Saber a diferença entre um tubarão e uma piranha basta para entender como a corrupção petista é diferenciada

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O brasileiro de direita tem um problema muito sério de percepção dos eventos políticos, e por isso acaba fazendo suas decisões com bases em estímulos causados por palavras, e não pelos resultados práticos de tudo que é avaliado.

É por isso que muitos direitistas ainda acham que a luta atual é “contra a corrupção”, quando na verdade a luta é contra a corrupção organizada para um projeto de poder, que só nos levou a tal deterioração política exatamente por depender de uma escala muito maior do que a corrupção praticada antes do PT. Se realmente conseguirmos conseguir colocar “travas” em projetos totalitários de poder, automaticamente teremos reduzido… a corrupção.

Augusto de Franco diz: “A base de Temer é a mesma base que se juntou ao PT para roubar. Enquanto o PT roubava para bolivarianizar, ela roubava para se locupletar.”

O detalhe é que as duas coisas são bastante diferentes. Imagine que você seja dono de uma banquinha de jornal e tem um funcionário que sempre pega algum “por fora”. Isso é um problema por que te causa prejuízo, mas você não tem controles para evitar esse tipo de coisa. Por isso, luta para estabelecer controles e impedir o roubo. Agora imagine outra situação onde o funcionário que te rouba o faz em uma quantidade e organização a ponto de (1) dar uma grana a um fiscal para te tirar o negócio, (2) montar um negócio em teu lugar. É evidente que esta situação configura um crime muito mais grave do que no primeiro caso. No primeiro, você tem prejuízo. No segundo, você perde teu negócio.

Quando se fala que enquanto uns roubam para se locupletar, e outros para bolivarianizar, é claro que o segundo caso é muito mais grave, pois falamos da corrupção levada a escala necessária para construir uma ditadura. O maior “case de sucesso” deste empreendimento é a Venezuela. Logo, até em termos morais, falamos de algo muito mais grave.

Imagine uma situação na qual você seja obrigado a tomar uma decisão: “Quer ser jogado naquela piscina junto a um tubarão branco ou naquela outra com um monte de piranhas?”. Lembre-se de que as piranhas não são tão violentas como naquele famoso filme trash de 1978, de Joe Dante, que foi refilmado de modo ainda mais trash em 2010 por Alejandre Aja. As piranhas não matam ninguém. No máximo provocam escoriações em seres humanos. Logo, é bem diferente escolher cair em uma piscina com um tubarão branco e noutra com várias piranhas. No primeiro caso, você morre. No segundo, sofre arranhões.

A direita parece que age como se tivesse uma escolha mas não conseguisse pensar no assunto, pois tudo é “peixe que morde”. Depois que são mortos enquanto tinham a opção de sair vivos, com apenas alguns arranhões, não entendem o motivo. Sair dizendo que “todos os corruptos são iguais” ou que “todo o problema é a corrupção” não difere da escolha absurda entre duas piscinas absurdamente diferentes e que são tratadas de modo igual.

A maior das lutas contra a corrupção se concentra tanto no apoio à Lava Jato e em operações similares como na luta pela desestatização, uma vez que se empresas como Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Correios fossem transferidas à iniciativa privada, estaríamos eliminando a maior parte dos focos de pagamento de propina do Brasil. Chega a ser cômico lutar tão pouco pela diminuição da estatização enquanto se luta contra a corrupção. Eis mais um sintoma de perda de foco.

Em suma, nossa batalha principal deve ser travada contra os mecanismos que permitem não apenas a corrupção, mas o estabelecimento de projetos totalitários amparados na corrupção, categoria que define o PT perfeitamente, como nenhum outro partido no poder havia feito desde o início da redemocratização.

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5 COMMENTS

  1. Luciano, Seus artigos são fora de série. Retratam, fielmente, o cotidiano da vida em nosso país. Infelizmente, a classe política de direita ainda não percebeu as artimanhas dos petistas. Esperamos que não muito tarde, os políticos sérios revejam suas posições e enfrentem com denodo essa classe de gente rude e obtusa que não para de atanazar o governo. Meus parabéns. abraços, Leônidas.

  2. Concordo totalmente. Cada caso ao seu tempo. Acrscento mais uma, abolir a contribuição sindical obrigatória e apoiar o projeto escola sem partido penalizando duramente o doutrinamento ideológico. Os sindicatos, além de não prestar contas para ninguém, utilizam o dinheiro dos trabalhadores para encher o bolso de sindicalistas e desestabilizar o governo.

  3. Perfeito Luciano. É urgente incluir a desestatização na janela de Overton. Estamos muito atrasados nisso. Esse deveria ter sido o foco desde o inicio das manifestações.
    Outra coisa que deveria mudar é o destaque que o noticiário normalmente dá no valor da propina paga. Ora sabemos que, no caso da propina ter sido por exemplo, de um milhão de reais, o valor embolsado pela obra a título de superfaturamento normalmente é muito maior do que apenas o valor da propina. Precisamos obter nas delações, ao identificar a propina, o valor do superfaturamento que deu margem a tal propina, pois aí teremos a real dimensão da sangria a que estamos submetidos. Sem essa informação permaneceremos cegos diante do monstro que nos devora.

  4. Perfeito. Penso o mesmo. Há alguns dias eu falava com amigos e lhes dizia do meu temor de que esse foco na corrupção por parte da classe média que hoje repudia o PT viesse a beneficiar no futuro esquerdistas que não estão agora no “olho do furacão”, como é o caso de membros do PSOL ou da REDE, por exemplo. Não esqueçamos que em parte foi essa mesma classe média que embarcou em passado próximo no discurso petista da “ética na política”.

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