O que há no discurso pós-derrota de Marcelo Freixo?

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Após ter sido derrotado nas urnas, o candidato do PSOL Marcelo Freixo fez um discurso repleto de frames e com muitos rótulos ao seu adversário. Grande parte da direita considerou que, por ele ter dito que “venceu as eleições”, ele estaria necessariamente louco ou sendo apenas hipócrita. Contudo, há bem mais do que isso.

Uma coisa que é preciso ter em mente quando falamos de eleições é que os candidatos, ainda que acreditem em seus projetos políticos ou mesmo que tenham muito desejo de ganhar, geralmente sabem quais são suas reais chances. Freixo certamente sabia que não tinha muitas possibilidades de vencer esta eleição, e para um partido como o PSOL o fato de ter alcançado o 2º turno na segunda maior cidade do país já é, de fato, meia vitória, mesmo que numericamente Freixo tenha ganhado menos votos este ano do que em 2012. O que importa são os holofotes, e neste caso estar no 2º turno é bem melhor do que não estar.

Quando Freixo disse que eles “venceram esta eleição”, pode-se tirar disso duas conotações. A primeira e mais óbvia é o reforço da própria militância, pois ele quer evitar que a derrota cause desânimo em suas próprias fileiras. E não custa repetir, é certo que o próprio soubesse que seria derrotado, de modo que tal discurso foi pensado com antecedência.

Outra conotação possível é a de explorar vantagens, tentando tirar proveito onde muitos nem veriam proveito algum. Se pensarmos bem, mesmo derrotado Freixo teve uma boa votação, e a sua derrota não chegou a ser tão humilhante quanto se esperava. Fazendo uma rápida comparação, em 2014 Freixo foi eleito deputado estadual com 350.408 votos, sendo que ontem ele teve 1.163.173 votos, o que é mais do que o triplo. Há diversas explicações possíveis para esse fenômeno, e em outro artigo, que será postado ainda hoje, trarei esta abordagem. Por enquanto o objetivo é analisar mais o discurso propriamente.

Em outra parte de seu discurso, Freixo disse o seguinte:

“A gente sabe que enfrentava de um lado o fundamentalismo político e de outro um desânimo muito grande. Conseguimos  reverter a desesperança de muita gente.”

O trecho acima se enquadra perfeitamente em pelo menos dois dos pilares da Guerra Política instituídos por David Horowitz, que disse que a política é uma guerra de posições, e que também disse que a posição é definida por medo e esperança. No caso, Freixo coloca o seu lado como o lado da esperança, e ao mesmo tempo rotula sem adversário como “fundamentalista”, evocando com isso o medo. Ele fala de desânimo, mas depois diz que “conseguiram reverter” a falta de esperança de muita gente. É um uso bastante claro da rotulagem e um bom uso de frames.

A verdade é que a direita precisa, de fato, se preocupar com Freixo. Ele certamente saiu dessa eleição fortalecido, e é provável que tente alçar um cargo maior em 2018, algo como deputado federal ou, talvez, até senador. Com a votação que ele fez ontem, e se somarmos ainda os votos de uma possível coalizão de extrema-esquerda, ele realmente poderia vir a ser senador pelo Rio de Janeiro, o que seria apenas mais um passo em direção a uma futura candidatura a presidência.

Freixo não é burro. Muito pelo contrário, é um dos políticos da extrema-esquerda mais espertos que atuam hoje. Ele sabe se posicionar bem no jogo e é bom com as palavras, por isso é um adversário bem perigoso.

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4 COMMENTS

  1. Um dado importante é que o PSOL elegeu seis vereadores, dobrando o número de seus representantes na Câmara do Rio e se tornando a segunda maior bancada, depois do PMDB, com dez vereadores. Isso é um dos objetivos declarados do partido do Freixo, ocupar espaços no legislativo. Eles não podem ser vistos como amadores, nem loucos, nem equivocados. E vão ficar na briga contra a prefeitura do Crivella.

  2. Creio que o PSOL hoje é o maior inimigo da democracia brasileira, o que mais apresenta as estratégias sujas do Marxismo Cultural e seus derivados, sendo ainda mais sujo que PT e PCdoB.
    Também vejo que Freixo pode ser candidato a Senador, assim como o Bolsonaro. Não imagino esses caras disputando a presidência sem ter apoio, dinheiro e tempo de TV.
    Acho que é importante utilizar as incoerências do Freixo contra ele mesmo no futuro. Esse é um benefício da internet, você pode salvar os erros dele para jogar contra ele no futuro.

  3. Tive a mesma impressão. Mais de um milhão de votos só no Rio para um candidato de extrema esquerda mostra que mesmo derrotado, Freixo consegue ser um canalizador de votos. Não se pode dormir no ponto com um adversário assim.

  4. Não vejo por esse lado, todos esses votos que ele ganhou vieram do fato de que muitos eleitores dessas regiões mais ricas da cidade tem sim preconceito para com as igrejas evangélicas inclusive pela IURD do tio de Marcelo Crivella daí a quantidade grande de votos de Freixo e a enorme quantidade de votos nulos e em branco que deixaram Freixo em terceiro lugar ou seja analisando o que levou muita gente votar em Freixo foi o preconceito puro e simples contra a religião de Crivella. Não vejo Freixo disputando a presidência em 2018, ele pode até sair candidato mais não irá pro segundo turno pois fora do Rio ele não é conhecido como Bolsonaro é conhecido portanto no máximo o vejo sendo candidato a governador no máximo.

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