Os ateus laicos devem defender os evangélicos do ódio promovido pela extrema-esquerda

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Existem dois tipos principais de ateus no que tange à ação política: os ateus laicos e os neo-ateus. O ateu laico lutará pelo estado laico – é óbvio -, que foca no fim da discriminação por questões religiosas. O neo-ateu lutará para poder lançar a mesma discriminação sobre os religiosos que foi lançada pela Inquisição contra os hereges. Obviamente, os dois tipos de ateu ficam em espectros opostos quanto ao estado laico, uma vez que o primeiro o promove, enquanto o segundo o rejeita.

O embrulho é o seguinte: um ateu laico deve ficar do lado dos evangélicos no recente surto de propaganda de ódio que a extrema-esquerda – apoiada inclusive pelos neo-ateus – está lançando contra a bancada evangélica na política.

No vídeo que veremos ao fim deste post, Madeleine Lackso conversa com Marcelo Faria, do Instituto Liberal de São Paulo, que fez um ótimo trabalho de compilação de discurso de ódio contra os religiosos. Obviamente, Marcelo merece um puxão de orelha por adotar a fé cega na crença, especialmente no momento em que ele diz que os socialistas “confundem” o conceito de estado laico. Claro que não confundem coisíssima nenhuma: são desonestos, isso sim. Mas, de resto, ele mandou bem…

Como já falamos por aqui hoje, ou existe uma reação quanto a isso, ou o preconceito contra os evangélicos vai aumentar.

Muitos ateus provavelmente se incomodaram quando Fernando Henrique Cardoso foi julgado quanto à sua candidatura a prefeito de São Paulo por ser ateu. Na época, ele perdeu o cargo para Jânio Quadros. Qualquer ateu laico que tenha se indignado com isso possui o dever moral de se opor ao preconceito lançado contra os evangélicos.

É inaceitável que em pleno 2016 estejamos presenciando atitudes tão obscurantistas quanto o lançamento de restrições à candidaturas de políticos apenas por eles serem evangélicos. Não aceitamos que alguém diga que a participação de uma pessoa na política deve ser vista com reservas se ela for ateísta, umbandista ou judia. Então, por que assistimos tão passivamente pessoas serem questionadas quanto à participação política por serem evangélicas? Um estado laico é aquele no qual pessoas de todas as religiões podem participar, incluindo os que não possuem qualquer religião. Assim, um estado laico não deve ter qualquer restrição à participação de ateus, judeus, umbandistas, católicos e, é claro, evangélicos.

Em parte muitos líderes evangélicos tem parte de culpa na atual situação, pois chegam a aceitar responder esse tipo de questionamento. Eu sou ateu, mas estou do lado dos evangélicos nessa questão, como já disse. Mas se eu fosse um evangélico e ouvisse esse tipo de questionamento, estaria provavelmente diante da última vez que o indivíduo levantasse tal objeção. Provavelmente ele urinaria nas calças unicamente pelo lançamento de shaming só por ter levantado a restrição.

Tente imaginar uma situação hipotética em que alguém questionasse o Jean Wyllys: “você não vê um problema a participação de homossexuais na política?”. Ele com certeza arrebentaria a pessoa, em termos morais. Ele estaria certo se fizesse isso. O mesmo procedimento deveria ser adotado para qualquer pessoa que fizesse uma objeção quanto a participação de evangélicos na política. Em suma, é uma objeção que não se responde. Em vez disso, a pessoa que resolveu pentelhar a participação de evangélicos na política deve ser publicadamente desconstruída, envergonhada, escrachada e receber rejeição social.

Fico até imaginando a cena, se eu fosse um evangélico:

Q: Você não acha que é problemática a presença de evangélicos na política?

L: Repete, por favor…

Q: Você não…er… acha que é problemática a presença de evangélicos na política?

L: Você realmente teve muita coragem de fazer esse tipo de questão…

Em seguida, eu dispararia o maior carregamento de rótulos que essa pessoa poderia ouvir, demonstrando ao mundo que tratamos de um fascista, obscurantista, preconceituoso e inimigo da humanidade. E isso seria só o começo…

Inimigos do estado laico devem ser jogados na lata do lixo da história. É por isso que os ateus laicos deveriam estar do lado dos evangélicos nessa questão. E, é claro, cobrarem o mesmo tipo de respeito no dia em que alguém tiver a coragem de dizer que “é um problema termos ateus na política”.

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5 COMMENTS

  1. Difícil vai ser achar esses “ateus laicos”. Ateu que é ateu ele não se importa se religião está sendo perseguida ou não, talvez até sinta alguma alegria nisso (nem todos claro), mas ele simplesmente vai ver a notícia e vai dizer, bobagem.

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