Ataque da esquerda à Stephen Bannon é sinal de que teremos muito trabalho pela frente na guerra contra o totalitarismo

2
157

Não há narrativa mais equivocada para a direita atual do que dizer que a mídia “errou” quanto a Donald Trump. Foi o exato oposto: a mídia mentiu. Mas, devido aos fenômenos da crença no discurso e da fé cega na crença, essas narrativas continuam a se multiplicar. Assim, de um lado a mídia de esquerda começa a pedir desculpas “por ter errado” – salvo exceções, como a de Clóvis Rossi, que comentarei por aqui -, enquanto a direita… repete o direito de que “a mídia errou”.

Mas, para aqueles seguem dizendo que “a mídia errou”, então aqui vai um “novo erro”: eles estão lançando campanha de ódio e difamação contra Stephen Bannon, que foi escolhido como novo estrategista-chefe para o governo de Donald Trump. Pois veja o que escreve a Folha, repetindo a narrativa de empresas com CNN, ABC e outras:

Em julho, Stephen Bannon, 62, chamou seu site, o Breitbart News, de “plataforma para a alt-right” -a “direita alternativa”, guarda-chuva para neonazistas e supremacistas fartos do “politicamente correto”.

No mês seguinte, ele virou chefe da campanha presidencial do republicano Donald Trump. No domingo (13), estrategista-chefe de seu futuro governo. Como tal, será uma das vozes mais influentes na Casa Branca, que ficará mais branca do que nunca, temem grupos que defendem minorias nos EUA.

Primeiro que o Breitbart News ajudou a quebrar a máquina de mentiras da mídia esquerdista. Como já escrevi por aqui, é esta mídia alternativa – que não recebe um centavo sequer de gente como George Soros, por exemplo, e nem foi beneficiada com contratos do governo Obama – que levou ao povo as notícias que ele queria, ao contrário da mídia que se aliou à Hillary, que, como vimos, se posicionou contra o povo.

O que tem a ver estar “farto do politicamente correto” com ser “supremacista”? E quais as evidências de que o Breidbart serviria como auxílio para neonazistas? E de novo a narrativa mentirosa – rejeitada nas urnas – de que ser contra a opressão do politicamente correto é “ficar contra as minorias”?

Ou seja, isso não é “erro” jornalístico. É mentira planejada mesmo.

Foi assim que Bannon foi descrito recentemente pela rede francesa de notícias a cabo La Chaîne Info (O Canal de Informação), e a mídia americana abraçou a comparação, particularmente em vista da nomeação de Bannon como “estrategista chefe e conselheiro sênior” do presidente eleito. O Huffington Post lamentou caracteristicamente: “Um Nacionalista Branco é o Novo Estrategista Chefe da Casa Branca”.

Ou seja, a mídia esquerdista continua a prática de difamações.

No que diz respeito às atitudes pessoais de Bannon, isso é uma hipérbole. Julia Jones, por quase duas décadas parceira de roteiros de Bannon em Hollywood, disse ao Daily Beast em agosto que “nunca tomei conhecimento do ‘Steve racista’ que está sendo retratado agora. Nunca o ouvi contar qualquer piada racista, e seu melhor amigo era um afro-americano que frequentou [a faculdade] com ele … Nunca vi sequer uma pitada de racismo”. Outros relataram o mesmo. Ben Shapiro, que trabalhou sob as ordens de Bannon em seu site, Breitbart, até sair de lá este ano, escreveu em seu próprio site que “não tenho evidência de que Bannon seja um racista ou que ele seja um antissemita”.

É duro para a mídia esquerdista ouvir algumas verdades estas acima. Mas o que importa é: “quais as evidências das alegações contra Bannon?”.

No entanto, sob a égide de Bannon, algo horrível tomou conta da direita.

Em termos de “algo horrível”, nada é mais horrível do que aquilo que está “tomando conta” da esquerda: a prática psicopática de mentir.

Em março de 2012, Bannon – um banqueiro de investimentos que virou documentarista conservador – se tornou diretor do Breitbart News. Até aquele momento, o website havia sido malandro, mas não malicioso, refletindo a personalidade de seu fundador Andrew Breitbart (uma personalidade que desde sua morte tem sido vítima de um revisionismo grosseiro por parte da esquerda). Mas, sob a liderança de Bannon, as travessuras do Breitbart News se transformaram em outra coisa. Quando não estava promovendo mentiras ao estilo Pravda durante o período de campanha – por exemplo, garantindo como “100% confirmada” a alegação de Trump de que “milhares” de pessoas em Nova Jersey celebraram os ataques de 11 de Setembro – o site aumentava sua base de acessos servindo o que queria a alt-right, um bando pequeno mas zuadento de supremacistas brancos, antissemitas e trolls de internet. Em maio, o editor da Weekly Standard, Bill Kristol, foi classificado de “judeu renegado”.

Este é um exemplo de mentira clara e planejada, e não um “erro” jornalístico.

Na verdade, a própria Folha publica notícias com base em rumores que não se confirmam posteriormente. No fundo, toda a mídia faz isso. Mas é difícil mentir tanto quanto a Folha e a mídia esquerdista. Vamos a alguns exemplos:

Precisa de mais?

Bem, parece que não é o Breidbart que merece ser chamado de Pravda. É a Folha que merece este rótulo…

Em setembro, um artigo sobre a coletiva de imprensa em que Trump reconheceu que Obama nasceu nos EUA vinha ilustrado de uma foto de Harambe, o gorila assassinado a tiro este ano no zoológico de Cincinnati. Este verão, Bannon informou alegremente à Mother Jones que o Breitbart News havia se tornado “a plataforma da alt-Right”. (E se você, como Newt Gingrich, acredita que a alt-right não existe, favor consultar meu Twitter.)

É engraçado aqui que visões diferentes sobre um assunto começam a se tornar provas de… nada. Gingrich e Bannon podem discordar quanto à alt-Right. E daí? É diferente do que ocorre na mídia de esquerda, onde parece que eles não “discordam” de nada.

A alt-right é uma mistura de filosofias que, em seu âmago, rejeitam o princípio fundamental de que “todos os homens são criados iguais, dotados pelo criador de certos direitos inalienáveis”. A alt-right adota um etno-nacionalismo que tem contrapartes no pior da extrema-direita europeia: o Amanhecer Dourado na Grécia, ou o Jobbik na Hungria. (Não é nenhuma coincidência que Bannon passou este verão elogiando “as mulheres da família Le Pen” nas estações de rádio londrinas, referindo-se à líder da Frente Nacional francesa e sua sobrinha, uma representante da FN no parlamento francês.) E ainda que isso de modo nenhum justifique a quebra de vitrines de lojas para protestar contra um resultado eleitoral legítimo, como o fizeram vândalos neste fim de semana no Noroeste Pacífico, também é verdade que nem todo detrator de Trump é tão desprovido de massa encefálica quanto Lena Dunham. Se minorias étnicas e religiosas estão preocupadas, é em parte porque Donald Trump e seus colegas mais próximos passaram os últimos meses flertando com um dos movimentos políticos mais nocivos da história recente da América.

Todas as mentiras ditas sobre a alt-Right já foram desmascaradas em um artigo do próprio site Breidbart. O que a Folha tenta fazer aqui é culpar a vítima. Na verdade, a direita tem sido vítima de ataques de ódio e difamação promovidos pela esquerda. Se algumas minorias étnicas e religiosas estão preocupadas, é por terem sido influenciadas por tal campanha de ódio. Aos poucos, o objetivo é demonstrar, com ações, que não há razão para o medo e que a mídia esquerdista simplesmente mentiu como se fossem os mais frios psicopatas.

Ademais, como alguns na esquerda notaram mais claramente do que seus pares na direita, o problema não é se Bannon assina embaixo de uma variedade tóxica de loucura política; é que sua aprovação de facto dela permite que se dissemine e exija legitimidade, e com isso aquilo que é no momento um perverso culto periférico pode, com o tempo, tornar-se mainstream.

A jornalista que escreveu este texto chama-se Anna Virginia Balloussier, correspondente em Nova York. Como se vê, Steve Bannon faz parte de um movimento legítimo de rebelião a um establishment que traiu o povo. Este establishment foi cruel e sádico ao jogar irmãos contra irmãos. Este establishment ignorou a cultura da nação. Este establishment usou o estado para esmagar o povo. Nada é mais legítimo do que a revolta atual, e ela vai se tornar mainstream sim senhor. O lado moralmente perverso nesta questão é o da mídia esquerdista, que, ao invés de ir debater, como sempre parte para a campanha de difamação.

Conservadores de princípio, especialmente aqueles em posições de liderança, têm o dever político e moral de condenar e trabalhar para erradicar o animus que é a raison d’être da alt-right, e preservar os pilares do projeto americano. Este projeto é mais do que abstrações metafísicas; mas também não é uma simples questão de blut und boden. Não, Steve Bannon não é Joseph Goebbels. Mas ele disponibilizou um fórum para pessoas que passam o dia no Photoshop fazendo montagens com fotos de conservadores.

Sabe o que é isso, Anna Virgínia? Liberdade de expressão. E o fato da esquerda estar se posicionando contra a liberdade de expressão é outro motivo para ficarmos a favor dos novos movimentos de direita. Como escrevi aqui, não apenas o conservadorismo como o liberalismo clássico possuem motivos para comemorar a derrota de Hillary. Se há um ressentimento presente em muitos norte-americanos, europeus e demais ocidentais, ele foi causado pelas políticas de esquerda. Multiculturalismo e politicamente correto só serviram para jogar irmãos contra irmãos. E o que vocês queriam agora? Uma redução do animus? Não. Isso está apenas começando.

Ela conclui:

Tanto para conservadores quanto para liberais, deveria ser motivo de grande preocupação que essa pessoa tenha à disposição o ouvido do próximo presidente dos Estados Unidos (um homem sem convicções particulares e sem lealdade a quaisquer princípios em especial). É a oportunidade para uma causa comum na tarefa crucial dos anos vindouros: a vigilância.

Não, não há preocupação alguma quanto a Stephen Bannon. Ele nada tem do que se desculpar. Mas a mídia esquerdista traiu o povo e não tem mais o que dizer nem a conservadores e nem a liberais (não confundir com os esquerdistas dos Estados Unidos que se autodefinem como liberais). A tarefa da vigilância já está em curso, mas é contra a grande imprensa. E também temos que ficar vigilantes quanto a pessoa de direita que ainda insistem em dizer que “a mídia errou”. Temos que puxar a orelha deste pessoal e explicar: “Por favor, pare de dizer que a mídia errou. Ela mentiu. É o oposto.”

Nós não lutamos contra “enganados” na mídia. Mas contra enganadores totalitários. Muitos deles tem ocupado espaço na mídia. A ação organizada da mídia contra Bannon é uma comprovação de que nossos piores medos se materializaram: a esquerda norte-americana estava saindo do autoritarismo para o totalitarismo, que proíbe a mera expressão divergente. Assim, deve estar claro para todos nós que a luta contra as mentiras do totalitarismo está apenas no começo.

Anúncios

2 COMMENTS

  1. Cabe agora a nós, pessoas comuns, fazer o que está ao nosso alcance, simplesmente parar de consumir essa mídia mentirosa: parem de comprar jornais e revistas, não paguem pra acessar sites, cancelem assinaturas de TV com canais de notícias. Deixem essas porcarias falirem de vez.

  2. A direita pode dizer que a mídia errou, o Trump, que não faz parte dessa direita, não, basta ver um dos discursos onde ele desafiou a televisões a mostrarem a multidão presente, deu os nomes e disse que ela só se preocupavam em dar um close nele, enquanto nos de sua adversária fazia o inverso.

Deixe uma resposta