A diferença entre o ataque moral e o 'ataque técnico'

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Quando falamos de guerra política, é preciso ter em mente aquelas já conhecidas regras apresentadas por David Horowitz em “A Arte da Guerra Política”, entre as quais estão:

Política é uma guerra de posição
Na guerra política, o agressor geralmente prevalece
A posição é definida pelo medo e esperança

Quando atacamos um adversário, dificilmente um ‘ataque técnico’ é politicamente eficiente, especialmente se este adversário for astuto o bastante para contra-atacar com ataques morais. Contudo, vamos entender o que é exatamente um ‘ataque técnico’.

Ataque técnico: é todo aquele tipo de crítica que está baseada nas supostas habilidades ou inabilidades de alguém. Quando você diz que seu inimigo é incompetente, despreparado ou que lhe falta conhecimento, você está duvidando da capacidade técnica dele para exercer determinada atividade. Um ataque – ou uma crítica – de ordem técnica põe em dúvida as qualidades e habilidades de alguém como operador, como executor de uma determinada tarefa.

Politicamente, dentro de contextos bem específicos, um ataque técnico ao seu adversário até pode funcionar, mas não é o que normalmente acontece. A regra geral é que qualquer crítica de ordem técnica seja facilmente superada por um contra-ataque moral.

Ataque moral: é todo aquele tipo de crítica que atinge não as habilidades do indivíduo, mas a sua índole, as suas intenções. Quando você coloca a ética de alguém sob suspeita, ou quando você aponta para a má índole dela dentro de alguma situação, isso configura um ataque moral.

Os ataques morais são muito mais eficientes, porque as pessoas nem sempre têm capacidade técnica para entender uma crítica do ponto de vista técnico. Pense bem e diga para si mesmo: quantas pessoas que você conhecem entendem de economia, administração pública, direito, etc? Certamente não são tantas, e obviamente não é a maioria. Porém, um ataque de efeito moral cai dentro do entendimento de qualquer um. Todo mundo entende o que é roubar, o que é desviar verbas, o que é mentir. Se você acusa seu adversário de fazer alguma coisa de má índole, é muito mais fácil que as pessoas compreendam.

Além disso, há também outro fator que torna o ataque moral mais eficaz: as pessoas costumam ter pena de quem comete erros, mas dificilmente elas têm pena de quem intencionalmente faz algo errado. Se alguém se envolve em um acidente de carro, ainda que isso resulte em morte, a maioria das pessoas trata do assunto como uma tragédia. Porém, se um ladrão entrar em um mercado e atirar no caixa, as pessoas ficam com raiva, elas querem que ele seja severamente punido e muitas estariam dispostas a puni-lo com as próprias mãos.

O erro moral é, de fato, mais grave. Quando alguém faz algo errado sem querer, por inépcia ou por mera imperícia, sabemos que esta pessoa tem recuperação, que ela pode vir a aprender e melhorar no futuro. Porém, quantos de nós acreditaria na recuperação moral de alguém? Quem poderia dizer, sem mentir, que acredita que alguém como Lula ou Paulo Maluf um dia deixará de ser um ladrão?

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