A imprensa acertou contra Trump. Só não foi o suficiente. Que bom…

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Vejo por aí o tempo todo a afirmação de que a imprensa “errou” quanto a Donald Trump. Desculpem-me a sinceridade quase niilista, mas o grande erro neste caso é tratar a imprensa como “um bando de desastrados que se enganaram”.

É uma afirmação clássica de qualquer metodologia de qualidade em qualquer tipo de organização ou produto: um erro só pode ser qualificado como tal a partir da avaliação das intenções de quem realizou a atividade.

Por exemplo, imagine que o seu objetivo era lançar um produto de software no mercado que suportasse 5.000 usuários simultâneos. Mas, por um erro de dimensionamento da infraestrutura, seu sistema já cai quanto 500 usuários estão logados. Enfim, este é um erro de sua parte. Agora imagine um hacker tentando invadir o sistema da organização, descobrindo que ele é vulnerável após a queda do servidor e que não aguenta mais de 500 usuários simultâneos. Esse hacker planeja um ataque de “negação de serviço” – que tenta forçar a queda do servidor, para que este retorne com recursos mínimos, e com brechas de segurança, para facilitar a invasão -, conseguindo causar 700 falsos acessos simultâneos ao sistema. Após realizar esse número de acessos, o servidor cai e o hacker consegue invadir a rede. Podemos dizer que este hacker errou? De jeito algum: ele acertou, de acordo com seu objetivo.

Essa é uma realidade que devemos encarar de uma forma adulta: o gerente de sistemas da organização e o hacker que queria invadi-la tinham objetivos opostos. Logo, a queda do servidor seria tanto resultante de um erro do primeiro quanto de um acerto do segundo. Alguém poderá objetar, dizendo que “o hacker tinha interesses imorais”. Sim, tinha, mas quem disse que todos possuem interesses morais? O fato é que todas as ações só podem ser julgadas como certas ou erradas em relação ao objetivo original.

A imprensa que tanto mentiu na tentativa de eleger Hillary tinha objetivos claros. Praticamente, era como se eles estivessem com um checklist em mãos, dizendo:

  • Abandonar qualquer senso de moralidade
  • Fazer uso de pesquisas sabiamente falsas
  • Encenar para dar um ar de seriedade e fingir acreditar em tudo que está sendo dito
  • Usar o “herding effect” e convencer o público de que Hillary teria mais votos do que realmente teve
  • Usando o mesmo padrão acima, tentar convencer o público de que Trump teria menos votos do que realmente teve
  • Lançar falsas proclamações de vitória, antecipadas, para tentar influenciar ainda mais o público (tentando angariar indecisos)
  • Dar enfoque total – com todos os recursos de frame – a tudo de negativo que pudesse surgir quanto a Trump
  • Descarregar todos os rótulos possíveis sobre a cabeça de Trump
  • Lançar falsos laudos da debilidade do oponente no combate
  • Apelar à campanha do medo

Ora, o que a mídia fez senão apelar a todos os pontos acima? Logo, assim como o hacker, eles fizeram tudo que tinham que fazer para servir à campanha de Hillary. Só não foi o suficiente, pois existiu combate do lado de Donald Trump.

Em suma, vamos parar com essa frescurite de dizer que “a mídia errou”. A mídia mentiu deliberadamente. Eles fizeram o serviço que estava planejado para que fizessem.

Alexandre Borges escreveu: “Parem de chamar os analistas políticos da imprensa de burros. Errar tudo e ainda manter o emprego é coisa de gênio.”

Vou até dar uma revisada na última frase, embora eu ache que essa já tenha sido a intenção de Borges: “Mentir tanto e ainda manter o emprego para continuar fazendo tanto serviço sujo é coisa de gênio”.

Do nosso lado, podemos fazer algo certo em relação à boa parte da imprensa. Chamá-los de mentirosos, e não de enganados. É aquele frame: “eles não estão enganados; estão enganando”.

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2 COMMENTS

  1. É isso mesmo! E tem mais: será mesmo que as pesquisas encomendadas pelos mais importantes veículos de comunicação do país estavam todas erradas, por suposto erro de metodologia, ou foram simplesmente fraudadas em razão dos interesses de quem as contratou e pagou? Fala sério!

  2. O Reinaldo Azevedo está perdendo o senso do ridículo. Depois de declarar apoio indireto a Hillary afirmando ser contra o Trump presidente porque seria o republicano um maluco irresponsável, uma ameaça à paz no mundo e outras coisas do tipo, agora tenta fazer diversionismo usando a tática do espantalho contra os blogueiros apoiadores da candidatura Trump, dizendo, em tom de troça, que seriam fanáticos que agora estariam desapontados com a moderação do seu preferido.

    Visitei diversos blogs que optaram por Trump e não vi nenhum deles manifestando apoio incondicional e “fanático”. Pelo contrário, a maioria apenas considerava Trump um mal menor que Hillary, e alguns outros davam apoio por considerá-lo um símbolo de uma guinada à direita no mais poderoso país do mundo. Inclusive nem mesmo se sabe qual seria o verdadeiro Trump, tendo alguns especulado que ele poderia ser um infiltrado no Partido Republicano, até porque já fora no passado simpático ao partido da Hillary.

    Mas, sabem como é: o RA, para não “dar o braço a torcer”, para não “perder o rebolado”, agora veio com essa.

    Ridículo!!!

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