Bolsonaro quer ser o novo Trump. Vai rolar?

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Brasília- DF- Brasil- 25/02/2015- Policiais, bombeiros e agentes penitenciários participam de ato no gramado do Congresso Nacional em memória aos agentes de segurança pública assassinados em decorrência da profissão. Na foto, o deputado Jair Bolsonaro discursa no evento. (Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

O apontamento de Jair Bolsonaro como “o novo Donald Trump” é um daqueles fatos que não poderia deixar de acontecer mesmo, principalmente depois da vitória do republicano. Nem mesmo a condição financeira do candidato conservador brasileiro – que não uma possui uma mísera porção dos mesmos 100 milhões de dólares para investir em sua própria campanha, em comparação com Trump – serviu para desestimular os apoiadores do inimigo natural do deputado representante do ultrafascismo, Jean Wyllys.

Seguindo-se à vitória de Trump, Bolsonaro afirmou: “Vence o melhor, o patriota, aquele que lutou contra tudo e todos. Em 2018 será o Brasil no mesmo caminho”. Não consultei os trend topics, mas é uma boa aposta dizer que “Bolsonaro 2018” está ou esteve entre eles.

Verdade seja dita: é óbvio que o nome de Bolsonaro fica mais forte do que antes após a eleição de Trump. Ele realmente fala por uma pauta que atende muitos conservadores em um período em que poucos tiveram vontade de falar abertamente por esses valores. É uma pena, porém, que ele nunca tenha sido muito estratégico em sua comunicação, ao contrário de Trump (que, aliás, chegou a titubear no primeiro debate, mas após o segundo adotou uma postura de vencedor).

Outro problema para Bolsonaro é que ele vive em um país onde ainda temos muito trabalho pela frente na luta contra a extrema-esquerda. Nos Estados Unidos, é possível falar em uma batalha entre esquerda e direita. No Brasil, temos uma batalha entre um montão de gente republicana – direitistas, centristas e até esquerdistas moderados – e a extrema-esquerda, que pode ser representada em 2018 por Lula, Ciro Gomes e Marina Silva. Assim, quem pode garantir que uma candidatura de uma direita “a la Bolsonaro” – que não representa a direita como um todo, mas apenas uma perspectiva do conservadorismo, e quase nada do liberalismo – irá atacar a esquerda tucana sem ajudar a extrema-esquerda? Vale lembrar que no Rio de Janeiro Flavio Bolsonaro conseguiu perder para Marcelo Freixo, que acabou indo para o segundo turno (o qual perdeu para Crivella).

Nem é tanto um problema o fato de o PSC ser um partido pequeno e, mesmo assim, não tão disposto a colocá-lo como representante em uma disputa presidencial. Donald Trump também desafiou o Partido Republicano. Mas o PSC não é o Partido Republicano, e Bolsonaro, como já dito, não tem os mesmos milhões de Trump.

O que resta é notar que Jair Bolsonaro tem pela frente um desafio muito, mas muito maior do que o de Donald Trump: o de se mostrar um candidato viável no ataque ao politicamente correto, mas com um discurso vários tons acima daquele feito pelo norte-americano em um ambiente em que essa tensão ainda é bem menor. É pouco provável que isso leve à uma candidatura vencedora em uma eleição presidencial, mas não dá para ignorar a boa chance de que a pontuação de Bolsonaro vá subir em pouco tempo depois do “efeito Trump”.

Ocorre que se Donald Trump matou um leão por dia para se tornar presidente, Bolsonaro deverá matar uma alcateia. A ver.

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14 COMMENTS

    • Acredito que o Luciano está contribuindo com todos que se opõe aos projetos totalitários da esquerda. Todo dia é praticamente uma consultoria grátis do que devemos e não devemos fazer na arte da guerra política para conseguirmos derrotar os esquerdopatas. É simples mas não é óbvio. É necessário um mínimo de humildade de querer aprender mas muitas vezes sobra arrogância de não querer ouvir críticas.

    • Concluo que voce se acredita tao inteligente quanto Lula. Motivo de noso Brasil se encontrar neste profundo poço ,sao os inteligentes como voce ,que em minha analize nao passa de um mau carater como sao os muitos deste Brasil , eu lamento que pessoas iguais a voce sejam brasileiros.

  1. ainda bem que as suas “previsões” não se concretizam.
    “esqueceste” também de citar que o Flávio Bolsonaro teve o dobro da porcentagem divulgada nas pesquisas…

    • Jackson,

      Claro que não podem se concretizar, pois, em eleições, não faço “previsões”. Em faz “previsão” é comentarista de futebol. Eu avalio o que há para ser avaliado.

      Em relação ao Flavio ter o dobro da porcentagem, fica o aviso: não foi o suficiente para ir ao segundo turno.

      Abs,

      LH

  2. Sou conservador. Entre tantos bandidos que assolam o Brasil, chegou a hora de dar oportunidade a quem se diz patriota. Se ele decepcionar, pena de morte.

  3. Sem ofensas, mas espero que surja alguém mais qualificado. Comparar uma pessoa com a trajetória de Trump com Bolsonaro é forçar demais a barra. Trump construiu um império, Bolsonaro fez o que? O problema é que o nosso establishment político é uma vergonha. Nesse sentido até entendo os apoiadores dele.

  4. Era mais ou menos o que eu estava pensando em dizer. Mas não é só isso: Jair Bolsonaro 2018 virou uma lenda montada em uma pessoa real. Ele não é tudo o que os fãs dele dizem. E mesmo que fosse, Donald Trump está mais perto de um Aloysio Nunes ou de um Paulinho da Força do que do “Bolsomito”.
    Outra: vocês notaram que se a mídia do Brasil e a dos Estados Unidos fazia torcida para a Hillary Clinton, os direitistas do Brasil fazem torcida para o Jair Bolsonaro?

  5. EXplica aí, fera, a direita americana apoiava quem? Hillary? A direita americana se absteve nas eleições e o Trump foi eleito por liberais?
    “Donald Trump está mais perto de um Aloysio Nunes ou de um Paulinho da Força”
    Trump nunca foi guerrilheiro terrorista e nem é socialista fabiano feito o Nunes, nem tampouco um desocupado sindicalista como o Paulinho.
    Seria mais honesto dizer: “A mídia americana se opôs a Trump como a mídia brasileira se opões a Bolsonaro e os direitistas americanos votaram Trump assim como os direitistas brasileiros tendem a votar em Bolsonaro.
    Você pode até não gostar do Bolsonaro, como o próprio Luciano não gosta, mas ao menos aja como ele, sem desonestidade intelectual.
    Ficar de mi-mi-mi “ai eu não gosto do Bolsonaro, ele é autoritário, blá-blá-blá…” só serve para dividir, só presta serviço aos esquerdopatas. Obviamente, seria ótimo Ben Carson ou Carly Fiorina como presidentes (descarto políticos profissionais como Marco Rubio, ted Cruz e outros), mas sobrou quem? Trump. Daí, ficar nessa desunião entre liberais/libertários x Conservadores x Direita é somente dar munição agora e posteriormente ao inimigo. Que tal lutar com inteligência a Guerra Política?

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