qualquer adulto consiga jogar o “Monopólio da virtude”.

Aqui estão as dicas básicas do jogo:

  • Defina os lados de um conflito
  • Fique do lado das vítimas
  • Aponte a desumanidade e a crueldade de seus oponentes
  • Se você está a favor de minorias, ótimo, pois isso conta mais pontos
  • Quanto mais próximo daquilo que é considerado como “virtude” pela audiência você estiver, mais você pontua
  • Quanto mais distante daquilo que é considerado como “virtude” pela audiência você colocar seu adversário, mais você pontua
  • O processo é recursivo

Não me parece que o jogo “monopólio da virtude” é tão complicado. Creio que é algo que podemos ensinar até as crianças da direita a jogarem. Sendo assim, por que a esquerda – em especial a extrema-esquerda – consegue jogar esse jogo enquanto boa parte da direita “trava”? E, pior, por que uma parte da direita ainda trata como se fosse absurdo o fato da esquerda “buscar o monopólio da virtude”? Na verdade, a vergonha suprema deveria ser a do direitista por não disputar esse monopólio da virtude.

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4 COMMENTS

  1. Olá Luciano. Quero chamar sua atenção para os últimos movimentos das eleições no RJ. No debate de ontem, Freixo seguiu a risca suas teorias de guerra política, enquanto Crivella fez exato oposto, alternando momentos de fuga e arrego. O resultado não poderia ser outro; Freixo ganhou 5 pontos percentuais, enquanto Crivella perdeu outros 5, somando-se 10 pontos a favor de Freixo. Fosse outro qualquer no lugar de Freixo, mas com a mesma postura diante de Crivella estaria com, no mínimo, 80% das intenções de voto. Isso porém nos leva a medir o tamanho da rejeição da esquerda. Freixo sucumbiu diante de um ataque incessante nas redes sociais, feito pela população de forma espontânea, mostrando sua verdadeira face mentirosa, autoritária e radical . O poder municipal caiu literalmente no colo de Crivella, pois a guerra política que deveria travar com Freixo foi feita pela própria população nas redes sociais.

    • Excelente análise. Se não fosse o ativismo nas redes sociais, Crivella certamente teria sido derrotado, APESAR de toda a rejeição ao Freixo e a seu conteúdo. E certamente ele não contará com isso… o que não é de todo ruim, porque francamente, Crivella e todo o partido dele são uma merda. E podem ser qualquer coisa, menos direita.

  2. Esse post ficou bom e na minha opinião acaba por mostrar outro motivo porque a direita leva porrada em muitos debates.

    Se você não faz nenhuma militância ou defesa prévia de determinada classe social (trazer para si o monopólio da virtude), como você quer aparecer na véspera de uma eleição posando de representante daquela classe? Qualquer discurso vai por água abaixo.

    Fica claro que só a esquerda joga assim. Quando fizeram a Escola sem Partido, a esquerda não dormiu no ponto e rebateu com o Escola sem Mordaça.

  3. Vídeo educativo massivo (3 horas)

    – Leitura e explicação da cartilha comunista

    – Demonstração completa da inviabilidade de Bolsonaro no cenário atual

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