Destrinchando a estratégia do PSOL

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A política, sendo uma guerra por outros meios, é também baseada em estratégias e táticas que, quando bem elaboradas e praticadas, acabam resultando em algo grandioso. Todos já sabem que o PSOL é o novo PT, ou pelo menos quer ser, mas como foi dito ontem, é preciso que a direita entenda como o PSOL funciona para que então possa realmente derrotá-lo. No momento, vamos analisar os fatos.

  • Freixo fez uma boa votação, apesar da derrota. Mais de 1,1 milhão de votos é, sim, uma boa votação.
  • No Rio de Janeiro, o PSOL elegeu 6 vereadores
  • Em Porto Alegre, Luciana Genro fez mais de 86 mil votos, em uma cidade com pouco mais de 1 milhão de eleitores, e o PSOL elegeu pelo menos 2 vereadores.
  • Em Sorocaba, Raul Marcelo fez quase 130 mil votos no 2º turno, em uma cidade com menos de meio milhão de eleitores. No 1º turno, ele conseguiu o segundo lugar, fazendo 74 mil votos, mesmo concorrendo com PSDB, DEM, PRB e PT.

Não é possível que todos os votos de Freixo, Luciana Genro, Raul Marcelo e dos vereadores eleitos pelo partido no Rio e em Porto Alegre venham apenas dos bairros de classe média e dos núcleos universitários. O partido tem conseguido atingir a massa, pescando votos também de pessoas comuns que não estão ligadas em política. Isso é perigoso, pois mostra avanços. É fato que o maior foco do PSOL, hoje, ainda é o meio acadêmico e ‘intelectual’, mas a legenda já vem colhendo resultados dessa estratégia agora, e colherá mais no futuro.

Quando dizem que a educação muda o futuro, estão certos. Essa infiltração dentro de escolas e universidades é o tipo de coisa que não gera ganhos imediatos, mas garante ganhos enormes a longo prazo. Aqueles estudantes que foram lobotomizados lá atrás, em 2005, hoje são adultos, são trabalhadores formados, são pais. No decorrer dos anos, é claro, muitos deles acabaram tendo uma vida “normal”, longe das trincheiras vermelhas. O que realmente importa é que se, para cada dez crianças e adolescentes doutrinados, pelo menos dois se bandearem para o lado deles, eles já ganharam muito e não perderam nada.

Não é que esses cidadãos sejam necessariamente de esquerda. Isso não é sequer necessário. Basta, para determinar os resultados do jogo, que eles tenham em suas mentes os conceitos do neo-marxismo enraizados. Se um professor em 2005 conseguiu convencer, no ano todo, pelo menos dez alunos de que a religião é uma coisa ruim, estes dez alunos que hoje são adultos tendem a acreditar que votar em Crivella ou em qualquer um que defenda a religião é uma má ideia, e ainda pode ser que convença mais pessoas disso por, de fato, acreditar na coisa toda.

O PSOL adota duas estratégias paralelas, portanto. Uma delas vai ao encontro do que Gramsci propôs: infiltração e subversão dos meios de comunicação, da cultura, da escola e até mesmo da igreja. Hoje é perfeitamente possível encontrar padres comunistas no Brasil, bem como pastores evangélicos ou quaisquer outros. Nas redações dos maiores jornais, sabe-se que a imensa maioria é ligada a algum partido ou movimento político de esquerda, mesmo que indiretamente. Há uma legião de professores comunistas que faz, voluntariamente, o trabalho de doutrinação ideológica.

A outra estratégia adotada tem a ver com a promoção do caos, da desordem pública, da desestabilização do poder. Em 2013, quando estouraram as manifestações de rua que tomaram o país, descobriu-se pouco tempo depois que o PSOL estava envolvido até o pescoço na promoção da violência urbana e no incentivo da tática black bloc. Qual o objetivo? Criar desordem para oferecer, no meio disso, palavras de ordem. É muito fácil chegar em um grupo de jovens empolgados, na puberdade, e gritar alguma coisa qualquer para eles repetirem feito cães treinados. Naquela ocasião, partidos como PSOL só começaram a se dar mal quando as manifestações foram tomadas por membros comuns da sociedade, e não por acaso, depois disso, eles passaram a criticar os protestos. Foi aí que surgiu a narrativa de “minoria de vândalos” e “a direita tomou conta dos atos”.

O PSOL é trotskista, portanto tem intenções tanto no campo eleitoral como no campo cultural. Embora a extrema-esquerda como um todo esteja em maus lençóis, o discurso aparentemente apaziguador e ‘social’ de figuras como Freixo pegam bem, e com isso conseguem apoio da classe artística, de parte da mídia e obviamente dos meios acadêmicos. Freixo trabalhou a campanha inteira para aumentar a rejeição de Crivella, e isso teria dado muito certo se não houvesse, do outro lado, uma legião de pessoas trabalhando para aumentar a rejeição de Freixo.

O que precisamos ter em mente com o PSOL é que o partido está avançando, está criando corpo. A militância do PSOL é hoje a maior militância política voluntária do país – porque a do PT sabe-se que não é voluntária. Hoje, muitos são jovens imaturos, amanhã serão adultos, terão filhos e isso pode garantir que dentro de 10 ou 15 anos o partido seja uma ameaça muito real.

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3 COMMENTS

  1. Eu sou professor e na escola onde trabalho a maioria dos professores é eleitor ou ativo participante das atividades do PSOL, enquanto eu e os professores que não compactuam com a esquerda somos minoria e muitas vezes acuada. Nem todos são declaradamente de direita, liberais ou conservadores, mas simplesmente moderados que acham que a tarefa da escola é ensinar a disciplina e não forma militantes. Mas a maioria não pensa assim. E têm tido um trabalho de longo prazo entre os alunos, que realmente em sua maioria apoiam o PSOL (na minha escola teve invasão). Aqui no Rio o grande perigo é o vereador eleito Tarcísio Mota. Ele é professor como eu, muito bem articulado e inteligente, que sabe jogar e fazer a guerra política, e tem grande apelo entre os alunos das escolas de ensino médio. Ele foi professor do colégio Pedro II em uma unidade onde justamente começaram aqueles movimentos por aluno por exemplo usar saia e que fizeram a instituição ‘abolir o gênero’ no uniforme escolar. Isso não é coincidência. Ademais, ele foi candidato a governador na eleição passada apenas para ficar conhecido, batendo direto no governador Pezão, atualmente reeleito. Com isso, usando de inteligência ele conseguiu um cargo legislativo no Rio na eleição desse ano.
    Na minha escola para finalizar há vários alunos de saco cheio da doutrinação mas são muitas vezes perseguidos pelos próprios professores, e são temerosos de ter notas reduzidas por suas opiniões. Se encontra de tudo, desde bolsonaristas que querem ver o circo pegar fogo como estudantes liberais que contestam a hegemonia marxista. E vou dizer, eles são estudantes de verdade e muitas vezes dão banho de conhecimento nos professores, mas lhe falta a união e o apoio dos professores não esquerdistas para fazer algo e resistir. Eu mesmo me sinto pouco preparado muitas vezes para jogar o jogo.

  2. Não precisa publicar.

    “O PSOL adota duas estratégias paralelas, portanto. Uma delas vai de encontro ao que Gramsci propôs”

    O correto seria “uma delas vai AO encontro do que Gramsci propôs”. “Vai de encontro” significa o contrário do que você quis dizer. “Vai de encontro” tem o sentido de choque e significa que é contrário, oposto.

  3. Excelente! Concordo com todo o texto. Eu diria que em 2021 corremos o risco do PSOL estar forte na corrida presidencial e com um grande número de dep. federais eleitos. Nunca duvidemos da capacidade da esquerda de se mobilizar para fuder com a vida do povo.

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