A perseguição vergonhosa de Políbio Braga ao MBL só ajudou a campanha de Melo a afundar ainda mais

7
201

Um dos mitos nos quais eu nunca caí é aquele que fala dos jornalistas “isentos” ou “imparciais”, principalmente porque eu não caio na falácia de julgar as coisas por idealizações. Afirmar que um jornalista “deve ser imparcial” é trabalhar com a expectativas irreais. Os jornalistas tem lado. O problema é quando faltam com a verdade ao demonstrarem de que lado estão.

É uma pena que o competente jornalista Políbio Braga tenha perdido a mão nessas eleições ao ter apelado tanto enquanto ficou do lado da campanha de Sebastião Melo, do PMDB. Novamente ressalto: o problema não é ficar do lado de Melo, mas utilizar recursos moralmente questionáveis neste intento.

Por exemplo, eu fiquei do lado da campanha de Nelson Marchezan Junior. Eu torcia por ele, até por ter os mesmos ideais de focar em aumentar a eficiência do estado. Mesmo assim, não divulguei nenhuma informação falsa para ajudar o candidato. Atuei na desconstrução de oponentes – prática legítima na política -, mas não inventei informações para fazê-lo. No geral, publiquei imagens, evidências e expus as declarações contraditórias de oponentes.

Uma pena que, para apoiar o candidato derrotado Melo à prefeitura de Porto Alegre – Marchezan teve 60,5% contra 39,5% de Melo -, Políbio não tenha tido o mesmo apego à verdade. Que isto fique aqui como uma crítica construtiva, principalmente em razão do respeito que sempre tive pelo profissional que Políbio sempre foi. Que ele reflita sobre o que fez.

O começo da baixaria

A baixaria começou logo após a morte do coordenador da campanha de Sebastião Melo, Plínio Zaslewski.

Em 18 de outubro, Políbio tentou associar Arthur do Val à morte de Zaslewski, que teria cometido suicídio. Segundo a narrativa baixa adotada pela campanha de Melo, tudo teria decorrido de “pressão” por causa de um vídeo feito por Arthur. Políbio escreveu:

Nas últimas semanas, além de processos judiciais em varas cíveis e criminais, junto à Justiça Eleitoral e até ao Tribunal de Justiça, o candidato Marchezan Júnior fustigou Zalewski de modo recorrente. Em quase todas, o tucano resultou derrotado nos pedidos de liminares. A investida de Marchezan Júnior ocorreu durante o mesmo período em que o peemedebista e a família sofriam ameaças, perseguições e campanas, como também na mesma época em que um elemento ligado ao MBL, que apóia o tucano, passando-se por jornalista, moveu perseguição implacável sobre Plínio, inclusive dentro da Assembléia Legislativa. 

Toda a narrativa de que “Plínio foi perseguido” é mais falsa que propaganda de pasta de dente, citando

as provocações do “jornalista” ligado ao MBL, que apoia oficialmente Marchezan Júnior em Porto Alegre.

Na verdade, como comprovei aqui, foi Melo quem desafiou Arthur a ir ao MPF denunciar Zaslewski. Logo, quem expos seu coordenador foi o próprio Melo, que teve a oportunidade de prestar todos os esclarecimentos, mas, arrogantemente, preferiu desafiar um cidadão. Essa informação foi omitida da “análise” de Políbio. Não existiu nenhuma “perseguição implacável sobre Plínio, inclusive dentro da Assembléia Legislativa”, mas apenas a busca de informações sobre um servidor público. Não vivemos em uma ditadura, que proibiria as pessoas de buscar essas informações.

Aqui Políbio já havia pisado na bola. E feio.

“Práticas quase fascistas”? Wtf…

Em seguida, Políbio endossou outra narrativa furada, a de um tal Ricardo Giuliani, que teria dito que o MBL usa “práticas quase fascistas” contra Melo. Políbio ficou de bico calado, e nem comentou sobre o que seriam práticas “quase fascistas”. Questionar e investigar servidores públicos virou fascismo agora?

No dia 20 de outubro, Políbio partiu de novo para o ataque contra Arthur do Val, dizendo que ele “se envolveu em outra confusão, desta vez em Curitiba”. Políbio disse: “ele foi acusado de agressão e estupro, mas nega tudo”.

O engraçado é que Políbio inverteu o ônus da prova, pois eram as acusadoras que deveriam comprovar o crime de estupro. Aliás, elas retiraram a queixa por não terem provas. Era claramente tudo inventado. Essa informação foi claramente omitida por Políbio, que escreveu:

Ele viaja pelo País à caça de adversários que se opõem  às teses do MBL. Ontem, em Curitiba, foi contra os críticos do tucano Beto Richa, mas na semana passada foi contra os adversários do tucano Marchezan Júnior.

É curioso que ele trata aqui o questionamento a opositores de ideias como uma “caça”. Um tanto autoritário, não?

Este é outro trecho mais constrangedor ainda:

O jornal Gazeta do Povo, com o qual o editor entrou em contato ontem a noite, contou que três integrantes do MBL para gravar vídeos de provocação com estudantes que ocuparam o Colégio Estadual do Paraná. Arthur estava entre eles. Alunos e ativistas entraram em confronto.

O que é um “vídeo de provocação”? Na verdade, foram vídeos de questionamento. Se a extrema-esquerda entende que o questionamento é uma provocação, o problema está com o questionado, não com o questionador. Aqui, Políbio também mentiu, pois não aconteceu um “confronto entre alunos e ativistas”. Arthur e os membros do MBL, que o acompanhavam, foram agredidos.

E o programa do Melo repetia toda a narrativa abestalhada de Políbio…

Na mesma data (20 de outubro), Políbio comentou o programa de Melo que – sem surpresa – usou a mesma narrativa já adotada antes por Políbio, nos levando a suspeitar de que o jornalista poderia até ter atuado como spin doctor do candidato do PMDB. Veja trecho da matéria:

Ao contrário do tucano Marchezan Júnior, que aproveitou a retomada dos programas de rádio e TV para pedir paz, o candidato do PMDB, Sebastião Melo (foto ao lado, ontem a noite na TV), avisou que não haverá paz enquanto o tucano não explicar por que razão o MBL perseguia Plínio Zalewski.

E ensinou:

– Paz a gente não pede, pratica.

As estocadas de Melo continuarão.

Sebastião Melo citou supostas perseguições a Plínio Zalewski, ex-coordenador do seu plano de governo. Durante três minutos, fustigou Marchezan Júnior sem parar:

– Finalmente ele falou de paz, usando o episódio da trágica morte de Plínio. Tens que parar, Marchezan. Tens que explicar qual a tua relação com o Movimento Brasil Livre, o MBL, que persegue pessoas, como fizeram dom nosso querido amigo Plínio, que acabou perdendo a sua vida.Eu é que peço, deputado: isso tem que parar. 

Creio que não restam dúvidas de que a narrativa de Melo era igual à narrativa de Políbio. Se este não foi um spin doctor da campanha de Melo, ao menos serviu como fonte de inspiração. Ou quem sabe tiveram os mesmos sonhos, não é mesmo?

MBL, o braço “armado”… de questionamentos

Em outro texto, Políbio disse: “Como se sabe, o MBL é braço armado do PSDB do RS, como ficou demonstrado no episódio do coordenador do plano de governo de Sebastião Melo, Plínio Zalewski.”.

Braço armado? Só se o questionamento for uma arma, pois foi exatamente esse o único artefato que utilizaram para obter informações que complicaram Melo.

Em 25 de outubro, Políbio escreveu:

MBL recuou em Porto Alegre, tudo depois que um dos seus coordenadores, Arthur do Val, moveu cerradas perseguições “jornalísticas” ao coordenador do plano de governo de Sebastião Melo, que se suicidou.

Na verdade, não existiu “recuo” algum. Havia uma questão urgente a ser tratada em Curitiba, pois era preciso ajudar os pais e mães de alunos, além dos próprios alunos, que estavam impedidos de entrar nas escolas.

O engraçado é que ele seguia na campanha baixa de tentar associar o MBL à “perseguições” que teriam algo a ver com a morte de Zaslewski.

Em outro momento do mesmo texto, Políbio escreve:

O movimento “Ocupa Paraná”, que organiza as 800 invasões de escolas do Paraná, culpou o governo pela violência. Ele tirou nota para dizer que o governo estimula alunos e pais contrários às ocupações, levando-os a agir com força. Na semana passada, agentes do MBL, inclusive um dos seus coordenadores, Arthur do Val, envolveu-se em briga de rua ao confrontar alunos do Colégio Estadual do Paraná. A partir daí os ânimos acirraram-se em Curitiba.

Arthur também esteve em Porto Alegre a serviço do MBL, fazendo provocações políticas em favor do candidato Nelson Marchezan.

Engraçado que Políbio entrou aqui no clima de “tudo que a extrema-esquerda diz é verdade”, mesmo sem evidências para comprovar que Arthur teria “confrontado alunos”. Ele seguiu com a narrativa de que Arthur estava a “serviço do MBL” – sem comprovar qualquer tipo de contratação, pois, na verdade, o que ocorreu foi uma divisão dos custos de gasolina para viagem –  e ainda disse que faziam “provocações políticas”.

Juliana Brizola não tinha provas, mas convicção… e Políbio “acreditou” em tudo

Em 26 de outubro, Juliana Brizola propagava a narrativa mentirosa  – e que será rebatida com um processo por parte dos integrantes do MBL – de que teria sido agredida por um dos integrantes do movimento. Ela não apresentou evidências dessa ligação, mas, mesmo assim, criou uma falsa associação:

A deputada Juliana Brizola identificou. esta manhã. o homem que a confrontou ontem ao meio dia na Esquina Democrática, conforme denúncia que ela registrou na 17a. Delegacia de Polícia. Ele não é paulista, mas gaúcho. Na sua página no Facebook, Rafinha BK explicou que estava apenas tentando entrevistar Juliana Brizola. Ele não é jornalista, mas como youtuber segue a mesma linha do coordenador nacional do MBL, Arthur do Val, que há três semanas encurralou o coordenador do plano de governo de Sebastião Melo, Plíno Zalewski. Depois da exibição dos videos feitos pelo coordenador do MBL, Zalewski suicidou-se.

Rafinha BK, como o MBL, apoia publicamente o candidato Nelson Marchezan, como é fácil perceber pelo exame do  Facebook do youtuber, onde há farta propaganda do tucano.

O modelo de incursões “jornalísticas” do gênero Mamaemata tem sido replicado em muitos locais do Brasil.

Em 28 de outubro, Políbio multiplicou outra narrativa farsesca da extrema-esquerda: a de que o MBL teria “feito confusão” ao “forçar desocupação de escolas” em Curitiba:

Esta manhã, homens do MBL tentaram desocupar por conta própria os Colégios Pedro Macedo e Lysimaco Ferreira da Costa nos bairros Água Verde e Portão e usaram carros de som e pressão para que os estudantes deixassem os colégios. Depois de muito bate-boca e ameaças de agressão física, o pessoal do MBL foi retirado da área pela PM.

Neste outro post, em que Eder Lopes desmascara um jornalista do UOL, todas as alegações acima vão para o ralo. O que importa, para nós, é demonstrar como Políbio começou a propagar narrativas farsescas da extrema-esquerda sem nenhuma preocupação com a veracidade.

E, como não poderia deixar de ser, ele tenta a carta da falsa acusação de fascismo

Ainda no dia 28 de outubro, Políbio se saiu com uma opinião, dizendo que “o MBL resvala para a ilegalidade no Brasil”:

O Brasil dispensa os camisas negras.

Os incidentes políticos protagonizados pelo MBL em Porto Alegre, semana retrasada, e Curitiba, hoje (leia a seguir) demonstram que o movimento resvala perigosamente para quadrantes da ilegalidade.

O MBL não conseguiu impedir que o sucesso das jornadas do impeachment lhe subisse à cabeça, considerando que o êxito coletivo da sociedade foi obra exclusiva sua.

O estado democrático de direito não precisa de guardas pretorianas, porque a república demonstrou que funcionam a pleno as suas instituições – Judiciário, Executivo e Legislativo.

Se há alguma coisa de que a sociedade brasileira não precisa, é de guardas vermelhos e camisas negras.

O problema é que os camisas negras estavam do lado dos invasores de escolas: eram os black blocs. Enquanto isso, Políbio, em todos seus repetitivos textos, não conseguiu apresentar uma evidência sequer de ilegalidade cometida pelo MBL, até porque, de acordo com a Constituição, não há nada de errado em questionar pessoas educadamente. Dar voz aos pais e mães de alunos, bem como aos alunos que querem estudar, também não é ilegal.

Mas eis que vemos isso escrito hoje, depois que Melo tomou uma sova nas urnas, perdendo por 21 pontos de diferença:

Ao final e ao cabo, Porto Alegre demonstrou que não quer mais ser governada pela esquerda de corte marxista e neomarxista, condenada às profundezas do inferno pelas heranças malditas deixadas pela ex-presidente Dilma Roussef e pelo ex-governador Tarso Genro, mas também pelas ruinosas administrações de Raul Pont, João Verle, Olívio Dutra e Tarso Genro, na prefeitura da Capital.

É engraçado que ele cite o legado da extrema-esquerda, mas, em todas suas narrativas, adotou a retórica da mesma extrema-esquerda tentando defender Sebastião Melo. Vejamos:

  • A candidata a vice de Sebastião Melo era Juliana Brizola, do PDT e tiete de Dilma
  • A extrema-esquerda apoiou em peso a candidatura de Melo
  • As milícias que foram questionadas pelo MBL nas escolas eram de extrema-esquerda
  • Os truques de fingimento utilizados pela campanha de Melo demonstram o cinismo típico da extrema-esquerda
  • A encenação de Juliana Brizola para fingir ter sido agredida por um membro do MBL (que não pertencia ao movimento na verdade) é um truque tradicional da extrema-esquerda
  • Toda essa obsessão por atacar o MBL foi feita para agradar aos eleitores da extrema-esquerda, numa tentativa desesperada de coletar votos de um grupo que odiava o MBL, por causa do impeachment de Dilma

Era notório que a campanha de Melo adotou a estratégia de tentar buscar votos de partidos como PT, PCdoB e PSOL, e por isso passou a tentar a atacar o MBL. Como se vê, foi uma estratégia burra. Mas Políbio ia ajudando Melo a descer a ladeira. Todos nós apenas assistíamos o desastre tático.

E agora, Políbio, você vai pedir desculpas para o MBL?

Pensando bem, você talvez podia pedir desculpas para a campanha de Melo, pois em vez de alertá-lo a não usar os estratagemas da extrema-esquerda, o apoiou numa decisão tática burra. Como resultado, a campanha de Melo afundou ainda mais do que esperávamos…

Curta-nos e siga-nos no Facebook para receber todas nossas atualizações!

Para adquirir o livro “Liberdade ou Morte”, você pode consultar o site da Livraria Cultura ou da Saraiva.

Anúncios

7 COMMENTS

  1. Fiz mais de 50 comentários no site de Políbio, criticando-o justamente dessa forma estúpida de fazer campanha!! O pior é que TUDO O QUE O MBL afirmou é a MAIS PURA VERDADE!! Não mentiram em nenhum momento!! Políbio terá trabalho pela frente se quiser recuperar pelo menos parte dos seguidores do seu blog!

  2. – Políbio surtou!
    Eu nem o reconhecia nos últimos artigos tão cheios de distorções e exageros.
    Ele já vinha, há tempos, fazendo críticas ácidas a Marchezan por seu comportamento autoritário dentro do PSDB (aquele partido em que ninguém se entende), e sendo Polibio um defensor ferrenho de Yeda Crusius, suspeito que ele tenha tomado partido dela e ficado contra Marchezan. Não encontro outra explicação pra tanto delírio.

  3. Realmente, Polibio esteve irreconhecível nessas eleições. Mais grave ainda é o fato dele continuar sustentando a versão do sucídio de Plínio Zalewski. Ouça o que diz o jornalista Vitor Vieira, editor do blog Videversus e comentarista na RadioVox, sobre o caso.

Deixe uma resposta