Não há justificativa ética, estratégica ou prática para defender as invasões nas escolas

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Muitas pessoas, apesar de não serem a maioria, defendem o movimento de invasão nas escolas. Normalmente os argumentos para defender o movimento são pífios, mas aqui vamos tratar de como não há, de fato, nenhuma justificativa possível para se defender isso, exceto para quem tem segundas intenções ou está tirando proveito da situação.

Justificativa ética:

Como justificar, dentro de quaisquer valores éticos de nossa cultura, o ato de invadir um espaço que, em tese, deveria ser de livre acesso e, uma vez lá dentro, impedir que o curso normal das coisas seja seguido? Como justificar as pichações, as depredações e o fato de que um grupo minoritário de alunos, atendendo ordens de movimentos de fora da própria escola, impedem outros estudantes e professores entrem no local? Como justificar o cerceamento da liberdade de tantos em nome da suposta liberdade de poucos?

Não há justificativas possíveis que atendam a ética. Quem defende esse tipo de ato está, inevitavelmente, agindo fora de qualquer princípio ético fundamental. Seria o mesmo que impedir o atendimento de pessoas doentes em postos de saúde, alegando com isso que está “lutando por saúde de qualidade”. Seria o mesmo que impedir o acesso dos bombeiros a um incêndio, alegando que está “lutando por bombeiros de qualidade”. Seria, ainda, o mesmo que impedir o acesso de uma mãe ao seu filho na encubadora, alegando que está “lutando por melhores maternidades”.

Embora sejam casos de proporção e gravidade diferentes, em todos eles a mesma lógica estaria sendo aplicada e o mesmo princípio ético estaria ferido.

Justificativa estratégica:

Para qualquer liberal, libertário, conservador ou mesmo um mero opositor do extremismo, endossar esses movimentos é o mesmo que endossar a UNE, a UBES ou a ANPG, o que por corolário é o mesmo que endossar o PCdoB, o PSOL ou mesmo o PT. Os estudantes, ainda que tivessem alguma ideia sobre o que fazem, são meras ferramentas políticas nas mãos dessa gente. No final, se as invasões atingirem o objetivo, quem sairá ganhando não serão os estudantes, mas estes movimentos e partidos.

Por isso, mesmo que houvesse pautas legítimas e mesmo que o movimento fosse feito de forma ética, ainda assim seria anti-estratégico apoiá-lo ou defendê-lo perante o fato de que são estas entidades que, na prática, sairiam vitoriosas e teriam os verdadeiros benefícios.

Justificativa prática:

Vamos supor, por um breve momento, que fosse possível justificar pela ética estas invasões, ou que elas fossem estrategicamente benéficas para nós. Na prática, quais os resultados? O pretexto usado pelos invasores é “lutar contra a PEC 241”, ou “contra a reforma do Ensino Médio”. A PEC, na realidade, se aprovada irá gerar um bônus, haverá mais repasses para saúde e educação do que viria a ter se a PEC não for aprovada. Ainda assim, temos que considerar o fato de que as invasões nem chegam perto de atingir esse propósito.

Mesmo que a intenção por trás de todo esse movimento fosse mesmo lutar contra as reformas, elas jamais atingiriam seu objetivo, uma vez que invadir escolas não possui efeitos práticos sobre decisões no Congresso. Faria muito mais sentido que o movimento fosse focado em pressionar os deputados e senadores, não é? Em vez disso, todo o foco tem sido voltado para atacar a própria população, especialmente a população carente, que realmente precisa de escola pública para estudar.

Caso você conheça alguém que ainda defenda estas invasões, mas que você julgue não ser exatamente uma pessoa mal intencionada, faça com ela o teste e questione-a dentro destas justificativas. Se, depois de tudo isso, a pessoa ainda achar que é razoável defender as invasões, aí você pode começar a se preocupar.

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