Clóvis Rossi adota o tiburismo e arranha a democracia após a vitória de Trump

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Não importa a sua preferência política. Não importa qual seu partido preferido. Não importa em quem você votou nas últimas eleições brasileiras. Não importa para quem você torceu nas eleições americanas. O que importa é que qualquer pessoa intelectualmente honesta é obrigada a reconhecer que a eleição de Donald Trump desnudou alguns comportamentos esquerdistas, em especial o desprezo pela democracia.

Podemos observar isso claramente em um texto de Clóvis Rossi para a Folha, intitulado “A Democracia sai arranhada”.

Tiburismo em nível hard

O texto é um dos mais claros exemplos de tiburismo de que se tem notícia. Tiburismo é o método intelectual de Márcia Tiburi, que leva a tática do “acuse-os do que fazemos” ao nível do absurdo e, pior ainda, em “real time”. Ou seja, no tiburismo alguém deve xingar o oponente por longos minutos e, no meio dos xingamentos, dizer “que o oponente ofende demais”. O livro “Como Conversar com um Fascista”, de Márcia, é basicamente isso: o uso do fascismo retórico – com ofensas, intimidações e ameaças ao oponente – com a adição do “meu oponente é fascista” como parte do ataque. Eu definiria o tiburismo como uma prática de metajogo. Digamos que é um método “hardcore” da guerra política.

A técnica de Clovis é essencialmente essa: demonstrar comportamento plenamente antidemocrático diante da vitória de Donald Trump para, em seguida, dizer que a eleição de seu oponente “arranha a democracia”. Preste atenção que observaremos várias instâncias desse metajogo nos próximos dias.

Três análises anti-democráticas que endossariam a visão de Clovis

Clovis cita o filósofo Daniel Bell – que escreve para o Huffington Post -, o qual disse que algumas características do sistema de partido único chinês, como a meritocracia, produziam líderes mais competentes do que nos Estados Unidos. Bell afirmou: “Ninguém chega nem perto do topo sem primeiro ser testado durante longos anos como governador de uma província chinesa”.

O colunista da Folha reconhece nisso uma tese absurda. Clovis diz: “É uma tese absurda. A meritocracia na China depende, para ser premiada, de incondicional fidelidade ao Partido Comunista, o que é a antítese da democracia. Mas o fato de um filósofo contrapor a democracia ao autoritarismo mostra o tamanho do problema.”

Na verdade, o problema é ver Clovis colocar esse tipo de embuste como parte de sua tese.

Em seguida, Clovis cita John Carlin (“El País”), que disse: “Que uma nação tão próspera, com uma democracia tão antiga, tenha cometido semelhante disparate põe em questão como nunca a noção sagrada no Ocidente de que a democracia representativa é o modelo de governo a seguir pela humanidade”.

Como terceiro exemplo, Clovis cita um editorial do Financial Times, o qual disse: “A vitória de Trump parece representar um desafio para o modelo democrático ocidental”.

O que acontece aí é que o colunista da Folha empacota essas três análises para concluir que “há um problema na democracia” com a eleição de Trump. A base para a identificação deste problema estaria no fato de que alguns colunistas pró-Hillary estão dizendo que “há um problema na democracia por que ela deixou Trump ser eleito”.

Clovis diz que Trump tem que “polir de novo” a democracia. Heinnnn?!

Ao concluir, sobre Trump, ele diz que ele “está longe de ser a pessoa indicada para corrigir as políticas que provocaram o sentimento de abandono que, por sua vez, levaram metade do eleitorado a votar por Trump. Se, em todo caso, conseguir o milagre, vai polir a imagem da democracia. Se não, o golpe poderá ser fatal.”

Ou seja, ele já parte do princípio que a eleição de Donald Trump é um problema para a democracia, cuja imagem seria polida unicamente por um ótimo governo de Trump. Papo-furado. A eleição de qualquer candidato, republicano ou democrata, faça ele um governo bom ou ruim, é irrelevante para definir a estabilidade de uma democracia. A democracia não é um sistema de partido único que não aceita a posição dos outros partidos.

Qualquer pessoa que tenha feito uma “análise de risco” da saúde da democracia unicamente pela eleição de Donald Trump está se posicionando, aí sim, como um inimigo desta mesma democracia. A democracia só pode ser plena quando – verdadeiramente, e não apenas por simulação – ela contempla a participação política tanto nossa como de nossos divergentes. A democracia também exige o aceite do resultado das urnas.

As três pessoas citadas por Clóvis Rossi deveriam tomar um shaming na testa por tentarem fazer chantagem com o uso do termo “democracia” de modo distorcido. Mas a democracia em sua plenitude não pode aceitar este tipo de chantagem. Eu já cheguei a dizer que a eleição de Hillary poderia colocar a democracia em risco, pois ela já deu várias mostras de ter utilizado o aparelho estatal em seu benefício, e sem nenhum pudor. Mas Donald Trump jamais deu qualquer evidência de ter feito isso (até por não ter tido a oportunidade). Assim sendo, não há uma evidência concreta que sustente um argumentação dizendo que a eleição de Trump atinge a democracia de qualquer forma. Não podemos aceitar a narrativa dizendo que “a democracia só vale quando ganhamos a eleição”.

Na verdade, esse tipo de conversinha emitida por Clóvis Rossi é que arranha a democracia. A democracia não apresenta problema algum com a vitória de Trump. Mas Rossi claramente tem problemas com a democracia.

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4 COMMENTS

  1. A extrema esquerda está estrebuchando de ódio com a vitória de Donald Trump. Estou cada vez mais convencido de que os democratas americanos estão mais para um bando de bolcheviques esperando a hora certa de atacar. Nunca vi tamanha simpatia dos sociopatas brasileiros.

  2. Só faltou comparar com o que vinha acontecendo aqui. Uma coisa para ser estudada, o que explica certos bloguistas, no caso osantagonistas, terem sido contra a Dilma e por outro lado a favor da Hilária, farinha do mesmo saco. Quais interesses estariam por trás?.

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