Sinto muito se você acreditou no mito de que “a política está polarizada”. Mas ainda dá tempo de acordar…

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Muito provavelmente você já ouviu essa conversa em algum lugar, pois tratamos de um novo clichê: quando se conversa sobre política, às vezes alguém diz “que a política atual está muito polarizada”. Em alguns casos, você pode ser levado a “refletir” sobre tal situação. É possível até que você se sinta culpado. Sinto muito em lhe dizer isso, mas se você caiu nesta armadilha é por ter sido feito de trouxa por um esquerdista espertalhão. Há grande chance de o espertalhão ser de extrema-esquerda. (Note que algumas vezes o direitista puxa este assunto também, mas somente o fará por ter sido influenciado por uma narrativa feita pela extrema-esquerda)

Na verdade, a alegação de que “a política está polarizada” não faz o menor sentido, uma vez que nós não mencionamos características inerentes em nossas análises. Por exemplo, não dizemos que uma pessoa andando “está viva”, dado que é preciso estar vivo para andar. Igualmente, não dizemos que “a chuva está molhada”, visto que a chuva é composta de água, sendo impossível existir uma chuva seca. Assim sendo, por que se diz que “a política está polarizada”?

O que o socialista ambiciona ao afirmar que “a política está polarizada”?

Ocorre que o socialista é viciado na busca do poder ilegítimo. Nada contra querer o poder, pois é necessário alcança-lo para se fazer qualquer coisa. Todavia, encontramos um problema moral na ilegitimidade do poder ambicionado pelo socialista. Para ter o poder, ele precisa jogar o jogo. Para alcançar o poder ilegítimo (e totalitário), ele precisa jogar o jogo sozinho.

Imagine a situação em que você está jogando Pro Evolution Soccer no videogame com amigos. Realize agora que você acabou de vencer 10 partidas seguidas. Moleza, não? Agora visualize a seguinte situação: das 10 partidas seguintes, você ganhou 3, empatou 4 e perdeu 3. Quando se joga videogame, isso é positivo, pois o jogo aparentemente começou a ser jogado e de modo parelho. Mas você poderia dizer que “o problema é que agora o jogo está polarizado”. Isso só pode significar uma coisa: você quer ganhar sozinho.

É possível reparar este fenômeno ao notar que nos tempos do governo Lula e no primeiro mandato de Dilma – época na qual o PT não teve oposição alguma – tudo estava “lindo e maravilhoso”. A política brasileira era “um primor”. Polarização? De jeito algum. Não é preciso de nenhum conhecimento de análise orientada a padrões para entender que o comportamento dos “analistas” que hoje reclamam da polarização demonstra que eles estão reagindo unicamente diante do fato de que hoje existe uma oposição, a qual era inexistente anos atrás.

Pedir fim da “polarização” é pedir totalitarismo

Para o socialista, a política “boa” é aquela na qual não existe oposição. Se a oposição existir, o é bom que seja em um cenário no qual ela é tão frouxa que todo dia uma vitória por 7×1 está garantida. Para o socialista e sua turma, evidentemente. Mas pensar assim – ou seja, desejar um mundo onde seja possível ganhar jogando praticamente sozinho – é a essência do pensamento totalitário. Muitas vezes vemos pessoas de direita reconhecendo que “a política está polarizada”, mas elas só poderão dizer isso ao caírem na armadilha totalitária. Você nunca ouvirá um socialista dizendo que “a política está polarizada” em momentos nos quais eles tomam conta do poder e não possuem qualquer oposição.

É preciso também dizer que a afirmação “a política é polarizada” não é um problema. O diabo está na afirmação “a política está polarizada, e este é um problema com o qual devemos lidar”. Só que sem polarização, não existe a política. Quando entramos um ambiente sem polarização, temos um ambiente onde a política não está sendo praticada em sua plenitude. Geralmente isso é prenúncio de totalitarismo.

Claro que existem algumas reações violentas, como nos escrachos, que viraram moda na época do impeachment. Mas esta é apenas a reação antissocial dos totalitários socialistas diante do início da verdadeira política, aquela na qual existe a oposição e, portanto, a polarização.

Desta feita, é preciso ligar o sinal de alerta e estar preparado para – sempre que vir alguém de extrema-esquerda lhe dizendo que “a política está polarizada” – entender que essa pessoa está no fundo lhe dizendo: “quero ganhar este jogo sozinho e que você pare de fazer oposição”.

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4 COMMENTS

  1. Quando eu era adolescente (há muitos anos atrás), eu sempre ouvia “analistas” políticos norte-americanos alegarem, na TV, que a política nos Estados Unidos estava “muito polarizada” e que, no passado, a polarização não era tão intensa. O mesmo tipo de discurso continua a ser repetido hoje, muitos anos depois. Em muitos casos, era insinuado que a polarização era devida ao comportamento dos republicanos, usualmente retratados como malucos, radicais, extremistas.

    É interessante a transposição deste discurso para o contexto da política brasileira. Sou capaz de apostar que tal discurso ainda vai enganar muita gente incauta.

  2. Termos como “polarização” remetem a fanático, radical, extremista e todas aquelas coisas das quais ninguém gosta de ser chamado. Daí o seu uso intencional: fazer as pessoas sentirem vergonha do que são e do que defendem.
    Um dos dias mais reveladores da minha vida foi o dia em que, cansada de dar longas explicações para quem já estava disposto a não entender nada , decidi por não me importar absolutamente com o que pensassem a respeito das minhas posições políticas. Tamanha foi a sensação de independência que até deu vontade de soltar fogos….. Aconselho.

  3. Ótimo texto! Conheço um esquerdista que adora dizer e lamentar isso, que o Brasil “está dividido”, polarizado, etc… Vou me lembrar desse texto próxima vez que alguém vier com essa conversa mole.

  4. Quando usamos a expressão “7 a 1”, é bom lembrar que naquele jogo a Alemanha se conteve e deixou o Brasil fazer um golzinho, senão teria sido 10 a 0 ou pior. Mas os socialistas não costumam ser tão bonzinhos quanto os jogadores alemães.

    O que seria o oposto de “política polarizada”? Unanimidade, homogeneidade, hegemonia/supremacia de um grupo e pensamento, partido único.

    Além disso, o que eles chamam de “polarização” (dando a entender que se trata de 50% x 50%), na realidade é uma pequena minoria organizada que influenciou muitos e uma grande maioria composta de indiferentes e de uma parcela de liberais e conservadores atuantes. A tal “divisão” que eles falam na verdade é de 95% x 5%.

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