O tema da redação do ENEM serviu para mostrar a intolerância contra os cristãos

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Só para início de conversa, algo que acontece há muito tempo é a extrema-esquerda usar a desculpa do “Estado laico” para propor, com isso, perseguição aos religiosos, como se um Estado laico fosse necessariamente um “Estado ateu” que impede a expressão de religiosidade. Estado laico não é e nunca foi isso, é justamente o oposto. Trata-se de um ambiente social no qual o Estado apenas garante a liberdade religiosa de qualquer um, sem assumir uma postura necessariamente religiosa. Estado laico é um ambiente no qual, em tese, ateus, umbandistas ou evangélicos tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres.

Claro que isso não conta para a extrema-esquerda. Para essa turma o que interessa é humilhar quem pensa diferente, quem se opõe. Pelo fato de existirem alguns (sim, são só alguns) religiosos no Congresso, eles criam a falsa narrativa de que há um “Congresso Conservador”, e que a “bancada evangélica” é uma ameaça, sendo que na prática a maioria dos membros da atual bancada evangélica são deputados menos influentes no jogo parlamentar (salvo exceções).

O fato é que, se depender destas pessoas, vamos regredir em termos civilizatórios para um estado de intolerância ainda maior. Quem não lembra, por exemplo, de quando FHC afirmou ser ateu, lá nos anos 90, e foi rechaçado por isso? Pois bem. Eram outros tempos. Hoje é bem mais fácil alguém se declarar ateu sem problemas e nós tínhamos evoluído com isso. Contudo, agora existem extremistas querendo reverter o jogo praticando algum tipo de vingança, como se o passado justificasse algum tipo de “retaliação” no presente. Há poucos anos, bem na Câmara dos Deputados, um indivíduo ligado a um grupo LGBT disse, ao lado do deputado Jean Wyllys, que tinham que acabar com “esses desgraçados”, referindo-se aos evangélicos, e que estaria até disposto a pegar em armas para isso.

Ontem, com o tema da redação do ENEM, pipocaram comentários intolerantes contra os cristãos, em especial contra católicos e evangélicos. Isso prova que, na realidade, estas pessoas não querem nenhuma liberdade religiosa, o que elas querem é o silenciamento de seus opositores políticos. A liberdade que eles pregam é apenas para um lado: o deles. Ao longo do tempo, a extrema-esquerda cooptou religiões marginalizadas, como a umbanda ou o candomblé, fingindo que se importam com a liberdade de expressão religiosa, mas assim como fizeram com as bandeiras LGBT ou com o racismo, para partidos e movimentos de esquerda toda essa gente é só utensílio, uma escada para o poder.

Da mesma forma que seria execrável uma atitude de um evangélico contra alguém ligado ao candomblé, não o é também a atitude intolerante de um ateu ou de um umbandista contra um católico? A verdadeira liberdade religiosa é isso. Pregar a perseguição contra evangélicos é exatamente o oposto disso. Trata-se, isto sim, de intolerância e discriminação. Há quem fale, hoje, publicamente, que é preciso eliminar os evangélicos da política. Isso não é liberdade. Os evangélicos são parte da população e eles precisam ter direito de representação.

Ao menos esse tema de redação do ENEM serviu para que os intolerantes dessem suas caras. Agora conhecemos o rosto deles.

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4 COMMENTS

  1. Obrigado Luciano Ayan, voce é um autentico libertario.

    gostaria de perguntar a voce, se eu posso usar seus textos em um jornal impresso, referenciando os artigos, obviamente!

  2. Muitos não sabem que o conceito de Estado laico é uma invenção cristã: não havendo uma igreja estatal, nenhuma denominação poderia usar o poder do Estado para suprimir as demais. Mas Estado laico é separação de Estado e Igreja, não de Estado e ética de origem religiosa (como o respeito à vida, à propriedade privada e ao legado sociocultural.

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