A extrema-esquerda domina a arte do controle de frame. Mas há uma boa notícia para nós…

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A amiga Patricia Bueno cita o “Dicionário da Mídia Golpista”:

DICIONÁRIO DA MÍDIA GOLPISTA

– cumprir a lei = fascismo
– invasão = ocupação
– fascismo = defesa da liberdade
– militantes pagos = movimentos sociais
– pobre de direita = pessoa que sofre da síndrome de Estocolmo
– questionar privilégios da minoria histérica = fascismo
– negro de direita = capitão do mato
– rico de esquerda = pessoa com preocupação social
– querer um estado menor = fascismo
– PSDB = partido de direita
– PT = partido de direita
– membro de alguma minoria histérica = vitima da sociedade
– qualquer pessoa de direita = fascista
– revolucionário de iPhone = pessoa socialmente engajada

A compilação é ótima e dá uma clareza de como pensam nossos adversários da extrema-esquerda.

Mas também podemos resumir isso tudo a um nome: controle de frame. No controle de frame, a principal das artes é a rotulagem, tanto de si próprio como do oponente. A cada rotulagem, o objetivo deve ser conquistar espaços mentais na cabeça de boa parte da população, como se fosse a demarcação de território feita na savana. São como leões brigando por território.

Para o socialista, cada evento de comunicação é uma oportunidade de jogar o jogo de rótulos. Enquanto isso, recebi em meu inbox a reclamação de um amigo a respeito de um site de direita que ainda utiliza o termo “ocupação”, quando na verdade deveria utilizar o termo “invasão” para o que acontece nas escolas. Ao mesmo tempo, vejo muita gente pouco acostumada a definir o PT como de “extrema-esquerda”, mas apenas de “a esquerda’. Já o socialista não vai ter piedade:  ele irá rotular qualquer direitista de “extrema-direita” e dizer que aquilo que acontece nas escolas é “ocupação”. Ele não perderá tempo e aproveitará seu poder de arena para jogar o jogo.

Para piorar, todas as rotulagens socialistas são falsas. Mas muitas pessoas de direita e demais adeptos da democracia – que muitas vezes estão do lado da verdade – podem se dar mal, exatamente por não perceberem seus eventos de comunicação como oportunidades de controlar o frame.

Assim, algumas dicas de frame:

  • apontar o fascismo sempre existente nas ações da extrema-esquerda
  • jamais utilizar o termo “ocupação”, mas sim “invasão”, no caso das escolas
  • demonstrar como os invasores são inimigos da civilização e da democracia
  • apontar que os milicianos do PT não representam a sociedade
  • denunciar o preconceito da extrema-esquerda contra os pobres
  • expor como minorias são utilizadas como massa de manobra pela extrema-esquerda
  • denunciar o uso do termo “capitão do mato” contra Fernando Holiday (ou qualquer outro que tenha sido atacado da mesma forma) como o pior ato de racismo possível
  • fazer a extrema-esquerda sucumbir pelo seu próprio livro de regras e ridicularizar os ricos de extrema-esquerda
  • jamais deixar de definir o PT como partido de extrema-esquerda, enquanto PSDB é de esquerda

A partir daí, basta compreender cada oportunidade de comunicação exatamente como isso: oportunidade. É como em qualquer guerra tradicional, nas quais oportunidade não é coisa que se perca.

Esta é a boa notícia para nós. Todo o método de controle de frame da extrema-esquerda pode ser exposto. E, finalmente, combatido. Assim, conseguiremos cobrar pessoas do nosso lado que não estejam utilizando a linguagem de modo adequado. Isto é: podemos puxar a orelha de pessoas que não estão lutando adequadamente a batalha de frames.

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2 COMMENTS

  1. Luciano, considero um dos piores frames usados pela esquerda o termo “democracia”, usado exemplarmente por Lulla, Jandira Feghali, e toda a turma esquerdista.

    A direita ainda não sabe capitalizar isso, essa guerra de frames, e perdemos largamente. Outro exemplo, elencado acima, é “fascismo”. Rotulam-nos como se fôssemos nós os fascistas, e não eles, pervertendo até mesmo o sentido das palavras. Como explicar uma professora doutora da USP, em filosofia, usando de forma errônea esse termo?

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