Villa diz que o impeachment serviu para abrir ainda mais a crise política, e ele tem toda a razão

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Aqueles que diziam que o impeachment iria estancar a crise política e institucional no Brasil, e especialmente aqueles que de fato queriam que isso acontecesse, deram com os burros n’água. Aliás, foram muitos que disseram isso, tanto na extrema-esquerda quanto na direita true. O próprio Olavo de Carvalho adotou esta narrativa quando passou a escancarar sua birrinha infantil contra o MBL.

O argumento central dessa tese – agora já comprovadamente falsa – era o de que a classe política estava trabalhando pela queda de Dilma para aquietar os ânimos da população, e depois que ela finalmente caísse tudo voltaria ao normal. Obviamente, se este era mesmo o plano, ele deu muito errado. Hoje não só a crise política continua como tem se agravado.

A queda do PT, tanto pelo impeachment como pelas eleições municipais, mostrou que a população está de fato acordada e está prestando muita atenção, mas não só no PT, e sim em todos os movimentos da classe política. Um caso como este da tentativa de anistiar o caixa dois certamente teria passado despercebido há dois anos, mas hoje não passa. O caso Geddel Vieira e o tráfico de influência – que nem é tipificado como crime – jamais seria tão falado como hoje. As manobras feitas no Senado para jogar a PEC pelo fim do foro privilegiado para baixo do tapete também não estão passando despercebidas.

Diversos políticos foram presos depois do impeachment, e boa parte deles do PMDB, como Eduardo Cunha, Garotinho e Sérgio Cabral. A Operação Lava-Jato continuou e não tem previsão de cessar suas atividades. Aqueles que criticara os movimentos pró-impeachment quebraram a cara, e quebraram feio. Erraram as previsões e se mostraram mentirosos até a medula.

A verdade é que a população está atenta, está cobrando. Movimentos políticos como Vem Pra Rua e MBL continuam na ativa, contrariando os falsos videntes que alegavam que tudo isso ia passar assim que Dilma caísse. Nunca houve tanta pressão popular em tantas frentes. Diferente de 2013, desta vez o povo realmente acordou. A crise política ainda pode ir muito longe.

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