Deltan Dallagnol mentiu para dizer que governo Dilma lutou contra corrupção

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Para início de conversa, é preciso dizer que o trabalho dos procuradores da Lava Jato até o momento tem sido excelente. Até mesmo a apresentação em Power Point – tão questionada pelos petistas – foi irrepreensível. Mas até mesmo pessoas que até agora merecem palmas podem pisar na bola (e feio). Foi o que aconteceu com o procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato.

Em uma ofensa à decência, ele deu uma entrevista na quarta (30) e proferiu uma das maiores mentiras das história da política: Dilma teria feito mais que Temer pelo combate à corrupção. As frases dele foram exatamente estas: “Até o governo Dilma avançou propostas contra a corrupção muito melhores que as que foram aprovadas”.

Parece que o sucesso subiu à cabeça deste moço, pois mentir para babar o ovo do governo Dilma é um crime moral complicadíssimo. Para início de conversa, ele, aí sim, não apresentou nenhuma prova (seriam apenas convicções?) de que Dilma fez mais pelo combate à corrupção do que o governo atual. A verdade vai na contramão: em comparação com os governos Lula e Dilma, nenhum outro fez tanto em favor do aumento da corrupção.

Mesmo que Dilma tenha sido forçada a homologar a lei da delação premiada em 2013, o PT tem sido o mais esforçado dos partidos no ataque à Lava Jato. É fácil encontrar milhares de evidências – que podem constranger Dallagnol com muita força – provando os ataques dos petistas à Lava Jato. Há de tudo: ações na ONU, campanhas de difamação, assassinato de reputação dos envolvidos e até um documentário, o qual acusa a Lava Jato de prejudicar nossa economia. Elogiar o governo Dilma por ter feito algo “contra a corrupção” é tão imoral quanto homenagear Fidel por promover a paz. É tanto uma ofensa quanto uma “grande mentira” no estilo Goebbels.

Espera-se que isso tenha sido um segundo surto de insanidade de Dallagnol na semana – o primeiro foi a ameaça de renúncia, o que, conforme a lei, ele não pode fazer, dado que seria prevaricação – e que ele recobre a lucidez em breve, pois atitudes assim não podem destruir um trabalho que até agora tem sido tão bem feito.

Lembremos que ao agir assim, Dallagnol emula parte do comportamento de Patricia Lelis, que, de uma hora para outra, correu para os braços da extrema-esquerda no intuito de atingir seus adversários políticos. Dallagnol tem razão em se irritar com a lei de abuso de autoridade, mas até mesmo esta lei é feita para beneficiar principalmente Lula e Dilma, portanto não há nenhuma justificativa moral para ele emitir narrativas em favor do PT como forma de ataque político às ações de Renan Calheiros e seus aliados (que incluem petistas).

Deltan Dallagnol precisa tomar cuidado, pois sair mentindo em favor de petistas não é a melhor tática para esta guerra política, principalmente pelo fato de os petistas já terem ido longe demais nos ataques à ele. Ficaria ridículo para os petistas começarem a homenageá-lo. Isso não vai acontecer. Ou seja, mentir em favor dos petistas não vai lhe granjear afagos socialistas. E, ao mesmo tempo, isso irá prejudicá-lo diante dos republicanos.

Uma dica para Dallagnol, vinda de Saul Alinsky: “Se você produzir um efeito excessivamente negativo e profundo no oponente isso poderá se voltar contra você”. Se aliar a petistas é uma forma torpe demais de atacar os proponentes da lei. Isso tende a não dar certo.

Fica a dica, Dallagnol: menos, menos…

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2 COMMENTS

  1. Para falar a verdade, acho que o Procurador Deltan não deveria ter dividido sua atenção e tempo entre os trabalhos da Lava Jato e a campanha pelas 10 medidas contra a corrupção. A operação merece atenção total dos membros do MPF, dada sua complexidade e extensão e o chefão e sua substituta ainda não foram presos. Hoje ele parece estar mais envolvido com a política, o que não o favorece porque não é do ramo e não tem jogo de cintura suficiente para enfrentar os profissionais da extrema esquerda e do PMDB. A entrevista mencionada com ameaça de renúncia revelou até uma certa falta de profissionalismo. Será que só a população percebe que a guerra está longe de acabar? Se todos aqueles que perderem uma batalha desistirem como e que vai ser?

  2. Eu concordo que a emenda sobre abuso de poder do MP e dos magistrados beneficiariam, em certa medida (mas não 100%) os réus da lava jato, no entanto, há que se considerar que tal medida também nos protegeria do abuso de poder do judiciário – algo que não é raro de acontecer. É um tipo de norma que deveria ser estendida para todas as autoridades, porque é temerário atribuir poderes absolutos a quem pode destruir a vida de outras pessoas e, até mesmo, de um país inteiro.

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