Campanha de Crivella acertou ao utilizar o metaframe contra Marcelo Freixo

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Um dos pontos mais fundamentais da guerra política é a noção de que atacar seu adversário é, quase sempre, não apenas algo desejável mas também necessário. Na disputa entre Marcelo Crivella e Marcelo Freixo, vimos isso acontecer com bastante recorrência.

Na quantidade de ataques Freixo ganhou, uma vez que ele atacou com mais frequência e intensidade. Contudo, a campanha de Crivella adotou uma postura interessante, especialmente na reta final, ao utilizar o metaframe para neutralizar estes ataques de Freixo e ao mesmo tempo para contra-atacá-lo.

Freixo diversas vezes tentou colar em Crivella o rótulo de preconceituoso, fundamentalista e até corrupto. No último debate, que ocorreu na sexta-feira, dia 28, Freixo tentou novamente usar o frame no qual Crivella seria um pastor corrupto por ter, supostamente, empresas em paraísos fiscais. Na resposta, imediatamente o bispo se posicionou de forma firme, mas ao mesmo tempo conseguiu constranger seu adversário por acusá-lo.

O metaframe, no caso, é que além de desmentir Freixo ao dizer que o caso foi arquivado justamente porque ele não tinha empresas – e devemos considerar que a plateia riu de Freixo nesse momento, o que já serve para constrangê-lo – o bispo também reiterou, em seguida, a imoralidade do ato de seu oponente em utilizar contra ele uma acusação sem evidência. Fica ainda mais interessante porque Crivella menciona o fato de Freixo ser “defensor dos direitos humanos”, sendo que um dos direitos humanos mais fundamentais do ponto de vista jurídico é justamente o de não acusar alguém sem evidências.

Neste momento, Crivella não só apontou a mentira, ele também apontou a imoralidade de quem mentiu e, no final, constrangeu seu adversário por ele ter usado um golpe baixo. O efeito disso ficou nítido na plateia, que riu ao menos três vezes quando Freixo foi desmascarado. Em casa, provavelmente quem estava assistindo ao debate também riu.

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7 COMMENTS

  1. O segundo turno de 2016 no Rio tem muita coisa a ser analisada. O Crivella e seu partido não possuem militância organizada. Mesmo assim a guerra nas redes sociais foi pesadíssima. Muita gente do meu meio de convivência se dispôs a combater Freixo e PSOL.

    • Na verdade, tem mais coisa a ser analisada desde 2013. Nossa política (e incluo até o Luciano Ayan aqui) não está dando a devida importância à segunda maior responsável por derrubar a esquerda: a tecnologia.

      O fenômeno internet possibilitou retirar o monopólio da informação da “grande mídia”. É só analisar o seguinte: saberíamos metade do que sabemos sobre as táticas sujas da esquerda sem internet?

      O movimento “contra os R$0,20” da passagem de ônibus perdeu o controle da esquerda por causa da internet.

      Cada tropeço que a esquerda dá está no YouTube. Os discursos de ódio do Lula, PSOL apoiando a ditadura na Venezuela, os vídeos do mamãe falei, entre outros.

      Inclusive o próprio regime militar está sendo “revisto”. Enquanto alguns estão indo ao extremo de dizer que “a ditadura foi boa porque a outra opção era pior” (uma falácia), também está ficando claro que os “rebeldes” também queriam uma ditadura (a deles).

      Voltando ao hoje, nossa classe política (felizmente) ainda é amadora em relação a tecnologia. Pegaram o Delcídio usando apenas um celular. O Mercadante, que tentou fazer a mesma coisa que o Delcídio, DEPOIS e COM O PRÓPRIO DELCÍDIO, conseguiu cair NO MESMO TRUQUE. Aqui no Brasil está assim: a direita toma surra da extrema esquerda, que toma surra da internet.

      Acho que, de todos os comentaristas políticos, o Luciano é um dos que mais dá valor ao poder da tecnologia. Mas ainda é pouco se comparado com o que ela está fazendo: sendo a única oposição verdadeira à extrema esquerda.

      • ‘Aqui no Brasil está assim: a direita toma surra da extrema esquerda, que toma surra da internet.” Excelente! hahaha

  2. O PT nunca foi ingênuo. Manejam e servem-se de tática de guerrilha e manipulação da NARRATIVA. Foi dito naquela época durante o impeachment da ex-presidente Dilma, no Parlamento, que havia um filme em processo de elaboração. Feito e ELEBORADO por profissionais da área. Um documentário sobre o impeachment… É possível que pensaram e prepararam algo sério e bem elaborado para próximas disputas. O Petismo não trabalha mal e nem de maneira naïf.  

    O Petismo se Infiltra em todos lugares possíveis.  

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