A eleição dos Estados Unidos foi exemplar

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Ouço por vários cantos o clichê dizendo que “as eleições norte-americanas foram de baixo nível”. Na verdade, foram o oposto: finalmente elas demonstraram altíssimo nível.

Tal choradeira é o mesmo fenômeno ocorrido após a eleição de Porto Alegre, cujo resultado foi seguido pelo dramalhão dizendo que “esta foi a eleição mais baixa da história”, quando na verdade foi a melhor dos últimos tempos.

Em Porto Alegre, finalmente um candidato mais à direita resolveu olhar na direção de um mais à esquerda e disse: “o jogo começa agora”.

Como já sabemos, o esquerdista vigente sempre dirá que “há polarização” a partir do instante em que começar a existir competição, uma vez que em seus sonhos mais prazenteiros está a vitória fácil. Tudo o que ele quer é vencer sozinho, praticamente sem jogar. Ocorre que nas eleições de 2016, teve jogo. Nelson Marchezan Jr. rebateu rótulo por rótulo e foi para o ataque. Resultado: no jogo jogado, o esquerdista Sebastião Melo perdeu.

Quando o esquerdista diz que “há polarização”, o faz unicamente para que o adversário se sinta constrangido e culpado por jogar.

Enquanto o esquerdista está assassinando reputações – e seu adversário dizendo “para cada mentira, uma proposta”, como fez Aécio em 2014, eleição na qual apanhou até debaixo da língua -, tudo estará lindo e maravilhoso para ele. Se este estiver dizendo que o adversário é “cheirador de cocaína”, “aquele que tortura o cachorro”, alguém que bate na mulher”, enquanto só recebe resposta frouxa, a campanha será definida como “de alto nível”.

Em resumo, para o esquerdista a campanha de “alto nível” é aquela na qual ele bate sozinho. Foi assim que John Mc Cain e Mitt Romney apanharam calados de Barack Obama. Dava até dó. Fiquei até preocupado com os dois candidatos anteriores republicanos. Parecia que estavam em catatonia. Terminaram mais quebrados que arroz de terceira de tanto apanhar.

Venhamos e convenhamos: no futebol e na guerra, qualquer um sabe que o “jogo bom” é aquele jogo parelho, disputado por ambos os lados. Se um lado rotula, o outro tem que rotular também. Se um lado investiga o passado alheio, o outro deve fazer o mesmo. Dizer que isso é “baixo nível” é ofender a inteligência das pessoas.

Há quem diga que “é desagradável ver uma campanha de ataque ao opositor”. Sinto muito, mas a política depende disso. Temos que conhecer o passado e o caráter dos candidatos concorrendo, e ninguém melhor para fazer essa investigação do passado – que nas empresas se chama “background check” – que o adversários. Se Hillary cavucou o passado de Trump, era obrigação dele cavucar o passado de Hillary. Se apenas um cavuca o passado do outro, aí temos “jogo ruim”.

Na realidade, Donald Trump não começou bem nesta campanha. Estava apanhando sozinho. O primeiro dos três debates foi uma lástima. Hillary batia da medalhinha pra baixo, enquanto Trump parecia estar em um “debate de Oxford”. Por sorte, Trump acordou para a vida e no segundo debate venceu de goleada.

Os últimos 20 dias de campanha foram um belíssimo jogo no qual ambos os lados atacavam. Trump tinha seus problemas e vulnerabilidades, mas Hillary os tinha em maior quantidade, o que abriu uma boa brecha a ser explorada pelo republicano. Na reta, final, tivemos:

  • Disputas de frames feitas por ambos os lados;
  • Mentalidade de guerra política demonstrada por ambos os lados;
  • Combate verbal travado por ambos os lados;
  • Rotulagens feitas por ambos os lados.

É o mesmo princípio que aplicamos ao futebol. Se os dois times fazem belas jogadas e vários gols, além de se defenderem bem, temos um jogo de alto nível. Quando um time joga sozinho, o jogo é ruim.

Hillary pode estar frustrada por ter perdido, mas dessa vez o jogo foi muito bom para o público. Precisamos exigir que os candidatos mais à direita joguem cada vez mais e tornem as eleições algo de alto nível. Vergonha é perder sem jogar. Ganhar (ou até perder) jogando é algo muito mais digno de mérito.

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4 COMMENTS

  1. O novo frame pós derrota é o mais engraçado, sempre durante a campanha se gabaram que trump não tinha chance, receberam gordo financiamento de George Soros, toda a mídia a exceção a fox massacrando ele, apoio de uma massa de mega estrelas de Hollywood e diretores de cinema, ataques a vida pessoal ao lado de um grande silencio para os podres dos Clintons, para no final se gabar de sessenta ou setenta mil votos numa eleição de 120 Milhões de votantes.

  2. Se a esquerda realmente quer um “debate de alto nível”, ela pode iniciá-lo dando bom exemplo.

    O queixume da esquerda me lembra alguns desenhos animados e filmes infanto-juvenis quando o protagonista entrava em um time e os personagens do time adversário eram apresentados como maus simplesmente porque queriam competir e vencer.

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