Por que a desestatização é a maior de todas as medidas contra a corrupção?

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Para início de conversa, não falamos aqui apenas de corrupção, mas de projetos totalitários de poder baseados em corrupção, ou mesmo de organizações de corrupção. Em outras palavras, falamos de algo que vai muito além da corrupção pura e simples. E precisamos lutar contra esses esquemas de corrupção – que chegaram ao nível recorde na era PT – urgentemente.

Fala-se muito que as 10 medidas contra a corrupção são a solução, bem como barrar a Lei Salva Lula (de “abuso de autoridade”). Sim, lutar por isso é essencial, como fez o povo hoje, mas nada disso se equipara à maior de todas as medidas contra a corrupção organizada: a desestatização. Infelizmente, pouco se falou disso até o momento.

Como se sabe, a Operação Lava Jato investiga o maior escândalo de corrupção já encontrado. Ele ocorreu a partir da sangria da Petrobrás. Lembre-se que ainda existem suspeitas de que o escândalo do BNDES seja ainda maior. As medidas contra a corrupção apenas farão com que os corruptos se sintam intimidados, ou que busquem novos meios para acobertar suas maracutaias. Para resolver o problema da corrupção na Petrobrás de uma vez, é muito simples: basta vender a empresa para a iniciativa privada. Com a Petrobrás fora das mãos do estado, é praticamente impossível acontecer ali um escândalo de corrupção de tal dimensão.

Uma objeção pode surgir: “ei, Luciano, mas empresas privadas também existem casos de corrupção”. É verdade, mas nem de longe na mesma escala em que as empresas estatais. Ademais, o problema da corrupção privada diz respeito unicamente aos acionistas da empresa. Com a corrupção, eles simplesmente se tornarão menos competitivos e seus concorrentes vão agradecer. Imagine que uma empresa concorrente consiga vender o litro de gasolina a R$ 1,50. Agora realize uma empresa que adquiriu 30% da Petrobras e esteja concorrendo no mercado, mas, por causa da corrupção só consiga vender o litro de gasolina a R$ 1,80. A empresa simplesmente vai quebrar. Para evitar isso, certamente ela implementará controles contra a corrupção.

Tal iniciativa anticorrupção nesta escala só pode ocorrer numa empresa privada, dado que existe o risco de perder mercado. Estatais monopolistas (que não atendem a serviços essenciais) estarão estimuladas a alimentar a corrupção endêmica, principalmente por não viverem sob o risco de perder mercado.

Imagine agora que um sujeito tenha como projeto de vida ocupar um cargo na Petrobrás, principalmente em um governo de extrema-esquerda (que visa o mais alto nível de aparelhamento). Considere agora que ele pense: “Terei dinheiro para comprar no mínimo 1000 jornalistas e empregar centenas de amigos do partido e outros sicários. Conseguirei comprar apoio político e ter a elite empresarial em minhas mãos. Basta usar a corrupção ao máximo. Meu futuro é esse: ocupar a Petrobrás, virar um milionário, estabelecer totalitarismos (pagos com corrupção) e ter um poder quase absoluto”.

Agora imagine o balãozinho com o sonho deste energúmeno sendo furado: “Não, sujeitinho. Não adianta mais você ter seu projeto macabro. A Petrobrás já era para você. Agora você vai ter que trabalhar de verdade. Ou buscar um cargo nas empresas petrolíferas do mercado. Nessas empresas, se você roubar, poderá acabar preso a partir de uma investigação da própria empresa. Teu sonho perverso de roubalheira acabou. Sabe por que? Por que não existem mais estatais petrolíferas. Vá trabalhar, vagabundo!”.

Não há muito mistério nisso.

Em tempo: não apenas a Petrobrás deveria ser privatizada, como também os Correios e a Caixa Econômica Federal. O BNDES deveria ser extinto.

Com essas medidas, a maior parte dos casos de corrupção simplesmente não poderá ocorrer.

Se aplicarmos a desestatização, conforme aqui proposto, além de estabelecer as 10 medidas contra a corrupção, podemos inclusive atribuir os méritos futuros para a redução da corrupção: 80% dos méritos ficariam com a desestatização, e os 20% restantes com as 10 medidas contra a corrupção e a derrubada da Lei Salva Lula.

Se quisermos lutar de fato contra a corrupção endêmica, o caminho é esse: desestatizações de tudo que não for essencial.

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6 COMMENTS

  1. Isso faz todo sentido se lembrarmos do caso da privatização da Vale do Rio Doce (hoje Vale). O PT babava de ódio, estrebuchava pelo chão, vomitava sangue… Parecia uma sessão coletiva de exorcismo a cada liminar derrubada contra a privatização da empresa. Tal mobilização com tanto vigor, só vi recentemente quando o Lula foi conduzido coercitivamente e que os petralhas viram que ninguém estava acima da lei.

  2. Muito bem lembrado. A desestatização é fundamental no combate à corrupção. Além da desburocratização para acabar com o famoso “criar dificuldades para vender facilidades”. O que temos hoje é uma classe empresarial submissa aos donos do estado.

  3. Na verdade… na trave. Mesmo com as desestatizações, a corrupção não ia cair de forma contundente. Precisa de mais uma coisa: fim do incentivo ao monopólio/oligopólio. Enquanto tivermos, a exemplo das operadoras de telefonia, fornecedores que são poucos (além de protegidos pelo Estado), ainda haverá espaço para muita corrupção.

    Basta lembrar que as teles estão tentando nos impor limite nos pacotes de dados de telefonia fixa, e a Anatel, que deveria regular o setor, protege as empresas ao invés do consumidor.

    Ou seja: desestatização é uma obrigação, mas não pode parar por aí.

  4. Esqueceu de citar o Banco do Brasil.
    Hoje BB e CEF cuidam mais de venda de cartão de crédito e de seguros, que não interessam ao Estado.
    Ninguém reclamou do exagerado número de dias de recesso para Legislativo e Judiciário.
    Já imaginaram recesso para médicos?
    Não reclamaram das férias em dobro.
    Nem do exagerado número de assessores que não diminuem a morosidade.
    Nem do grande número de vereadores, deputados e senadores.
    Mas confesso que não sei se haveria prejuízo para a democracia se houvesse uma redução de 1/3.
    Não houve protesto contra os absurdos auxílios que tornam a remuneração maior que o teto.
    Nem da leve punição, a aposentadoria, para juízes que cometem graves erros.
    Nem do modo de escolha de membros de Tribunais de Contas.

  5. Não adianta nada privatizar sem concorrência, mudar de monopólio estatal para monopólio privado. Só isso não resolve o problema. Tem que ter concorrência. Uns dos motivos que tanta corrupção aqui, são os lobs feitos pelas represas. Por imposição das indústrias automobilísticas, nossas ferrovias, hidrovias, etc, foram abandonadas a 40 anos. Outro exemplo são as telecomunicações que através da Anatel não permite outras empresas progredirem aqui.

  6. Sou empregado público há 3 anos, antes era da iniciativa privada. Afirmo com toda certeza que a “inserção política” dentro das estatais causa um SÉRIO dano às empresas públicas. Cargos públicos ocupados por pessoas indicadas políticas são tal qual um CÂNCER para os serviços públicos de maneira geral. Os indicados políticos não têm escrúpulos e agem como marionetes para CUMPRIR ORDENS políticas que MUITAS VEZES não condizem com o interesse da sociedade mas sim o interesse de angariar VOTOS e agradar ALIADOS políticos. Desta forma, o USO DA MÁQUINA PÚBLICA para fins de interesse particular, torna-se uma “máquina dentro da máquina”. Sou a favor da privatização das empresas públicas OU do fim da inserção política através de indicações políticas dentro de empresas públicas ou estatais. Sou a favor da ocupação de cargos por meritocracia eleita pelos funcionários da empresa através de voto direto dentro da empresa.

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