Por que a esquerda atrai mais desonestos do que a direita? Há uma explicação racional para isso…

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Dizer que a esquerda atrai mais pessoas desonestas do que a direita pode parecer uma afirmação ofensiva à primeira vista, mas é puramente lógica e baseada em uma visão cética – e não idealista – da política. Em resumo, o que estou afirmando é que a esquerda possui mais desonestos do que a direita. Quanto mais esquerdista um partido é, mais desonestos ele terá. Mas por que isso ocorre?

Para compreendermos essa dinâmica precisamos entender o que significa a luta política na ótica dos principais players do jogo: ou seja, os arquitetos da política, que comandam os partidos e alinham o jogo junto aos lobistas, de diversos tipos. Na ótica destes atores da política, a definição é muito simples: política é luta pelo poder. Direita significa luta pelo poder em outras fontes além do poder estatal – embora sem desprezá-lo, ao menos nas visões menos puristas -, enquanto esquerda significa luta pelo poder principalmente no poder estatal. Extrema-esquerda significa luta pelo poder estatal e totalitário. Simples assim.

Você pode até se indignar e dizer que isso não tem nada a ver com o que você leu de autores liberais, conservadores e socialistas, mas nem é para ter mesmo. Tais visões são apenas artefatos utilizados pelos principais jogadores da política. Obviamente, um partido de direita, centro ou até de centro-esquerda pode adotar algumas perspectivas liberais, enquanto um partido de extrema-esquerda irá adotar principalmente as perspectivas socialistas. Mas o que importa, enfim, é a luta pelo poder, gostemos disso ou não.

Pablo Escobar já havia dado a letra

A partir desse princípio, basta notar que quanto mais um poder é embasado por dinheiro ilegítimo, mas ele tende a atrair os piores tipos da sociedades. Daí basta se lembrar da Colômbia dos tempos de Pablo Escobar. De onde vinha o dinheiro mais sujo e em maior volume? Sim. Do Cartel de Medelin, liderado por Escobar. É por isso que os bandidos mais barra-pesada se juntaram a ele.

Ou seja, quanto mais volume de dinheiro sujo e/ou ilegítimo há para ser distribuído, mais ele tende a atrair pilantras. O dinheiro estatal sempre “cheira pior” do que o dinheiro privado, até porque é difícil para alguém da iniciativa privada poder “torrar o dinheiro dos outros” à vontade. Há muito mais responsabilidade no gasto da grana do setor privado. Geralmente é preciso entregar resultados reais sempre. Não estou dizendo que não há entrega de nenhum resultado com o uso do dinheiro estatal. Mas aqui falamos de “dinheiro dos outros”, sobre o qual a responsabilidade é muito menor. O dinheiro estatal tende a ser ilegítimo.

Em resumo: o grupo que mais verba estatal tem em mãos vai atrair indivíduos desonestos em maior quantidade.

Observe que eu não estou dizendo que a direita está livre dos picaretas, e nem que a esquerda tradicional só possui desonestos. Até porque a direita tradicional dificilmente abandonará a necessidade de verbas estatais em projetos de poder. Mas há uma diferença fulcral, pois se a direita também fica de olho em verbas estatais, a esquerda fica de olho só nisso. Sem deixar de lembrar que a extrema-esquerda quer as verbas estatais de modo totalitário e absoluto.

A lógica do desonesto

Aqueles desonestos que querem ir para o mundo do crime, tem como ótima opção de “investimento de esforços” os grandes traficantes de drogas. Já aqueles desonestos que querem ganhar dinheiro ilegítimo na política – ou seja, via carguinhos, aparelhamento ou verbas estatais indevidas – devem se aproximar mais dos esquerdistas. Já caso a extrema-esquerda chegue ao poder, aí o negócio é ótimo, pois com o poder totalitário no estado as verbas não faltam.

Esta é a explicação que fornece a dinâmica social fazendo com que a esquerda – e principalmente a extrema-esquerda no Brasil e na América Latina – consiga elencar os maiores desonestos para seu jogo. Razão maior para que tenhamos ainda mais esforço gasto na guerra política, principalmente pela via do desmascaramento de fraudadores intelectuais.

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14 COMMENTS

  1. Lamentavelmente, muita gente que se diz de direita, não tem conhecimento suficiente de economia, filosofia ou política e faz muita confusão divulgando informações erradas. A maior delas é supervalorizar o termo “privado”, chegam mesmo a endeusar a privatização. Em primeiro lugar privatização é um artifício socialista que se opõe ao termo República, que vem de “res publica” e foi criado pelos Liberais para se opor ao absolutismo monárquico. O liberalismo defende o indivíduo e a liberdade, mas também defende a “res pública” (coisa pública) em oposição à “res privada” (coisa privada). Na idade média até mesmo o poder era uma “res” privativa do monarca. A democracia foi criada para tornar o poder uma “res publica”, uma coisa pública.
    Afirmar que a corrupção é uma característica da República é insistir numa falácia. A corrupção sempre acompanhou as monarquias da idade média e foi a marca registrada da monarquia brasileira. Há corrupção no setor privado também. Prova inconteste disto são os bancos privados que hoje são supranacionais e não têm nenhuma regulamentação nenhuma e que de tantas manobras desonestas, vez por outra quebram. Estes mesmos bancos que querem autonomia absoluta, sem regulamento estatal, lavam dinheiro de narcotráfico, dinheiro de corrupção, emprestam para quem não pode pagar e quando quebram pedem socorro financeiro ao Estado e quem arca com o prejuízo é o povo. É uma leviandade falar que dinheiro “Estatal” cheira pior que o dinheiro “privado”, afinal ambos pertencem ao povo. Na Europa, nos EUA e nos paraísos fiscais os bancos são privados e há grande corrupção no sistema financeiro exatamente por não haver regulamentação sobre os bancos privados. (leia sobre isto em Os Mandarins do Dinheiro Howard M. Wachtel.
    A privatização é um processo que vai muito além de vender empresas do Estado, estamos falando de privatização do poder. No Brasil o poder já é privado. Autarquias e entidades similares transferem sutilmente o poder público para o setor privado e a corrupção só aumenta no país. Além de gerar desemprego e desvio de dinheiro público. As empresas privadas privatizam o lucro e socializam o prejuízo, o prejuízo é “público” e não privado. Toda vez que têm problemas em razão da má gestão ou desonestidade recorrem aos cofres públicos.
    Já o comunismo atrai gente desonesta porque faz parte da filosofia comunista o lema: “os fins justificam os meios”, vale mentir, enganar, roubar, vale tudo para se alcançar um objetivo.

    • Vou resumir uma ou duas de suas objeções em um post no qual comentarei objeções tuas e de um outro leitor. Pelo que vi, por enquanto, a tese minha segue sólida. Mas devo tratar especificamente seus pontos.

      • Luciano, acho que suas observações são válidas em relação à direita liberal. Digo isso porque também há uma direita estatizante. Na verdade, boa parte da aversão de algumas pessoas no Brasil à direita (principalmente algumas pessoas mais velhas) deve-se a que a direita representava oligarcas que, no comando do Estado, eram contra qualquer tipo de competição própria do capitalismo, usando o Estado para salvaguardar seus interesses mediante regulações, monopólios, etc.
        Ocorre que a alternativa a essa fraude na competição certamente não é a esquerda, que apenas quer migrar a falta de competição para as mãos do Estado.
        Aqui devo indicar que o Robson se equivoca em, por exemplo, restringir sua análise a setores em que também não haja competição adequada.
        No geral, é bem evidente para quem já esteve no setor público a ineficiência das estatais.
        Além disso, em relação à corrupção há uma diferença crucial: quando um gerente de uma empresa privada é corrupto e cobra propina de seus fornecedores, esse valor passa a integrar o preço da mercadoria. Ocorre que em mercados competitivos o consumidor pode simplesmente optar pelo concorrente, não sendo obrigado a arcar com o custo da corrupção.
        No setor público isso não ocorre. A corrupção é obrigatoriamente repassada ao contribuinte, que não tem o direito de escolher não pagar impostos.
        Essa é a diferença crucial.
        No exemplo que foi citado, de bancos que emprestam a quem não pode pagar, em primeiro lugar ninguém foi obrigado a tomar o empréstimo. O erro foi quando o governo usou dinheiro do contribuinte para socorrer os bancos que foram mal geridos, ao invés de deixar que eles falissem. É o que ocorre no capitalismo. Empresas mal geridas vão à falência.
        O que deve ocorrer é competição sem privilégios, o que se alcança se o Estado deixar de intervir para escolher quem ganha.

      • Em breve farei um post tratando as objeções à tese.

        Mas um ponto posso adiantar:

        Além disso, em relação à corrupção há uma diferença crucial: quando um gerente de uma empresa privada é corrupto e cobra propina de seus fornecedores, esse valor passa a integrar o preço da mercadoria.

        Sim, mas neste caso ele perde COMPETITIVIDADE. No estado, que não compete com ninguém, não há necessidade de competir. Logo, há mais motivação para roubar.

    • Renan,

      Não existiu deturpação alguma, apenas a observação dos fatos. Você não conseguiu refutar meu texto. Pode tentar começar. Farei a segunda parte tratando as objeções de duas pessoas, mas você nem conseguiu expressar uma objeção adequada. Então, te resta o esperneio.

      Abs,

      LH

  2. Potoca. Você fala isto para enganar pobre. quem é de classe media, e não é ingênuo e a conhece, vê a desonestidade todos os dias no cotidiano da própria classe média e extratos superiores. Tenho 68 anos e vejo isto desde meus oito anos, quando ainda morador lá no triangulo mineiro, analizando hoje vejo que as prefeituras eram quase propriedades privadas de famílias. E a classe média e alta, majoritariamente de direita, continua considerando o estado, em seus vários níveis, como sua propriedade.

    • Comentários em textos como esse e que começam com Kkkkkkkkkkkkk é que são toscos. E o autor nem afirmou que direitistas são todos honestos. Típica falácia concluir de premissas erradas. Agora se vc pertence ao outro lado do espectro político e a carapuça te serviu, só se pode lamentar.

  3. O liberalismo potencializa e conduz as regras da produção e do consumo, pois é de onde se extrai, se gera, o capital e, consequentemente, o poder dos ricos. Aos pobres, resta a alegria de poder a pedra de um dos vários sapatos de luxo ao final de um dia escravidão moderna e assistir na droga da TV de mil polegadas uma ilusão qualquer de liberdade e felicidade.

  4. Embora o texto seja bastante esclarecedor, por outro lado é muito complexo e modestamente, poderia ser resumido da seguinte maneira:-a esquerda atrai mais desonestos pelos mesmos motivos que as seitas religiosas atraem espertalhões que se auto intitulam abençoados pelo Divino, e o futebol atrai grupelhos de vigaristas que manipulam o circo:-todos os três se configuram como setores da sociedade onde o dinheiro(dos outros) jorra à vontade; todos os três prometem entregar a seus patrocinadores(o povo, o rebanho e a torcida), rios de satisfação com pouco esforço(de raciocínio inclusive); e, uma vez dopados pelo vício, cada grupo de patrocinadores, passa a atuar como defensor daquele que lhe alimenta através do vício que a ilusão provoca, formando então, o inexpugnável ciclo da tragédia que se retro-alimenta.Ou, em outras palavras ainda mais resumidas:-partidos de esquerda, seitas religiosas e futebol, são oásis onde uma meia dúzia de safados espertalhões desprovidos de caráter pode se beneficiar de uma soma enorme de recursos de terceiros(ávidos a serem dopados), mediante a promessa da entrega fácil de doses de uma quimera viciante, que é a ilusão.

    • A analogia seria interessante, mas há um problema sério para ela: instituições religiosas e clubes de futebol são mantidos por dinheiro VOLUNTÁRIO. Já o estado obtem dinheiro vindo de COERÇÃO. Ou seja, moralmente estão em posições opostas.

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