Sova tomada pela extrema-esquerda poderia ser ainda pior sem nossa fé cega na crença

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A situação da extrema-esquerda já estava feia no fim do primeiro turno, mas após o fechamento das urnas ondem – no fim do segundo turno – a coisa degringolou de vez. Principalmente quanto aos petistas, a tropa socialista foi ao fundo do poço.

Augusto Nunes levantou 10 pontos para demonstrar em que pé as coisas estão:

1. Em 2012, o PT foi vitorioso em 638 municípios, cujas populações somavam 38 milhões de pessoas. Neste ano, venceu em apenas 254, habitadas por 5,9 milhões de brasileiros.

2. Nove partidos elegeram mais prefeitos que o PT.

3. Rio Branco, no Acre, será a única capital governada por um petista nos próximos quatro anos.

4. Com exceção de Rio Branco, o PT perdeu a eleição em todas as cidades brasileiras com mais de 200 mil eleitores.

5. Os sete candidatos do PT que chegaram ao segundo turno foram derrotados.

6. No ABC paulista, berço do PT, nenhum candidato do partido foi vitorioso.

7. Por falta de convite, Lula não participou de um único comício durante o segundo turno.

8. A pedido do candidato João Paulo, Lula ficou fora da campanha no Recife, única capital em que o PT disputou o segundo turno.

9. Eleitora em Porto Alegre, Dilma Rousseff desistiu de votar neste domingo por falta de candidato.

10. Eleitor em São Bernardo, Lula desistiu de votar neste domingopor falta de candidato.

Realmente é uma situação calamitosa (o que não significa que estão mortos, por isso temos de manter a precaução e a luta). Poderíamos até ter pena se eles não fossem tão mal intencionados quanto perigosos para a democracia.

Mas e se eu lhe dissesse que poderíamos ter um desempenho ainda melhor na demolição do pensamento totalitário?

O fato é que um resultado ainda melhor poderia ocorrer se o número de manifestações de “fé cega na crença” – por parte da direita – fosse menor. Com menor incidência deste comportamento, a rejeição à extrema-esquerda talvez alcançasse escala ainda mais grandiloquente.

O vídeo abaixo, de Octávio Henrique, dá uma boa explicação sobre a fé cega na crença:

Agora observe alguns trechos de um texto do direitista liberal Joel Pinheiro da Fonseca, com várias instâncias de fé cega na crença (localizadas nos grifos):

Nada disso é novidade. É herança da velha esquerda, que aceitava a democracia como uma concessão momentânea à política burguesa, desde que levasse à revolução. A diferença é que, sem a possibilidade da insurreição (ainda mais depois de dois anos invocando o amor à ordem legal que seria violada com o impeachment), resta apenas acusar e reiterar a própria virtude.

E fica a pergunta: se votar é tomar parte na luta eterna do bem contra as forças obscurantistas do mal, qual o grande mérito da democracia?

Quem perdeu no Rio foi uma elite intelectual, artística e universitária que se considera, com a mais pura sinceridade, mais esclarecida e moralmente superior ao resto do país; pessoas que ela secretamente odeia e das quais, ao mesmo tempo, espera total adesão. Uma classe que tem ojeriza visceral à classe média, que considera religião falha de caráter e que demoniza a ambição de subir na vida.

Por isso, chegou-se ao óbvio: fora a questão de se suas propostas funcionam ou não, se são boas ou más para a sociedade –na minha opinião, seriam catastróficas, mas essa é outra discussão–, a crença incondicional na pureza de seus ideais foi usada pela classe política que dela se beneficiava para promover os maiores esquemas de corrupção da história do nosso país.

A fé humilde dos crentes possibilitou a esbórnia dos bispos. Curiosamente, não estou falando da Igreja Universal.

Observe que todas as palavras de Joel demonstram uma crença inabalável na alegação de que os socialistas realmente acreditam no que estão dizendo. Para ele, o socialismo não é um método de obtenção de poder totalitário com foco na aquisição de volumes torrenciais de verbas estatais, mas uma “vontade de melhorar o mundo”.

Quer dizer: por essa lógica, um fraudador de bilhete premiado não é um picareta, mas alguém desejoso de transformá-lo em um milionário. Um sujeito que roubou a senha e o número de cartão de crédito não é alguém querendo afanar tua grana, mas gerenciar teus recursos. Todos são pessoas “querendo o bem, em projetos que no fundo não dão certo”. Quem acredita nisso, acredita em tudo.

Como consequência, Joel não efetua uma crítica política, mas um “conselho de pai”. Como escrevi:

É como o caso em que um sujeito é preso após estuprar uma mulher. A sociedade se revolta e aponta o dedo: ele praticou uma violência cruel contra uma mulher. O pai do preso, no entanto, diz que “o filho precisa de uns bons conselhos a respeito de como tratar melhor uma mulher, por isso deve ter se enganado e não deveria estar preso”. Quer dizer, a sociedade está criticando o criminoso. O pai está apenas aconselhando-o.

Com a fé cega na crença, as críticas ao oponente são muito mais leves do que normalmente seriam se o crítico olhasse para a realidade.

Em relação às invasões de escolas, não falaríamos de pessoas “que não entendem a PEC 241”. Ao contrário, denunciaríamos pessoas que conhecem o projeto de lei e possuem segundas intenções com suas ações. Não estaríamos desmascarando pessoas que “não compreenderam a reforma do ensino médio”, mas aqueles que querem prejudicar a vida dos estudantes e facilitar a vida dos doutrinadores. Ou seja, não acreditamos que o oponente possui “as melhores intenções do mundo” quando não há uma evidência sequer para acreditarmos nessas boas intenções. (Em tempo: no questionamento aos alunos doutrinados, que às vezes não sabem o que dizem, é até possível adotar uma certa benevolência. Mas sempre é bom demonstrar a má intenção de seus doutrinadores).

Seja lá como for, se reduzíssemos as manifestações da fé cega na crença, a rejeição à extrema-esquerda seria hoje ainda maior. Sempre que a fé cega na crença se manifesta, as críticas são “amaciadas”. É quando trocamos a crítica política por “conselhos de pai”.

A extrema-esquerda hoje está mal das pernas em razão dos inúmeros escândalos de corrupção e da destruição de nossa economia. Se dependêssemos apenas das críticas políticas de pessoas dizendo que os socialistas “possuem boas intenções que dão errado” ou “ainda não aprenderam a ajudar os outros na economia”, talvez eles nem tivessem ainda saído da liderança no poder.

O mais crítico em toda essa situação é que não precisamos da fé cega na crença. Podemos jogá-la fora e trocá-la pela realidade. Ou por uma paçoquinha.

Uma vez que alguém tenha abandonado a fé cega na crença, suas críticas ao adversário da extrema-esquerda se tornam muito mais contundentes. As pessoas que te ouvirem ficarão muito mais indignadas diante do adversário. A consequência é o aumento de rejeição do oponente.

Pense nas possibilidades. Basta deixar de manifestar uma ingenuidade imperdoável e abandonar a crença infantil e sem fundamento nas “boas intenções do socialista”. Em seguida, é só julgar o adversário por suas ações, e não pelo que ele diz de si próprio.

Com certeza, isso complicaria muito mais a vida da extrema-esquerda na arena do debate político.

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1 COMMENT

  1. É claro que houve uma redução expressiva da participação do PT na administração pública, evidenciado pelo resultado das eleições. Porém, o PT já esperava um mau resultado. Portanto, o partido trabalhou com a redução de danos. Isto significa que muitos políticos e filiados do PT mudaram de legenda antes do pleito para se livrar do fardo que se tornou a estrela vermelha. Mas isto não significa um mudança de consciência ou correção de caráter. Isto significa que muitos petistas migraram para outras legendas, onde continuarão a nos vender o mesmo veneno ideológico sob novos rótulos. É claro que ficaremos atentos!

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