A vitória de Kalil em BH foi conquistada pela inteligência marqueteira

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Minas Gerais é um estado que desde 1995 tem ficado sob o controle de PSDB, PMDB e PT. Sua capital, Belo Horizonte, vem sendo comandada por PSDB, PT e PSB. O atual governador, Fernando Pimentel, é do PT, e ele foi prefeito de BH por dois mandatos na década passada. Os últimos dois governadores antes dele foram Anastasia e Aécio Neves, ambos do PSDB.

Com esse quadro, dá para imaginar a enorme insatisfação popular com estes partidos, certo? O prefeito eleito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, chegou a se filiar ao PSB em 2014 para ser candidato a deputado federal, mas mudou de ideia pouco tempo depois e desistiu, se desfiliando do partido. Sendo assim, pode-se dizer que Kalil ‘não era um político’ até poucos dias. Ao menos não era assim que ele era visto.

Kalil é um investidor e empresário do ramo esportivo, foi candidato oficialmente pela primeira vez e, na prática, apresentou-se como um “não político”, uma estratégia inteligente para surfar na onda do momento. O fenômeno que ajudou Kalil a vencer também é o mesmo que deu vitória a João Dória em São Paulo, com a diferença de contexto local.

No vídeo abaixo, veja uma parte dessa estratégia:

Com um slogan que diz “Chega de político, é hora de Kalil”, logo após um vídeo que mostra uma aliança entre PT e PSDB, ele já ganhou terreno. Seus oponentes foram rotulados, enquanto ele se mostra como não-político.

Outro ponto que pesou a favor de Kalil foi seu jeito meio desleixado. O homem claramente não se importa em falar de forma grosseira, e da forma como faz ele soa mais ‘humano’, sem aquele típico retoque e sem a fala empolada que normalmente os políticos usam. No vídeo logo abaixo, após sua vitória, pode-se notar que ele fala um palavrão sem se importar minimamente com isso, assim como Lula fazia nos anos 90.

Após sua vitória ter sido confirmada no domingo, Kalil surgiu com um discurso ‘neutro’ e apaziguador. Disse que sua gestão irá dialogar com o PT do governador Pimentel, com o PSDB, com o PMDB de Michel Temer. Ele chegou até mesmo a dizer que sua gestão será “apartidária”, e disse que “acabou a mortadela, acabou a coxinha, agore é quibe.”

Percebem o padrão? Kalil se vendeu como alguém distante da política tradicional, ele se mostrou “acima” dela. Durante a campanha, enfrentou João Leite, adversário do PSDB, o mesmo partido que anos antes havia dado apoio, junto com o PT, para o atual prefeito que é do PSB, o mesmo partido ao qual ele próprio foi filiado em 2014.

Agora a prefeitura de Belo Horizonte ficou com o PHS (Partido Humanista da Solidariedade). O estatuto deles discorre sobre a defesa da primazia do trabalho sobre o capital, do direito à propriedade privada, da doutrina social-cristã, da intervenção estatal na economia e da formulação de programas assistencialistas para “distribuir renda”. Critica o liberalismo econômico e o comunismo. Ou seja, atira pra todos os lados.

Obviamente Kalil não é nada do que disse. Ele é, isto sim, um cara muito esperto. Muita gente nem notou, mas sua candidatura foi apoiada pela REDE e pelo Partido Verde. O que o fez vencer João Leite neste 2º turno foi a inteligência marqueteira de se vender como um ‘não-político’, de manter o jeitão meio rude de falar, de mostrar seus oponentes como se fossem todos farinhas do mesmo saco.

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  1. Prezado Ayan, o vice do Kalil, Paulo Lamac, foi membro do PT por vários anos. Ele foi para a REDE a pouco tempo. O marketeiro que está por tras disso é o G@briel Azevedo, vereador eleito por BH. Ele é advogado e trabalhou muito tempo no PSDB. Eu recomendo que você leia o perfil dele. Independente de suas convicções, o cara é um gênio.

    https://www.facebook.com/gabriel.azevedo/?fref=ts

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