Sem "conselho de pai", já teríamos sepultado de vez as invasões. A oportunidade está aí para ser aproveitada…

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À exceção de movimentos como o MBL e alguns poucos colunistas na mídia, com atuações assertivas e contundentes, às vezes temos perdido parte das batalhas de comunicação para os movimentos que invadem escolas. Por isso, estamos consumindo mais esforços do que o que normalmente seria necessário. Ainda que a maioria da população esteja contra as invasões, a rejeição a elas poderia ser ainda maior. A pergunta é: onde estamos errando?

O problema, a meu ver, é que falta crítica política aos invasores, e sobra “conselho de pai”.

Quando alguém emite “conselho de pai” ao invés da crítica política

Para entender esse conceito, vejamos o exemplo um jovem criminoso que sacou a arma do coldre de um policial, matando-o. Na versão de seu pai, o garoto foi apenas “desastrado” ao tentar se livrar de policiais. Ou seja, o filho apenas praticou uma “ação equivocada” e precisa de conselhos. Enquanto o restante da sociedade faz uma crítica a um assassino com más intenções, o pai menciona uma “ação desastrada” de alguém que queria o melhor. Num outro exemplo, imagine que um jovem foi preso por estupro. A sociedade pede a prisão do bandido, mas o pai pode dizer, diante das câmeras, que “o filho apenas foi atabalhoado e se excedeu na sedução a uma mulher”. De novo não há uma percepção real das intenções cruéis do filho, que recebe caridade excessiva na avaliação.

Obviamente, não quero dizer que todos os pais agem assim. Mas, no momento em que o filho pratica uma crueldade, há uma boa chance de que muitos pais tentem visualizá-lo do modo mais “caridoso” possível. Podemos até criticar os pais que assim procedem, mas é um fenômeno compreensível.

Uma boa parte da direita brasileira – e digamos que a maioria dos liberais – ainda parece acometida pelo fenômeno da fé cega na crença. É isso que faz com que, em “conselhos de pai”, digam que “o socialismo fracassou”, que “eles não entendem o que estão fazendo” e até emitam a clássica pergunta: “quando é que eles vão aprender que isso não dá certo?”. Se você estiver acometido pela fé cega na crença, isso não significa que você acredite no socialismo. Ao contrário: você o rejeita. Mas ao mesmo tempo acredita piamente – e sem evidências para tal, e por isso é uma fé cega – que seu oponente acredita no socialismo. Portanto, ele estaria “enganado” – ao invés de “enganando” – com as ideias socialistas. Nesse momento, você não pratica mais a crítica política, mas uma instância de um “conselho de pai”. Podemos dizer claramente que sua “crítica” não possui um décimo do potencial daquele que usa a real crítica política.

Quando se diz que os invasores “não sabem o que é a PEC 241”, isso já não é uma crítica política, mas um conselho de pai. Mas quando se diz que os invasores querem dar um cheque sem fundo para governos gastadores em nome de projetos de poder que vão destruir de propósito a vida do povo, aí a crítica política é contundente, com o nível de rejeição ao oponente aumentando de modo considerável.

Claro que podemos dizer, neste caso, que existem “alguns alunos que não sabem o que é a PEC 241”, mas somente após termos rotulado os invasores como mal intencionados. Os líderes das invasões não podem jamais ser definidos como “pessoas que não sabem o que é a PEC 241”. Daí, podemos classificá-los como pessoas cruéis que transformam seus alunos em massa de manobra, a partir de diversas táticas de intimidação e violência psicológica.

Dois bons exemplos de crítica política

Vi um ótimo vídeo de Paulo Eduardo Martins onde ele diz que os organizadores da invasão estão mentindo para você sobre a PEC 241. Em seguida, ele expõe as mentiras. Assista:

Em outro vídeo, o deputado estadual do Paraná, Missionário Ricardo Arruda, discursou na Assembleia Legislativa do Paraná e expôs os coordenadores de invasões como mentirosos que se colocam contra o povo.

Neste último caso, aliás, é bom lembrar que ele age corretamente ao dizer que os alunos podem até não saber o que estão fazendo, por serem massa de manobra na mão dos mal intencionados.

Eu citei dois exemplos de críticas assertivas aos invasores e aos demais que ficam contra a PEC 241. Não citei exemplos dos que praticam “conselhos de pai”, pois a experiência mostra que a direita não está conseguindo lidar bem com as críticas táticas. Mas fica a dica: observem aqueles que dizem que os organizadores “erram” ou “não sabem” ou “se enganam”. Há boas chances de você estar diante de alguém que optou pelo conselho de pai ao invés de usar a crítica política.

A crítica política realmente funciona, enquanto o “conselho de pai” só causa arranhões

Já tive várias interações com pessoas neutras quanto às invasões. Em todas elas, era possível notar, pela expressão corporal, como elas mudavam de opinião, ficando terminantemente contra os invasores, após o apontamento da má intenção do oponente. Eu explicava, por exemplo, que era uma crueldade terrível exigir que não tivéssemos teto de gastos, para afugentar intencionalmente os investidores e os empregos, tudo em nome de projetos sádicos de poder como aquele de Dilma, que, por ter pedalado, destruiu de propósito nossa economia. Era só deixar claro que o que há de mais podre nos abismos da depravação humana é o que por trás das invasões. Em seguida, podemos emitir uma “nota ao final”, dizendo que podemos até ter pena de alguns alunos que servem como massa de manobra, e talvez estes (mas apenas estes) podem até não saber o que é a PEC 241. Mas os líderes sabem muito bem, e querem gastar o que não temos para dar vida mole a pessoas que saqueiam nossa nação. Exemplo claro? O maior escândalo de corrupção do mundo, envolvendo a Petrobrás, gerenciado pelo PT. É claro que o pessoal quer um cartão de crédito sem limites nas mãos do governo exatamente para isso. Lembre-se de que ainda há muitos petistas – e sicários – ocupando espaços no aparelho estatal. Em suma, essas pessoas sabem o que é a PEC 241, e ficam contra ela por terem as piores intenções do mundo contra a população.

Em resumo. Na crítica política, não inventamos “ignorâncias” em nosso adversário apenas para aliviar as críticas contra eles e vê-los de modo caridoso e até iludido. Na crítica política, estamos efetivamente combatendo nosso adversário pelo quer ele é, e expondo suas intenções como elas são. Aqui está um pattern básico para ajudar: troque expressões como “ignorância quanto a PEC 241” por “mentira sobre a PEC 241”. Não é muito difícil. Basta disciplina no momento de falar ou escrever qualquer coisa.

Podemos até fazer um exercício mental. Dentre os políticos e formadores de opinião que estão contra as invasões e que infelizmente seguem adotando o “conselho de pai” ao invés da crítica política, imagine que 50% deles resolvam partir para a real crítica política, abandonando de vez o “conselho de pai”. Você pode ter certeza que, com isso, a rejeição às invasões já teria chegado aos 90%, no mínimo, e as aulas já teriam retornado à sua normalidade, com a queda na popularidade dos partidos de extrema-esquerda descendo na ladeira em ritmo de carrinho de mão sem freio. Em síntese, a mania de muitos na direita adotarem a fé cega na crença está nos causando desgaste desnecessário e nos fazendo consumir esforço excessivo na desintrusão das escolas. É uma pena, pois já podíamos ter vencido essa há tempos e partido para novos desafios e novas lutas.

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2 COMMENTS

  1. Tem aquele outro vídeo da mãe que procura o filho desaparecido depois de ter ido trabalhar. Pergunta a repórter: “No quê seu filho trabalha?” Responde a mãe: “Assalto”.

  2. == Os Inteligentinhos ==

    OS INTELIGENTINHOS, DA SOCIEDADE CIVIL — jornalistas, estudantes, professores universitários, cineastas brasileiros, cantorzinhos etc.

    Faça o favor! Num JANTAR DE INTELIGENTINHOS faça o seguinte:

    «Chegue num jantar de inteligentinhos e, por exemplo, defenda o impeachment. Haha. Você vai VER o que vai acontecer com você, né? Vão olhar TORTO pra você achando que, de repente, você é dono de um banco, alguém assim! E não alguém que trabalha duro para sobreviver e, por isso, SEMPRE desconfia de quem não o faz… Né?»

    [Os inteligentinhos do PeTismo…].

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